terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sinal dos Tempos: Vamos Importar Etanol dos EUA

Ontem à noite, ao dar minha última surfada pela internet antes de dormir, me deparei com a seguinte notícia: “Lobão admite: Brasil pode importar etanol dos EUA”. Mas o que é etanol e o que isso significa para o Brasil?

O etanol é nada mais nada menos que álcool. Sim, aquele álcool contido na sua cervejinha, na sua vodka, na sua cachaça, no seu vinho, ou seja, pura e simplesmente álcool etílico.

Ocorre que, no Brasil, esta substância é utilizada não só na caipirinha, mas também como combustível para motores de explosão, feito a partir da cana-de-açúcar, portanto, considerado energia renovável.

As primeiras experiências com o etanol no país ocorreram na década de 20, mas o uso maciço deste combustível apenas se deu na década de 70, uma vez que o Governo brasileiro (uma ditadura, diga-se de passagem), para enfrentar a crise do petróleo, numa iniciativa isolada no plano internacional, criou o Pró-Álcool (Programa Nacional do Álcool).

Este programa financiou a substituição, em larga escala, dos veículos movidos a derivados de petróleo, por movidos a álcool. Além disso, o Governo investiu em estudos econômicos para produção em larga escala do mesmo e forneceu subsídios para as usinas de álcool e açúcar.

Por outro lado, indústrias de automóvel, começaram a adaptar os motores de seus carros para receber o álcool combustível, de modo que no mercado brasileiro havia disponibilidade de carros com motor a álcool e à gasolina,

Assim sendo, a produção de etanol combustível saltou de 600 milhões de litros anuais (anos 1975-76) para 12,3 bilhões anuais (anos 1986-87), pois o álcool caiu no gosto da população. Aliás, deve-se ressaltar que, exatamente no ano de 1986, quase todos os carros, que foram produzidos, tinham motor a álcool.

O problema é que depois o preço do petróleo baixou e o preço do açúcar subiu no mercado internacional, o que fez o programa desmoronar, pois houve o desabastecimento do mercado, de vez que era mais vantajoso para os usineiros produzirem açúcar do que álcool. Sem falar que os primeiros motores movidos a álcool não tinham um bom desempenho nas épocas frias.

Desta forma, a popularidade do álcool caiu e a gasolina voltou a ter a preferência do consumidor brasileiro.

Já na no início do século 21, o álcool retomou sua popularidade, devido aos altos preços dos combustíveis fósseis, o aumento da consciência ecológica da população e, principalmente, por conta da criação da tecnologia dos veículos bicombustíveis, também conhecidos, como carros flex. Estes podem ser abastecidos tanto com álcool, como com gasolina.

Existem alguns mitos acerca do bicombustível brasileiro. Alguns desinformados criticam o Brasil porque dizem que desmatamos a Amazônia para produzir álcool e que deixamos de produzir alimento para produzir combustível.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que o solo da Amazônia NÃO é propício para o cultivo da cana-de-açúcar, matéria prima do etanol, portanto não há como desmatá-la para estes fins.

Segundo, a cana-de-açúcar não possui outra finalidade que não seja a produção de açúcar e álcool. Comer cana, muito embora seja muito saboroso, não agrega nada ao nosso organismo, não alimenta. Neste caso não estamos deixando de produzir comida. Aliás, somos um dos maiores mundial de comida.

Quem deixa de produzir comida para produzir combustíveis são os Estados Unidos, pois eles fabricam o etanol a partir do milho, que é de fato um alimento.

O certo é que Brasil sempre foi pioneiro nesta tecnologia e que o etanol brasileiro é muito mais eficiente, em termos ecológicos e econômicos que o americano. Clique aqui para ver o quadro comparativo destes combustíveis.

Confesso que fiquei bastante surpresa com a notícia, pois o Brasil é o maior exportador de etanol do mundo, além de ser a primeira economia que atingiu o uso sustentável dos bicombustíveis, ter de apelar aos Estados Unidos, o grande poluidor do mundo.

O problema é que as chuvas que atingiram o as regiões produtoras neste começo de ano, prejudicaram bastante a produção de cana de açúcar. Será isso o sinal dos tempos?

Larissa Bona

3 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Sim falar de cana-do-açucar é falar do brasil

mas os brasileiros preferem o apanhar grandes bebedeiras ou ter combustivel para o carro?

Se fosse em Portugal a 1ªopçao era sem duvida a mais votada

Larissa Bona disse...

hAHAHAHAHAHAHAH!!! Aqui a coisa está empatada! Depende da época do ano! Se for no Carnaval, bebedeira ganha e todo mundo fica a pé.

Francisco Castelo Branco disse...

Tenho a ideia de que os brasileiros nao sao muito apegados ao alcool, mas pelos vistos estou enganado

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