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quarta-feira, 17 de março de 2010

Ambivalências e Engenharias

Lá passei os olhos e os dedos pelas "Linhas Gerais" do PEC e percebi que interessa continuar a rematar números para a praça pública, sem se deixar de fazer o sempre arraial político. Olhemos os números, sem esquecer as grandezas que os fabricam:
1. Continuamos a sofrer, como os espanhóis, da fatalidade de escolher entre aumento da iniciativa estatal e contenção dos gastos para acabar com o défice das contas públicas, pois se o primeiro aumenta a empregomania pública, o outro acaba com a iniciativa estatal, único reduto de iniciativa em países como o nosso; com o fim da iniciativa pública cresce desemprego e cresce busca da procura, como também crescem fenómenos subversivos de um Estado social que não pode ser sustentado por não existir economia; não basta copiar os franceses que tinham copiado os escandinavos, foi e é preciso acautelar processos;
2. É claro que a dívida pública aumentou em 2008! Para se ganhar eleições em Portugal, e isso vê-se nos programas partidários de todas as geografias ideológicas, basta juntar o social à democracia, basta apelar aos sindicatos com aumentos de ordenados e com aumento de subvenções, o que acarreta o aumento da dependência, de uma sociedade civil que, se é real, torna-se enfraquecida - entre 2005 e 2008 "o peso das despesas com o pessoal diminuiu de 33% para 26% e o das prestações sociais aumentou de 42% para 49%."; é um círculo viciado pois se todos os partidos prometem modelos económicos idênticos, sempre acabamos por recriar fenómenos de dependência - onde até se incluem a corrupção e as clientelas -, pois sempre é mais fácil recorrer ao voto fácil do que à estruturação da cultura política nacional;
3. Espera-se que a despesa com a procura interna suba dos atuais 0,3% para os 1% em 2013, com a sempre presente subida das despesas com importações de 1,7% para os 2%, mantendo-se a necessidade de financiamento externo à volta dos 8% até 2013; o adiamento do TGV para não incluir essas despesas com o aumento da necessidade de investimento, bem como a liga de interesses instalados das obras públicas, torna esse adiamento uma promessa ambivalente;
Hoje na Grécia, para além da subida definitiva do IVA dos 19% para os 21%, os funcionários públicos, que representam muito mais do que os trabalhadores do privado, organizaram uma enorme greve - por aqueles lados, tal como cá, o sindicalismo empresarial anda de rastos; pois parece que a nova revolta dos povos europeus será feito pelos "mestres" de Bolonha - não sou um deles -, atávicos, como que saídos de uma fábrica de engenharias sociais da banha da cobra, esperando o aumento das despesas sociais em países onde não existe lugar para eles, nem para o aumento das mesmas.

5 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Não se devia fazer o TGV por etapas.
É mais uma promessa não cumprida de Socrates.
Mais uma vez adiado o TGV. E duvido que o o processo volte a ter encaminhamento.

Os impostos aumentam novamente. Com as pessoas e empresas atoladas em impostos, não há maneira das pessoas arriscarem a criar uma empresa e a "criar" emprego...

Estarei a dizer uma grande barbaridade?

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Espero mesmo que essa tramóia do TGV não avance. Quanto aos impostos tens toda a razão!

Francisco Castelo Branco disse...

Nós pelos vistos copiamos, mas mal!

É esse o problema!

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

O problema está no copiar em si, principalmente quando a cópia já é d euma cópia alterada.

Francisco Castelo Branco disse...

e mal feita.

Os bons exemplos nunca são "relevantes"

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