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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Estado da Democracia Nacional

A democracia é aquele regime que idealmente teria nascido na cultura da pólis grega. Democracia essa bem diferente naquela em que vivemos actualmente, pois tal como Platão dissera a filosofia e a política são commodities caras; e como commodities caras que vivem de tempo e reflexão, é preciso que poucos sejam sustentados por uma orde de (muitos) escravos. Muito mudou depois dessa configuração: os escravos acabaram para que a economia tentasse servir todos e deles se servir, massificou-se a representação através de um sistema que não dispensou as elites mas contemplou as massas, surgiram os partidos como peças centrais, não só dessa mesma representação como do processo democratizante; apenas uma coisa se manteve intacta: o preço da democracia. O preço é aquela peça incalculável que define o quanto a democracia é importante para que todos possam participar; para que as instituições funcionem, para que os partidos possam continuar envolvidos, para que a sociedade civil tenha a sua liberdade, para que cada indivíduo possa sonhar com a comunidade de afecto sem um pai tirano. Na nossa democracia tudo isso acontece, com os timings e a natureza própria da nossa cultura. Por essa razão que todas as democracias são quimeras: criaturas que se tentam aproximar do ideário do passado, talvez real, talvez inventado. Por isso é que os partidos nascidos entre nós durante a Monarquia Constitucional, não são mais do que espelhos das relações sociais, da cultura, do sistema de valores e dos micro-sistemas que se repetem, para o bem e para o mal da democracia; sistemas que não desaparecem com os esquemas das engenharias sociais e que permanecem no tempo (porque o tempo não é sinónimo de Homem), passam de regime para regime, de sistema para sistema. Depois a nossa democracia também debate-se com outro porblema estrutural: o facto de se confundir a economia do Estado com a economia do privado, gerada aqui ou lá fora, com repercurssões quer nacionais quer internacionais. Primeiro devia-se entender a economia do Estado, não como uma economia paralela de favores onde para além do conjunto dos ordenados da administração burocrática (que ocupa mais de 50% das despesas), existe um punhado de interesses dormentes e de pessoas que se servem desse bolo, deveria ser uma economia autónoma do privado, para que este funcione livre, sem mais Marquês de Pombal. O privado, que em Portugal definha a olhos vistos (principalmente aquele tecido industrial que vem já da década de 1960), não poderá continuar a sustentar o sistema actual; as inicitivas governamentais continuam a ser um escape do espetáculo televisivo e escondem realidades que não são enfrentadas como a dívida externa, ou ainda a mentalidade de que o desemprego combate-se com iniciativas estaduais. Parece que nunca nos preocupámos em entender que o Estado não pode ser o sustentáculo de toda uma sociedade, pois talvez falte apelarmos à comunidade.

1 comentário:

Francisco Castelo Branco disse...

Queres tu acabar com a economia de mercado?

então se for assim a economia deixa de estar livre, se estiver na mão do estado....

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