quarta-feira, 17 de março de 2010

2. Período Colonial: Eles acharam que era deles e, portanto, tomaram de conta

Mapa do território colonial brasileiro


Prezados leitores, no post passado terminamos a primeira etapa da História do Brasil, na qual relatamos os acontecimentos prévios à “descoberta” do Brasil por Pedro Álvares Cabral.

Vimos que antes da chegada dos portugueses, o território brasileiro era ocupado por indígenas, não tão avançados como os Maias, Aztecas e Incas que povoavam a América espanhola.

Enquanto isso na Europa, o próspero comércio de especiarias enfrentava dificuldades por conta do monopólio das cidades do mediterrâneo, o que encarecia muito o preço de tais produtos, e do fechamento da rota terrestre para o Oriente, pelos Otomanos ao conquistarem Constantinopla.

Os portugueses, seguindo o raciocínio do Infante D. Henrique que, em viagem ao norte da África, concluiu que, contornando o litoral da África, se poderia estabelecer nova rota ao Oriente, resolveram empreender expedições marítimas para chegar às Índias.

Em 1492, os espanhóis tentaram fazer o mesmo e descobriram a América, com base na teoria de Colombo, que dizia que a terra era redonda.

Isso causou um conflito entre espanhóis e portugueses pelas rotas marítimas, que o resolveram através do Tratado de Tordesilhas, no qual dividiram o mundo entre os dois: todos os territórios à direita do meridiano de Tordesilhas eram de Portugal e à sua esquerda era da Espanha.

Assim sendo, em 1500, depois de Vasco da Gama haver estabelecido a rota para o Oriente, o Rei de Portugal mandou nova expedição, teoricamente diplomática, para as Índias, chefiada por Pedro Álvares Cabral, que em 22 de abril de 1500, chegou ao litoral brasileiro.

A grande polêmica que envolve a “descoberta” do Brasil é, justamente, se a mesma se deu por acaso, como está relatado pela História oficial, pois estudos recentes revelam que os portugueses estiveram no Brasil em 1498, através de uma missão secreta liderada por Duarte Pacheco Pereira, que também estava na expedição de Cabral.

Cientes disto, hoje seguiremos nossa série, adentrando em uma nova etapa, que é o Período Colonial, também conhecido por Brasil Colônia.

Embora muitos digam que a colonização portuguesa no Brasil apenas começou em 1530, com a expedição de Martim Afonso, vamos considerar que o início deste período se deu 1500 com a chegada de Cabral e termina em 1822, com a proclamação da independência por D. Pedro I (D. Pedro IV em Portugal).

Vamos dividir este tópico em três subtópicos ao tomar em conta os três grandes períodos econômicos que aconteceram nesta fase da História do Brasil:

1. Período pré-povoamento ou fase do pau-brasil, que vai de 1500 a 1530;
2. Ciclo da cana-de-açúcar, que vai de 1530 a 1695;
3. Ciclo do ouro, que vai de 1695 a 1822.

E estes períodos econômicos serão estudados, tendo como subtópicos, os períodos políticos que os acompanharam:

1. Expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza em 1530;
2. Sistema de Capitanias Hereditárias em 1534;
3. Governos Gerais em 1549;
4. Dominação espanhola de 1580 a 1640;
5. Governo de D. João VI em 1808.

Portanto, no próximo post, vamos retomar nossa história a partir do momento em que Cabral foi embora do Brasil e contar tudo o que se passou neste período, no qual os portugueses, achando que isto era deles, tomaram de conta do Brasil, até o momento que D. Pedro I gritou “independência ou morte” (sabendo que não ia morrer, porque, afinal de contas, o rei de Portugal era pai dele né).

Larissa Bona

Próximo post em
31.03.2010: 2.1.1. Período pré-povoamento: eles preferiram o Sitar ao Cavaquinho

16 comentários:

Larissa Bona disse...

Francisco, respondendo seus questionamentos sobre os índios, feitos nos comentários do post passado, posso te dizer que não se sabe se os mesmos ocupavam todo o território do que hoje é o Brasil, até porque o genocídio promovido pelos portugueses fez com que muito dos dados e registros acerca dos habitantes do Brasil antes de Cabral fosse perdido.

