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terça-feira, 29 de setembro de 2009

POST-ELEIÇÕES(2) - PARA ONDE VAMOS?

1 – No rescaldo das eleições de Domingo, podemos tirar as seguintes conclusões, no plano estritamente político:
- O PS perdeu 500 mil votos. Perdeu a maioria absoluta. Ganhou a minoria absoluta. Conseguiu controlar os danos, embora desgastado por quatro anos de governação difícil e nem sempre adequada. A partir de agora vão haver acordos pontuais, privilegiando o CDS (por uma questão numérica) e atirando o ónus da não aprovação para cima desses partidos. Não são de afastar eleições antecipadas, se não houver bom senso;
- O PSD perdeu em toda a linha. Uma campanha infeliz e triste. Uma liderança contra vontade. Uma estratégia desastrosa. Arrisca-se a ficar um partido residual, até porque não tem razão política de existir neste momento;
- O “centrão” do PS e PSD foi globalmente penalizado. A transferência natural de votos para o PSD não se deu e a votação acabou por beneficiar os partidos mais à esquerda e mais à direita;
- O CDS (um partido de direita civilizada) canalizou os votos que deveriam ter ido para o PSD, ajudados por uma boa campanha do partido e, principalmente, do seu líder. Paulo Portas é um sobrevivente, um “camaleão” político;
- O CDS é, agora, essencial para garantir maiorias parlamentares ao PS. Só a soma dos dois partidos permite ultrapassar os mágicos 115 deputados que garantem a passagem das leis e, desde logo, do Orçamento de Estado;
- Não é de excluir (mesmo nada) uma mudança a curto prazo na liderança do PSD. Tal permitirá que os acordos parlamentares possam ser negociados com estes dois partidos;
- O BE duplicou o número de deputados. Só não tem a vitória do dia porque não ficou como terceira força mais votada.
- O BE vai continuar a crescer, não só porque a necessidade de acordos parlamentares vai puxar o PS para a direita, continuando a canalizar os votos de protesto no BE que se mantém sem responsabilidades governativas, como porque muito do eleitorado jovem acha pura e simplesmente “velhos” todos os outros partidos e não se revê minimamente neles;
- O PR vai ter uma intervenção acrescida na gestão de conflitos institucionais, coisa em que ele não é muito bom. Julgo que se sentiria melhor com a maioria absoluta do PS.
2- Dito isto, para os portugueses que há de novo? Para onde vamos? Para além da Justiça, da Saúde e da Educação que precisam urgentemente de ser governados, temos o problema do desemprego. Mas a montante de tudo isto, temos a necessidade de ter opções estratégicas. Aquelas que nos digam de uma vez por todas quais os sectores em que investir a prazo. Tem de haver, sem receios, quatro ou cinco sectores em que apostar forte. Não podemos ir a todas. Somos um país pequeno. Temos de nos especializar. Isto implica coragem e muita determinação. Enfrentar os lobbies. Saber dizer não. Reformular o aparelho de Estado em conformidade, orientar os empresários e dar formação adequada à população jovem. Parece fácil? Não é. Por isso ninguém o faz. É preciso um pacto nacional. Será agora? Ou vamos continuar tacticismo, agora para ganhar as autárquicas, depois mudar o Presidente, a seguir conseguir legislativas antecipadas? Temo que seja este segundo cenário.
Jorge Pinheiro

5 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

concordo com alguns pontos.

discordo deste........
O BE vai continuar a crescer, não só porque a necessidade de acordos parlamentares vai puxar o PS para a direita, continuando a canalizar os votos de protesto no BE que se mantém sem responsabilidades governativas, como porque muito do eleitorado jovem acha pura e simplesmente “velhos” todos os outros partidos e não se revê minimamente neles;
estes


Acho que o BE vai estagnar. Até porque desta vez até foi ultrapassado pelo CDS.
E 20% do eleitorado jovem foi do CDS.
Espero que continue essa progressao





"- O CDS (um partido de direita civilizada) canalizou os votos que deveriam ter ido para o PSD, ajudados por uma boa campanha do partido e, principalmente, do seu líder. Paulo Portas é um sobrevivente, um “camaleão” político;"

Mais do que um partido de direita civilizado é de Direita Moderna.
O que o BE já nao é um partido de Esquerda Moderna, dai que tenha sido ultrapassado.
Paulo Portas aprendeu com a derrota de 2005 e transformou o partido.

Tb canalizou o eleitorado PSD para o seu lado. É esse o seu grande mérito!!!


Quanto ao PSD, ou arranja um bom lider agora que fique quatro anos ou então vai ser dificil.
Mas com Pacheco Pereira e outros ferreiristas no Parlamento vai ser complicado alguém sobreviver.
Vamos ver. Tem que ser uma figura que volte a juntar o partido.
MFL conseguiu ter toda a gente do seu lado, mas acho que faltou-lhe alegria e o seu discurso foi muito pessimista...

Francisco Castelo Branco disse...

O CDS vai ser essencial para nao deixar o PS andar sozinho.

Em muitas politicas os Socialistas vao ter que ceder, nomeadamente na politica fiscal.

É quase certo que os impostos vao baixar.

expressodalinha disse...

Ainda a procissaõ vai no adro. O ponto 2 é que é importante. O post de cima tira um pouco leitura deste...

Francisco Castelo Branco disse...

Para onde vamos?

Espero que desta vez possamos ir no caminho correcto, tendo que existir acordo, tem que haver cedências de ambos os lados..

Isso só poderá resultar num bom caminho! Espero eu...

pois Jorge, mas são as diferenças horárias...

Francisco Castelo Branco disse...

Quanto a liderança do PSD, como bom partido e experiente em eleições não deixará de haver acto eleitoral interno...

Pode é MFL vencer outra vez..

mas é melhor ser agora do que obrigatoriamente em Junho...

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