quarta-feira, 31 de março de 2010

2.1.1. Período pré-povoamento: eles preferiram o Sitar ao Cavaquinho


No nosso último post, informamos sob que ótica relataríamos o período colonial ou o Brasil Colônia e vamos seguir nossa série partindo do ponto onde paramos: o Brasil, ainda Terra de Santa Cruz[1], havia sido “descoberto” por Cabral e Caminha escreveu uma carta ao Rei D. Manuel I, informando isso.

D. Manuel, diante da novidade e, principalmente, dos indícios de ouro relatados por Caminha, resolveu enviar uma nova expedição exploratória ao Brasil, já no ano seguinte.

Assim sendo, em maio de 1501[2], a primeira expedição exploratória do Brasil, composta de três naus, saiu de Lisboa.

Existe uma polêmica sobre esta expedição no que tange ao seu comandante, pois há cinco candidatos para ocupar o posto: Gaspar de Lemos, Fernão de Noronha, Andre Gonçalves, D. Nuno Manuel e Gonçalo Coelho.

E levando em consideração as fontes que pesquisei, a grande maioria dos autores entende que o comandante desta expedição foi Gaspar de Lemos, o mesmo que levou a carta de Caminha a Portugal.

Mas, mais importante do que definir quem, de fato, foi o comandante, é informar que Américo Vespúcio participava desta expedição.

Tratava-se de uma expedição de reconhecimento não só do território, mas também das potencialidades econômicas do local, na qual percorreram a costa brasileira.

Identificaram que havia uma grande quantidade de pau-brasil no nosso litoral, que era uma árvore de madeira avermelhada e de grande valor para a produção de tintas.

Além do mais, mapearam a costa e deram nomes aos principais acidentes geográficos que encontraram, de acordo com o santo do dia.

No dia 01 de novembro de 1501, descobriram a Bahia de Todos os Santos, que é o atual Estado da Bahia, terra que adoro demais e que tem o melhor carnaval do mundo, e que futuramente seria a primeira capital do Brasil.

Em 01 de janeiro de 1502, chegaram à Baía de Guanabara, que é um dos cenários mais lindos do mundo e que também tem o carnaval mais famoso do planeta, isto é, o Rio de Janeiro.

Ou seja, Vespúcio não sabia, mas essa expedição visitou os principais cenários do carnaval brasileiro, de uma só vez. Que sortudo, parece que estava adivinhando! Brincadeiras à parte, há versões que dizem que esta expedição chegou até a Patagônia.

Ao voltar para Europa, em 1502, Américo Vespúcio fez uma declaração bombástica: gente isso que vocês descobriram não é as Índias, porque essas terras se estendem muito ao sul, não pode ser o outro lado da Ásia! Esse território é novo e não é uma ilha! É um CONTINENTE!

Contudo, mesmo com a grande constatação de Américo Vespúcio, o Rei D. Manuel não se animou muito com as notícias, porque só encontraram pau-brasil, em vez do ouro que Caminha, ao interpretar erroneamente os índios, relatou em sua carta.

E nesse sentido, por serem as especiarias mais lucrativas que a extração do pau-brasil, o Rei resolveu jogar todas suas fichas no comércio com as Índias, preferindo, assim, o Sitar ao Cavaquinho.

Larissa Bona

Próximo post em
14.04.2010: 2.1.2. Período pré-povoamento: não éramos os preferidos, mas não fomos esquecidos.



[1]
Cabral quando chegou ao Brasil, pôs o nome de Ilha de Vera Cruz, mas depois se deu conta que não era uma ilha e mudou para o nome de Terra de Vera Cruz. Entretanto, D. Manuel I, ciente de que o nome Vera Cruz apenas poderia ser aplicado à relíquia da Cruz de Cristo, mudou o nome para Terra de Santa Cruz.
[2]
Li por aí que saíram em 10 de maio e em 13 maio. Como não tenho certeza qual é data correta, coloco apenas o mês. Mas se alguém souber, por favor, sinta-se a vontade para manifestar-se.

17 comentários:

Anónimo disse...

Alternative theory of the European discovery of Brazil


The perceived view of historians is that the Portuguese explorer and navigator, Pedro Álvares Cabral, was the first European to discover Brazil, in April 22, 1500, blown westwards to the Brazilian coast while navigating to the Cape of Good Hope, on his way to India.

It is uncertain whether this conventional explanation is true or whether the whole expedition was a secret mission to find new lands in the Atlantic as a response to the Spanish claims that Amerigo Vespucci had visited the north coast of Brazil in July 1499 and that Vicente Yáñez Pinzón had done so in 1500. According to the Treaty of Tordesillas of (1494), Spain could not claim those lands.

It has also been suggested that Duarte Pacheco Pereira discovered Brazil in 1498. In the book, "Foundations of the Portuguese empire, 1415-1580", the authors make the following comment:

"What really is important," Duarte Leite says, "is to know whether Pacheco arrived in Brazil before Alvares Cabral (April 22, 1500). In agreement with Luciano Pereira, such modern Portuguese historians as Faustmo da Fonseca, Brito Rebelo, Lopes de Mendonca, and Jaime Cortesao say he did, as does . . . Vignaud; and I believe he does not lack supporters in Brazil. However," says Leite, if Pacheco did discover areas east of the Line of Demarcation and did bring back news of this to [King] Manuel, "the reason which induced Don Manuel to keep secret. . . such an important discovery escapes me." As soon as Cabral returned in 1501, Manuel announced the discovery of Brazil to Ferdinand and Isabella of Spain. Why would he not in 1499, after the return of Vasco da Gama, make a similar announcement if Pacheco had already discovered Brazil? "No objection could come on the part of Spain," given the division made by the Treaty of Tordesillas, as "indeed none came in 1501" when Cabral's discovery was announced. "I am persuaded that Pacheco neither discovered Brazil in 1498 nor was present two years later at its discovery by Cabral."