Estima-se que, quando a frota de Cabral chegou, aqui viviam entre 2 a 8,5 milhões de índios. Havia mais de 300 nações indígenas, com diversos idiomas, de caráter seminômade e tribos pequenas, sendo que os maiores grupos étnicos eram os tupi-guarani, os macro-gê e aruaque.

Muito embora pertencessem a nações distintas, os índios brasileiros possuíam características comuns, principalmente, no que tange ao domínio da tecnologia suficiente para sobreviver em um ambiente tropical: domesticaram plantas e animais, sabiam técnicas medicinais utilizando ervas, preparavam e cultivavam a mandioca, dominavam a agricultura e sabiam trabalhar com pigmentos.

Organizavam-se pelo parentesco e possuíam rituais que eram passados de pais para filhos por meio de histórias contadas entre as gerações, uma vez que não dominavam a escrita. Toda tribo se reunia, em uma ocasião especial preparada justamente para isso, e os mais velhos contavam os rituais aos mais novos.

As tarefas nas tribos eram divididas pelo sexo. Os homens eram responsáveis pela construção de casas, armas, derrubadas de matas e a caça. As mulheres eram responsáveis pela agricultura.

Eles não conheciam a família e o casamento como estão instituídos hoje. Eles eram polígamos, mas tinham relações duradouras e não tinham proibição para o casamento, apenas de não se casarem dentro do próprio grupo familiar ampliado, pois as tribos eram como uma grande família e para eles o grande grupo era o mais importante que a família.

Doze disse...

não percebo porque tentam reescrever a Historia...

o Brasil não existia antes da chegada do Cabral (por acidente como vocês pensam...)
o territorio sim existia, mas era povoado por selvagens que não tinham qualquer identidade nacional

querer fazer passar a ideia que eram civilizados, que dominavam as tecnologias é um bocadinho forçado

passar a ideia de que os portugueses foram uns barbaros e sanguinarios é errada e injusta

Chineses e japoneses admitem sem problemas que foram influenciados pelos portugueses, que no encontro de culturas ensinaram e aprenderam com este povo aventureiro, mas pelo contrário e por este andar, os nossos "irmãos" brasileiros ainda vão escrever uma estória onde eles é que encontraram Portugal quando navegavam com as suas canoas pelo Atlantico...

Doze disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Castelo Branco disse...

Larissa

porque tantos titulos do tipo "infelizmente foram os portugueses que chegaram cá primeiro..."

Parece vingança pelo facto de um país maior ter sido colonizado por um pequeno....

Francisco Castelo Branco disse...

Que lingua falavam os nativos?

Anónimo disse...

Post de um antiporteguesismo primario de resto como o que campeia pelo brasil!
Comeca por falar em genocidio, passa pela destruicao da cultura, pelo meio vai uma de que nao dominavam a escrita....ao de leve . Mas, nem uma palavra do antropofogismo praticado da terrra do fogo ao Alasca.
Um pouco de seriedade nao ficaria mal nesta senhora ....ou conhecimento. Tambem da' a impressao que sofre do complexo de ter sido colononisada !
DCS

expressodalinha disse...

Comecei hoje, curiosamente, um séie denominada "Brasi - Formação". Não exactamente nesta lógica que expressamente aborda a história do Brasil. Lá poderão complementar alguns aspectos qye aqui, necessriamente, estão abreviados pela Larissa.
Nomeadamente, os aspectos relacionados com os índigenas e suas grandes famílias, bem como os aspectos rituais do canibalismo. Nada é como parece ser e não há uma História. Há interpretações da História.
Vai bem a Larissa quando diz que a Descoberta do Brasil foi feita em 1498 por Duarte Pereira. E foi mesmo Descoberta, como também tentarei explicar na minha série.
Quando ela refere a História Oficial, refere-se à do Brasil. Não há portuguesa.
Houve algum genocídio, digamos, absolutamente "normal" nestes casos. Muito dele praticado entre as próprias tribos e também por holandeses. Nada de sistemático, como nos USA. Temos até a defesa incondicional dos jesuítas que acabou por obrigar à importação de mão de obra escrava de Áfica para protecção dos ameríndios (que tb. se recusavam a trabalhar, diga-se de passagem).

