quinta-feira, 18 de março de 2010

Jornalismo televisivo

Os media são, nos dias que correm, instrumentos com um poder absolutamente incrível. É através deles que governos podem cair, mobilizações podem ser geradas e até mesmo sentimentos como o ódio ou o amor podem ser gerados. Estamos na era da informação ninguém nega e é certo que hoje assistimos por parte dos media a uma desinformação de elevada "qualidade" senão vejamos...

Exemplos de péssimo jornalismo:

A catástrofe na Madeira foi um desses exemplos. Imagens repetidas vezes sem conta, equipas de repórteres em directo sem ninguém compreender muito bem porquê, entrevistas do mais estúpido que pode haver, falta de rigor e do mínimo de seriedade jornalística. O desrespeito pelas pessoas é tão grande que todos os jornalistas fazem colocam a mesma questão a pessoas que acabaram de perder tudo: "Como se sente?" passou a ser quase o cliché para todo e qualquer jornalista que, na realidade, nada tem de mais interessante para perguntar. Esta é a realidade! A cobertura jornalística efectuada na Madeira foi do pior que existe mas, não se iludam, dado que a queda da ponte de Entre-Os-Rios conseguiu ser um pouquinho pior! Nada mais nada menos que 37 dias (exactamente, todos esses dias) de equipas em DIRECTO no local. Questiono: A fazer o quê? A ver se apareciam sobreviventes? Este tipo de jornalismo é totalmente insano e horripilante. Pior que isto é o facto da saída de cena das equipas que estavam a fazer os directos na zona fosse acordada pelas 3 estações de televisão que transformaram Entre-Os-Rios numa espécie de "Guerra Fria Televisiva". Era quem mais pavoneava os meios e o esbanjamento de dinheiro.

São situações como esta que me levam a pensar se realmente temos uma informação televisiva de qualidade. A resposta é um NÃO redondo. Enquanto os telejornais perdem horas com as catástrofes outras notícias com tanto ou mais interesse passam sempre para segundo plano, o mundo parece estar apenas e só naquele reduzido ponto. Telejornais vi eu de 70 minutos dos quais 60 foram dedicados a catástrofes, 7 ao futebol e 3 às restantes notícias. É este o jornalismo que queremos? Certamente não...mas é o que temos!

11 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Um tema que dá pano para mangas.
E que tambem ja abordei ha bastante tempo.

O nosso jornalismo televisivo tornou-se bastante sensionalista.
Muito populista.
Mas nao se julgue que lá fora também não se pergunta qual a ementa de um jantar oferecida Rainha a Barack Obama

Jorge C. Reis disse...

Infelizmente é o que temos.
Aquando do sismo do Haiti eu estava na Rep Dominicana e via todos os dias, em directo, o Telejornal da RTP, através do serviço internacional.
Foi confrangedor o que se viu, em comparação com a televisão dominicana e a CNN em espanhol.
Aquela visita do José Rodrigues dos Santos ao feiticeiro voodoo foi um momento hilariante... se não desse vontade de chorar, pelo facto de sabermos que esse senhor estava lá pago com dinheiro dos contribuintes portugueses.

myra disse...

voce tem toda razao! eu acho que até isto està globalizado, aqui na Italia, é horrivel, repetitivo, e sempre sensacionalista!e mtas vezes com poucas verdades...ou um verdadeiro show aproveitando os desastres que acontecem no mundo.
um abraço,

Francisco Castelo Branco disse...

mas isso acontece em todo o lado.
Não é só em Portugal.
O problema está aí.

E que os orgãos de informação tradicionais estão a apostar mais no populismo e problemas sociais do que no pensamento, ideologias, etc etc

expressodalinha disse...

Futebol parece-me bem. No resto concordo.

Francisco Castelo Branco disse...

Nao achas excessivo o tempo ao futebol?

eu tb gosto mas acho demasiado.

E pior quando sao noticias de abertura. So aceito quando o Benfica ganha

Anónimo disse...

FCB as ideologias morreram, os anos sessenta e setenta são passado. As ideologias hoje são apanágio de minorias elitistas das franjas da esquerda.
O jornalismo de hoje reflecte as necessidades . O circo .(do pão já não necessitamos!)
DCS

Francisco Castelo Branco disse...

mas não só cá mas também lá fora.

O que mostra o estado da "sociedade global".

E para comprovar o que a Marta referiu no post é o facto do que se passa fora de Portugal é esquecido pelo jornalismo televisivo.

Francisco Castelo Branco disse...

DCS:

Contraponho isso perguntando, porque razão temos tanto espaço de debate e discussão nas nossas televisões?

Anónimo disse...

FCB
repare que a nao ser que participe o BE todos os debates televisivos ou artigos de opiniao assiste- se discutir posicoes e.... tachos!
DCS

Francisco Castelo Branco disse...

Nao concordo mas respeito.

E veja-se a blogosfera : Também é um espaço onde se discute muita política.

Acho que temos politica a mais na TV.
Não é por acaso que todos os canais têm canal de noticias.

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