domingo, 20 de setembro de 2009

OLHAR A SEMANA - PAÍS DE FUNCIONÁRIOS

1 - Na pré-campanha tivemos este ano o privilégio de assistir a debates políticos na televisão entre todos os grandes partidos e ainda uma sessão com os chamados partidos “extra-parlamentares”. E, no entanto, não se disse nada. Basta ver que não se falou de desemprego, da crise na justiça, das políticas de segurança social, de política externa, do papel das forças armadas, das estratégias de desenvolvimento…
Esta semana começou a campanha propriamente dita. Uma campanha comissieira, feita de bandeiras, arruadas e jantaradas de febras com batatas fritas e pudins “flan”. Os jornalistas correm, nervosos, atrás dos líderes que percorrem quilómetros dando beijinhos e apertos de mão a toda a gente, gritando aqui e ali algumas palavras de ordem, no meio de mercados de peixe ou coretos de jardim. Os cartazes de rua sucedem-se sem qualquer clarificação política, devastando a paisagem que os partidos deviam preservar. Não vai haver mais qualquer ideia política. Apenas vamos ouvir falar de sondagens e “fait divers” próprios “pour épater le bourgeois” (as escutas inventadas pelo PR e o inevitável TGV, etc, etc).
2 – De facto é difícil fazer campanha em Portugal. Difícil falar a tal “verdade”. Portugal não é a Alemanha ou a França. Tem as suas especificidades. É um país “sui generis”. Não sendo comunista, é “estatista”. Tudo e todos estão encostados ao Estado. É assim desde D. João II e teve o seu expoente máximo com o Marquês de Pombal. A necessidade inicial de combater o feudalismo transformou a centralização monárquica em monopólio de Estado. Em Portugal nunca houve iniciativa individual, digna de registo, como padrão sócio-económico. Nunca, nem no tempo dos Descobrimentos! Este é o nosso modelo. Um modelo que não deixa de ter as suas virtualidades. É mais solidário, menos competitivo, logo mais “brandos costumes”. Portugal é um país de funcionários. Lutar contra isto é inútil e estéril. Não dá para aplicar aqui o modelo holandês ou inglês. Estamos a perder tempo, a gastar energias e a criar ilusões. Bom governo será aquele que se aproveite desta tendência “funcionalizante” e a transforme num motor político de desenvolvimento. Como? É sobre isso que eu queria que aparecessem ideias…
Jorge Pinheiro

5 comentários:

Eduardo P.L disse...

Grandes dilemas! Perguntas até aqui sem resposta!
A campanha aqui no Brasil começou muito antes de um ano antes das eleições! Já pensou o que não será quando chegar a hora?
E os dilemas e questões continuarão, com certeza! Aí, e aqui!

Francisco Castelo Branco disse...

Expressodalinha

Mais do que um país de funcionários somos um país de comodistas e tachistas!!!!!

é esse o nosso problema....

mas nao acreditas na campanha da verdade do PSD?

expressodalinha disse...

O que á a Verdade? Leste o meu último texto sobre Nenhures? Falo disso.

expressodalinha disse...

...é o post de 14. A questão que eu coloco é que não acho que isso seja qq problema. O problema são os políticos que não aproveitam essa tendência para nos posicionar estrategicamente.

Francisco Castelo Branco disse...

Continuo a achar que existe um pessimismo sem razão.

Acho que basta olhar para Portugal ha dez anos e ver o que somos hoje.

Em relação á verdade acho que temos de acreditar em alguém . Senao vai ser dificil ir a algum lado

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