Francisco Castelo Branco disse...

Mas eu não percebo o problema.
Alguem descobre um pedaço de terra.
Esse pedaço de terra nao é habitado.
Assim fica para nós.
Se os portugueses acharam que isto era deles, então porque razão a lingua ficou?

Quem iria ficar então a tomar conta deste enorme pedaço de terra?

expressodalinha disse...

OS ESPANHÓIS... OS HOLANDESES... OS FRANCESES... BEM TENTARAM!

Francisco Castelo Branco disse...

todos depois dos portugueses...

mas antes....

Quem estava lá...

Eram os Indios que iriam governar o BRASiuuu?

Larissa Bona disse...

Há alguns esclarecimentos a serem feitos, acredito eu.

1. Não tentamos reescrever a História, o que o Doze deve entender é que como Brasil e Portugal são dois países distintos, existem duas versões diferentes da História. Estou contando a versão ou interpretação brasileira para um público prioritariamente português, só isso.

2. Conforme eu disse no meu primeiro e neste post, os índios brasileiros nunca foram civilizados como os Aztecas, Maias e Incas, mas isso não quer dizer que estes “selvagens” não tinham o mínimo de cultura. Eles não eram macacos subidos em galhos, pois tinham organização, dominavam a agricultura, tinham conhecimentos medicinais. Anônimo DCS, a primeira coisa que você deve entender é que cultura não é só escrever, pintar e cantar. Domínio de técnicas de agricultura, técnicas de caça, técnicas medicinais com ervas (até que hoje estão a ser roubadas por grandes laboratórios, sendo o estudo destes roubos a nova tendência do direito da propriedade intelectual) também são cultura. O problema é que se sabe muito pouco desta cultura dos habitantes do pré-descobrimento, pois não tivemos a oportunidade de conhecer as centenas de nações indígenas que existiam, pois muitas chegaram a ser dizimadas antes de serem documentadas. E a presença do ser humano no território brasileiro é extremamente antiga, uma vez que estudos já encontraram sinais humanos que datam mais de 10 mil anos A.C. Aconselho vocês a olharem o Museu do Homem Americano no Google.

3. Eu nunca disse que os portugueses se comportaram como bárbaros sanguinários. Aliás, se vocês lerem o meu primeiro post, explico isso em letras garrafais. Mas não podemos negar que os portugueses exterminaram os índios. Ainda acrescento que a forma de colonização portuguesa foi a mais inteligente de todas, pois cientes de ser um país pequeno, com uma população pequena, não guerreavam, mas sim se misturavam aos povos locais. Eles até que tentaram fazer isso com os índios, mas não funcionou e, como não iam perder tempo em algo que não valia a pena, pois jamais os conseguiram dominar da mesma maneira que dominaram os negros, viram que exterminá-los era a solução mais prática. É triste, mas diante dos padrões da época, foi legitimo.

4. Algumas tribos indígenas brasileiras praticavam o antropofagismo, como acredito que algumas das poucas que restaram ainda o praticam. E afirmo que esta prática não era utilizada com a finalidade de alimentação e selvageria, mas sim um ritual religioso e de homenagem à coragem dos adversários que eram capturados ao fim de uma guerra. Alguém aqui já ouviu falar de algum relato no qual índios caçaram portugueses para servir de jantar? Se ouviram, por favor, me conte, porque vai ser novidade para mim.

