segunda-feira, 8 de março de 2010

3.5 - AFONSO HENRIQUES - BULA MANIFESTIS PROBATUM

Pondo de parte o patriotismo pacóvio do "galo de Barcelos", afigura-se, no mínimo, muito duvidosa a acção de Afonso Henriques enquanto estadista. Foi o pai da Pátria? Ou limitou-se a rebelar-se contra a nobreza galega? Foi herói ou simples ferrabraz? Criou a nação portuguesa ou defez a nação galaico-duriense? Tinha visão ou foi apenas mal aconselhado?
Órfão de pai aos três anos, ficou entregue aos cuidados do fidalgo Egas Moniz. A rivalidade entre essa nobreza de Entre-Douro e Minho, contra a nobreza galega, representada pelo poderoso Conde de Trava, que terá chegado a casar em segundas núpcias com a mãe de Afonso Henriques, numa manobra por muitos considerada traição e, por outros, de grande alcançe diplomático, essa rivalidade iria ser inflamada no jovem Afonso pelo partido de Egas Moniz e dos jovens turcos que o rodeavam.
O paciente trabalho que o pai, Conde D. Henrique, e a mãe, D. Teresa, vinham desenvolvendo para subtrair a região galaico-duriense às "garras" de Leão, tornando toda a zona numa nação independente, caiu por terra naquele dia de 1128 em que Afonso Henriques lutou contra a mãe nos campos de S. Mamede.
Auto armado cavaleiro, Afonso achou que podia ser mais e auto proclamou-se Rei na sequência da Batalha de Ourique (1139), na qual saiu vitorioso contra cinco reis mouros. Sempre com a preciosa ajuda do omnipresente Santiago o "Mata-Mouros" e não sem que na véspera Cristo, em pessoa, não lhe tenha aparecido para avalizar a vitória, dando-lhe na ocasião as cinco quinas que ainda hoje são o principal elemento das armas de Portugal.
Na Conferência de Zamora (1143), Afonso VII de Leão não contestou o título de Rei ao primo Afonso. De facto Afonso VII estava envolvido em várias frentes de combate e esperava tratar do primo mais tarde. Por outro lado, sempre ficava com a Galiza segura, território sem mouros e muito mais rico que os agrestes descampados lusitanos. Acresce que mantinha a secreta esperança que Afonso Henriques viésse a espetar-se contra um exécito mouro, a breve prazo.
Há quem considere este momento e esta data (1143) a certidão de nascimento de Portugal. Porém, como se sabe, naquele tempo era preciso o aval do Papa para ser rei. O Papa funcionava, então, como um Notário de Reinos. Um Regulador de Nações.
As insistências foram muitas e as promessas ainda mais... A verdade é que só em 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis probatum, sancionou explicitamente o título de rei a Afonso Henriques e garantiu a independência aos seus sucessores. É evidente que a fé era muito importante. E Afonso tinha muita fé. Ainda mais importante era a vontade de esmagar infiéis. E esse é o principal passatempo de Afonso. Abaixo do Tejo havia muito mouro para aviar. Mas, apesar de tudo isto, a Bula Papal só foi tornada pública depois de ter sido quadriplicado a oferta inicial de um tributo anual. De uma onça de ouro, passou-se para quatro onças anuais. Aí sim, habemus Bula!!! Os Papas são muito sensíveis a estas questões de fé e quanto maior o tributo mais fé, logo mais graça divina. Portugal nasceu. Um mísero rectângulo ao qual falta a cabeça, a Galiza, que ficou perdida no mundo castelhano. Portugal, um país aparentemente inviável e com defice permanente, acabou, surpreendentemente, por dar novos mundos ao mundo e criar um Império. Afonso Henriques dorme o sono eterno no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Nós continuamos acordados para o defice e sem Império. Jorge Pinheiro

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Boa abordagem.
Ha algum caso de o Papa, seja ele quem for; de ter recusado "dar" a independência a uma Nação?

Pelo facto das ONças não serem suficientes?

É ridiculo esta autorização do Papa. Por isso é que hoje em dia se dá ainda muita importancia à dita fé.
Aposto que Afonso Henriques tinha fé e venceu os Mouros. Só para Portugal se tornar independente não era preciso nenhuma fé em a Igreja dar o consentimento.

O Papa Alexandre III deveria ajoelhar-se perante o Nosso Rei por ter expulsado os mouros cá da Peninsula

expressodalinha disse...

Pois...

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