quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Globalização: A diversidade ameaçada - Um Governo, uma forma de pensamento (parte II)

Leia a parte I AQUI

É proibida qualquer cópia parcial ou total sem o prévio conhecimento e autorização da autora. Artigo redigido por Marta Sousa.

[...] O fenómeno do mundo global atravessa toda a sociedade contemporânea em quase todos os seus parâmetros sendo assim difícil definir num conjunto sucinto de palavras o que se entende por globalização. A comunidade académica enfrenta inclusive um debate acerca da terminologia que deve ser usada para classificar o fenómeno. Muitos consideram o termo "globalism" especialmente nas universidades americanas, no entanto na cultura europeia e anglo-saxónica o termo "globalization" é o mais usado desde o desmoronamento do bloco comunista. A melhor definição de globalização que consigo conceber é não mais que uma evolução naquilo a que chamamos de Capitalismo Industrial. Quando falamos de globalização este termo está indissociavelmente ligado ao sistema económico capitalista, concebemos assim a emergência de um novo sistema mundial.

Um olhar pela Globalização Económica...

A globalização aparece sempre indissociavelmente ligada a questões de foro económico. Não é surpresa para nignuém (e é algo que aliás está provado) que assistimos a uma supremacia do poder económico sobre o poder político. A internacionalização dos produtos e bens assim como a desregulamentação do mercado desencadeado pelos EUA e pela Inglaterra assim como a multiplicação das multinacionais criaram aquilo a que hoje chamamos de liberalismo económico.

Muitos investigadores apontam para o início do sistema económico capitalista na sua plenitude logo no século XIX, no entanto essa visão pode ser deveras questionada. Na minha óptica o capitalismo na sua versão neoliberal surgiu apenas na década de 80 do século XX com Ronald Reagen com programas destinados a retirar o Estado da economia e a permitir que o mercado se auto-regulasse. O momento alto destas teorias Keynesianas dá-se com o colapso do Império Soviético em 1989. O objectivo da administração Reagen era retirar na totalidade a intervenção do Estado na economia, como é natural o mundo todo veio "arrasto" destas medidas dado que o principal centro financeiro mundial era Nova Iorque.

Wolton refere que a globalização assenta em 3 pilares básicos: Política, economia e cultura. Na economia este processo que se deu após a II Guerra Mundial tem-se caracterizado por uma forte expansão do capital estrangeiro devido essencialmente ao crescimento do progresso teconlógico, das diminuações aduaneiras e, claro está, da crescente liberalização dos movimentos de capitais.

O aumento de exportações para países como China, está relacionada com a crescente integração na economia mundial de uma abertura nunca antes vista, à qual nem os velhos e conservadores comunismos resistem (exceptuando Cuba e Coreia do Norte as únicas Repúblicas a que podemos chamar 100% comunistas).

Portugal é um dos países que sofrem directamente com o fenómeno da globalização dado que muitas das multinacionais que produziam no país iniciaram (devido ao desregulamento do mercado) um caminho para países nos quais os salários são mais baixos e os direitos humanos e laborais questionáveis. Falamos de: China, Vietname, Laos, etc. Em toda a UE o nosso país é o terceiro mais afectado com este tipo de medidas sendo apenas ultrapassado pela Finlândia e Eslováquia.

Encontramos o sector automóvel como um dos mais afectados tendo 2/3 de novos desempregados. Empresas como a Autoeuropa têm vindo progressivamente a diminuir a sua produção em Portugal sendo certo que mais tarde ou mais cedo fecharão as portas. A juntar ao sector automóvel os têxteis e o calçado representam cerca de 45% dos novos desempregados nacionais pior que tudo isto é o facto deste fenómeno se ter vindo a agravar nos últimos anos.

São dados que não podemos ignorar. São situações que nos deixam a pensar. Será o liberalismo selvagem caminho?