5. Não falto com seriedade e nem acredito que careço de conhecimento. Acredito que o senhor Anônimo DCS pode até não concordar com o que escrevo, que é direito seu, mas faltar-me com respeito, sem sequer me conhecer, são outros quinhentos . Durmo e acordo pensando em Portugal, justamente, porque trabalho em um escritório de advocacia português e tenho muito carinho e respeito por Portugal e seu povo, e não porque um dia fomos colônia de Portugal. Aliás, isso nunca passou por minha cabeça, pois este assunto já está superado há muito por todo povo brasileiro, muito embora haja ainda algumas pessoas em Portugal que acreditam que seguimos colônia e que no Brasil tudo pode (casos de clientes meus, mas não vou comentar porque não seria ético de minha parte). Mas diferentemente de mim, a maioria do povo brasileiro nem se lembra que Portugal existe e não nutre seja amor, seja rancor, pelos portugueses. Acredito que o amor e rancor brasileiro, se é que existe, estão voltados para um país vizinho ao sul e para o todo poderoso Estados Unidos no norte.

Acredito que todo esse mal-estar foi causado pela palavra “genocídio” que empreguei em comentário. Entretanto, infelizmente, tive de usá-la porque os índios eram pessoas, grupos étnicos, e não plantas, porque se fossem plantas, tinha escrito “desmatamento”.

Larissa Bona disse...

Francisco, nós brasileiro superamos há muito o fato da colonização portuguesa, pois foi algo que acabou há muitos séculos. Não existe nenhum tipo de animosidade contra os portugueses pelo fato de nos haverem colonizado, como há na ex-América espanhola contra os espanhóis.

Mas tampouco estamos agradecidos pelo favor, porque benefícios a parte, houve muito sangue derramado e muita exploração de recursos naturais (eu acredito que sou uma minoria, mas entendo que a exploração dos recursos naturais foi legitima, pois em tese, o Brasil era território português).

Contudo entendemos perfeitamente que era a maneira como as coisas eram feitas na época, era a mentalidade. Tanto que hoje os países possuem uma relação muito intima no sentido econômico e cultural, só o acordo ortográfico que não está bem, pois aqui já não falamos português, mas sim brasileiro.

Estes que escrevem infelizmente os portugueses nos colonizaram são uns recalcados e acredito que, para eles, não importaria quem tivesse colonizado o Brasil, sempre escreveriam infelizmente na frente.

Quanto ao idioma dos índios, cada tribo possuía o seu.

Anónimo disse...

Cara Larissa Bona não foi nem jamais será minha intenção ofendê-la. Mas convenha que o seu artigo pode levar a interpretações de que agora se defende.
No entanto eu deito mais uma acha para a fogueira, não percebo quando diz que no Brasil se fala brasileiro!....se me disser que o português do Brasil é uma forma deformada ( um pouco) do português europeu eu concordo. Tal como o é o inglês de todas as excolónias inglesas ou francesas!Mas a lingua é a mesma. E olhe que não vou ao ponto de dizer que falam um português arcaico como muitos linguistas defendem...e daria muitos exemplos de muitos termos nossos do século desassete utilizados hoje no brasil...mas,defendo a tese que uma lingua é matéria viva e em constante evolução. Não me vou alongar mas deixo aqui um resquício que tenho,um vicio de recomendar livros...quando noto que são sérios sobre o tema defendido. Neste caso vêem a calhar e são eles:" O coraçao do Rei" da brasileira Isa Salles e o "Ultimo bandeirante" do português
Pedro Pinto.
DCS

Francisco Castelo Branco disse...

NOTA

PEDIA À BRUNA para publicar outra vez o comentario que fez.

Visto que aqui nao aparece mas eu recebi uma notificação do mesmo.

expressodalinha disse...

DSC: Por acaso acho "O Coração do Rei" um livro muito parcial, relativamente piegas e romântico. Há que dizer frontalmente que o himem era idiota, super influenciável e só pensava em mulheres. Declarou a independência por mera bravata. Já Pedro II é bem diferente para melhor.

Anónimo disse...

Expressodalinha
Impossível não concordar consigo no que concerne Pedro quarto....Mas sabe, todos nós temos na vida como Camões uma Violante de Andrade...para Pedro foi a Marquesa de Santos !...o que ele não fez por ela?...desde despedir ministros a, sei lá que mais ?!
O poder também o fez “dançar” na corda bamba, tanto lá como cá.
Quem ler o livro ,embora sendo romântico e romanceado fica com uma ideia se não sólida pelo menos superficial do que era o Brasil daquele tempo.
DCS

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