Desvarios
O mundo gira.
O quarto gira.
Tudo gira á minha volta.
Borboletas de mil cores rodopiam ao meu redor deixando atrás de si rastos de luz cintilante
Sento-me na cama, ela baloiça, canoa nos braços das ondas de tempestade.
Tudo é neblina de um cinzento espesso. Ouço gritos de gaivotas e vozes de comando.
Uma luz rompe o nevoeiro, aproximando-se numa estranha dança. Baloiçando de cima para baixo e de baixo para cima.
Aproxima-se cada vez mais e a canoa volta-se.
Mergulho no mar gelado mas afogo-me num mar de lençóis de cetim.
Estou salvo!
Deitado em cima da cama mantenho ainda nos lábios o sabor do mar salgado.
Sou invadido por uma estranha tranquilidade que se transforma em leveza.
A minha cabeça, os meus braços, o meu tronco, as minhas pernas, flutuam no ar.
Num passe de magia atravesso paredes e alcanço a liberdade dos céus
Abro os braços e deixo-me levar, folha ao vento.
Voo lentamente por cima de casas, de árvores, acima das nuvens em direcção á lua que me revela timidamente a sua face.
Estendo a mão para tocar-lhe e ai caio, vertiginosamenteeeeeeeeeeeeeeeeeeee.
Caio, até que subitamente aterro em mim, deitado em cima da cama.
poema de Carlos Reis

6 comentários:
Gostei muito dessa frase:
Abro os braços e deixo-me levar, folha ao vento.
Como é bom sentir o vento em nosso rosto. sentir-se flutuar, na mais pura magia do vento.
Parabéns.
Sandra
Tou a gostar deste concurso...
Bonito poema...muito bom!
Bjinho
Francisco, estes poemas são do concurso? se assim forem, deviam estar identicados no titulo do post... tipo,
Concurso - 1º Poema: "NOME do TITULO"
esta é apenas a minha sugestão, porque ao longo dos post's e tempo, perdemo-nos!
Beijinho
mas tá lá em baixo na etiqueta.
Para ja opto por ficar assim.
Ficam todos iguais
Na 2 fase ja vai ser diferente.
Estamos a aprender..
Antes de mais desculpem pela demora na atribuição da classificação mas foi-me de todo impossível efectuar antes a mesma.
Pois bem...
Estrutura Interna - 3
Estrutura Externa - 2
Musicalidade - 2
Simbologia - 1
Recursos Estilísticos - 3
Comentário:
No geral um bom poema. Digamos que peca um pouco na falta de simbologia explícita e implícita. Tenho que ressalvar que existe uma expressão que não gostei de todo e que quebrou toda a musicalidade do poema: "Baloiçando de cima para baixo e de baixo para cima."
Expressões como "mar salgado" roçam o pessoano, algo que tira algum brilho ao poema.
Registo estes versos como os meus favoritos:
"Voo lentamente por cima de casas, de árvores, acima das nuvens em direcção á lua que me revela timidamente a sua face."
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