  • SANTOS, Boaventura Sousa, Globalização: Fatalidade ou Utopia?, Edições Afrontamento, 2001
  • GEENWALD, Bruce, The Irrational Fear That Someone in China Will Take Your Job, Wilwy Edition, 2008
  • FOURNIER, Anne, Sectes, Démocratie et mondialisation, Presses Universitaries de France, 2002
  • HUNTINGTON, Samuel, The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, Simon & Schuster, 1998

9 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

O termo globalização pode ser usado para vários fins. Nao necessariamente para termos economicos.

A verdade é que o capitalismo cria emprego. Emprego esse que depois resulta num crescimento economico. Para todos.
Podendo todos viverem com condiçoes dignas.

Nao estou a ver o comunismo e principalmente o socialismo a criarem emprego nem darem oportunidades ás pessoas.
A verdade e que pode o socialismo criar igualdades mas depois se não há ninguém que invista e chegue com o capital, tanto as reformas, pensoes e subsidios não chegam.
Até porque o Estado só por si nao consegue gerar riqueza.
Essencial para que se viva....

O termo globalizaçao e podiamos começar por aí, está ligado ao facto de hoje estarmos conectados. Nao apenas economicos, mas também socialmente. O que é muito importante.
Como também vivemos na sociedade da informação é mais facil interargimos uns com os outros.

Se o mercado não se auto-regular, quem o vai fazer?
O Estado não tem capacidade para isso. Nem sequer tem olho nem tempo suficiente para tal.

O liberalismo sim é o caminho.
Em toda a Europa e no Mundo esse tem sido o caminho. E tem dado resultados.
Porque hoje em dia se nao existisse esse fenómeno nao estariamos a trocar opiniões num blogue.
E isto é mais um fenómeno da famosa globalização

Marta Sousa disse...

Nunca disse que a globalização era só económica, aliás no meu texto foco exactamente isso quando refiro que "a globalização assenta em 3 pilares básicos: Política, economia e cultura."

Este sistema económico cria emprego??? Certamente não tens visto a taxa crescente de desemprego em toda a Europa! A taxa de desemprego na China é de 4%, em Cuba de 4,1% na Noruega (um país com uma economia socialista) a taxa de desemprego é de 3,9.

Na Alemanha 9,8%, em Espanha 16,1%, em França de 9,7%! Tudo países com economia neoliberal. É necessário dizer mais alguma coisa???
Isto é que é criar emprego???

Francisco Castelo Branco disse...

Nao é por uma crise que se vai por em causa todo o sistema

Marta Sousa disse...

Curioso que não debates os factos nem apresentas motivos para que a taxa de desemprego seja maior nos países neoliberais.

Francisco Castelo Branco disse...

Havendo mais liberdade é natural que as taxas de desemprego sejam maiores.
Mas nao haja duvida que é o capital o grande dinamizador da economia.
Nao podemos olhar so para o desemprego.
Temos que ver a evolução das sociedades.
E globalização é as empresas poderem actuar em qualquer país sem quaisquer restrições.

Com este capitalismo chegamos à liberdade. Politica, economica, social.

E isso é um factor globalizante.

Sem isso não teriamos hoje uma sociedade evoluída.
Porque o Estado aperta sempre e quer controlar tudo.
O exemplo portugues é bem patente

Marta Sousa disse...

O quê que o Estado português controla?

Achas que a Noruega é um país sem liberdade?

As privatizações feitas nos últimos anos em Portugal adiantaram para quê?

Francisco Castelo Branco disse...

Adiantaram para poderes teres concorrência.
Para poderes optar.

Eu nao sei que rede movel utilizas quando utilizas net aí em Paris, mas de certo que optaste pela mais barata, ou nao?

Francisco Castelo Branco disse...

Aí está uma medida surgida como consequencia do capitalismo....

Se estivessemos no Socialismo tinha de obrigatoriamente que utilizar apenas uma

expressodalinha disse...

Pra nãoficar só um diálogo... Pessoalmente defendo um modelo politicamente global (um único governo mundial); economicamente liberal (a iniciativa privada como modelo); culturalmente solidário (assistencialista qb). Quem tiver esta receita, tem o meu voto e também de toda a "utopia".
ET: a Marta tem blogue?

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