Larissa Bona disse...

Conforme este autor que você apontou, ele entende que Duarte Pacheco não descobriu o Brasil em 1498 e nem estava presente na expedição de Cabral.

Então qual teoria ele apóia? Que foi Cabral quem descobriu o Brasil?

Anónimo disse...

Eu mantenho que foi Pacheco Pereira como o comentei no seu post passado e apontei a obra do dr Mascarenhas Barreto como o historiador mais fidedigno na materia .
um abraco. E continue o bom trabalho
DCS
ps ....desculpe, nao assinei o recorte por nao ser de minha autoria.....so o achei curioso....falta acentuacao e cedilhas porque estou escrevendo do hiphone.

Francisco Castelo Branco disse...

Ainda se discute este tema...

fantástico...

Existem mil e uma teorias sobre esta historia.
É impossivel de definir qual a verdadeira

Anónimo disse...

FCB...olhe que não,... olhe que não,...não é teoria são factos !
De resto se bem me recordo foi o senhor que aquando da última vez que se falou no assunto previu que havia de correr muita tinta quando se voltasse ao tema...Aí está...não muita tinta mas muito...teclado
DCS

Francisco Castelo Branco disse...

DCS

o senhor está no céu........


Fiquei com a impressão desta vez, que foi Vespúcio quem descobriu o Brasil.
Foi a sensação que fiquei.
Aqui nem Cabral nem Duarte Pacheco. Não sabia que era Pereira......

Já havia carnaval nessa altura?
Bem.......

Também quero tirar a limpo quem descobriu a América....
Vou fazer uma sondagem e discussão posterior.

Haverá mais polémica quando chegarmos aos Descobrimentos na História de Portugal.
E aí vai haver sangue....
Porque acho que existem mais apoiantes de Cabral do que Duarte Pacheco
Veremos...

Francisco Castelo Branco disse...

Quem é o Sitar e o Cavaquinho?

Larissa Bona disse...

Sitar é uma guitarra indiana (aquela que George Harisson tocava): http://pt.wikipedia.org/wiki/Sitar.

Já o Cavaquinho é uma espécie violão em miniatura e é o único instrumento de cordas utilizado no Samba (muito embora seja uma invenção portuguesa, diga-se de passagem). Mas virou brasileiro, pois nós somos mestres em nos apropriarmos da cultura estrangeira e transformá-la nossa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cavaquinho

Francisco Castelo Branco disse...

Nao estava a apanhar....

Nao percebi o provérbio

Até parecia que estava a falar do nosso Presidente da Republica

Larissa Bona disse...

Eu acredito que foram os dois que descobriram o Brasil. Duarte Pacheco extraoficialmente e Cabral oficialmente.

Quanto a Vespúcio, ele teve uma premonição do Carnaval: Salvador e Rio de Janeiro na mesma viagem! Isso nem nos meus melhores sonhos!

Anónimo disse...

Eu creio que se escreve com C (citar) mas posso estar errado.....a descricao de MB esta correcta.... O instrumento nao era desconhecido dos portugueses uma vez que era usado pelos arabes com quem negociavamos havia muito tempo.
Abraco.....
DCS

Francisco Castelo Branco disse...

Larissa

Mas como era o carnaval nessa altura?
Era indigena?

Larissa Bona disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Larissa Bona disse...

Naquela época, a única coisa que havia, do que atualmente é conhecido pelo carnaval no Brasil, era a ausência de roupas dos índios.

Até porque se trata de uma festa de origem cristã (por incrível que pareça).

Apenas fiz uma brincadeira, porque a expedição de Vespúcio foi quem primeiro esteve em Salvador e Rio de Janeiro, atuais maiores centros carnavalescos do país.

Anónimo disse...

Eu estava errado "sitar" é com S
LB está correcta.
as minhas desculpas.
abraço
DCS

expressodalinha disse...

Já agora também entro:
1 - sitar é indiano, é o instrumento de cordas múltlipas tocado pelo conhecido Ravi Shankar; citar, citarina, etc, pertecem a uma família de instrumentos europeia, tipo lira/arpa, mas com caixa de ressonância.
2 - A descoberta por Pereira fazia parte de um reconhecimento mandado fazer por Manuei I, logo que subiu ao poder para definir os limites de Tordesilhas. Sendo certo que o território brasileiro já era conhecido anteriromente, não se sabia a "dimensão do problema". Ficou a saber-se (em parte). Esta descoberta, bem como o anúncio tardio e não imediato da farsa de Cabral, deve-se às intricadas relações entre as monarquias ibéricas, nomeadamente às questões sucessórias e não necessariamente a Todesilhas. Explicarei com detalhe, qd lá chegar, na "Formação do Brasil", lá no Expresso.
3 - Pequeno detalhe que toda a gente sabe: América vem de Americo Vespucci, que acabou por se revelar um traidor à gloriosa casa de Avis.

Francisco Castelo Branco disse...

Pois Jorge.
Mas parece que ninguem se lembra. Ou se quer lembrar.
É como a historia de Pacheco Pereira e Cabral

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