sexta-feira, 11 de setembro de 2009

ESPECIAL LEGISLATIVAS : A qualidade de democracia

Coube-me a mim fazer a análise da qualidade da nossa democracia. Ou a falta dela.

A pergunta que coloco sem reservas é : Que democracia temos nós?

O sistema eleitoral, os nossos representantes, a forma como votamos tudo isso é importante. Faz parte da qualidade da democracia. E não adianta culpar os politicos, os deputados na Assembleia da Republica, ou o governo X ou Y. Porque "nós" cidadão comum somos os principais culpados. E vou explicar porquê. É o nosso mau estar e desconfiança com que olhamos para aqueles que têm o poder de decidir que nos faz: Em primeiro lugar, votar sem sentido, nem com confiança e muitas vezes sem sabermos o que nos propõem e em segundo lugar, não votar. Esta ultima hipotese é darmos razão a quem lá está. Porque cada um diferente e sempre melhor ou pior. Não podem ser todos maus. Essa atitude de que "está tudo mal" é que estraga a democracia e a sua qualidade. Esta por sua vez, tem que ser construída e garantida por todos nós. Sem qualquer reservas.

Também é verdade que os nossos politicos não são dos melhores. Que o sistema eleitoral deveria contemplar uma maior aproximação entre eleitores e eleitos, que deveria ser permitido a possibilidade de pessoas independentes se candidatarem à Assembleia da Republica. Mas depois logo viriam os velhos do Restelo dizer que isso iria criar ainda mais "tachos". O problema da qualidade da nossa democracia é que nunca estamos satisfeitos com o que temos. Se tinhamos a Ditadura e queríamso a democracia, hoje temos a democracia mas afinal deveriamos voltar ao tempo de Salazar. Melhor, nunca como agora se falou tanto em Monarquia. A poucos dias de entramos no centenário da Republica, só ouvimos falar de monarquia e de bandeiras monárquicas espalhadas por todo o país.

A verdade é que nunca estamos bem com o que temos.Queremos sempre mudar. E isso é muito português. E a qualidade da democracia deteriora-se com isso. Fica mais descoberta, as pessoas mais descrentes e as instituições vulneráveis e sujeitas a desconfianças por parte da população. São os tribunais, o governo, as câmaras municipais..... Tudo isto é olhado com o "desconfiómetro" bem ligado. E assim é dificil que as pessoas ao menos fossem votar, porque o interesse esse, é muito pouco.

Como conciliar o voto com o interesse?

E o que fazer para melhorar a qualidade da democracia?

8 comentários:

António Rosa disse...

Excelente reflexão.

Francisco Castelo Branco disse...

Mas concorda?

A falta de qualidade da democracia deve-se a nós....?
Somos nós que "fazemos2 a democracia...

Clara Belo disse...

A falta de qualidade da democracia deve-se aos políticos e em último caso a nós que votamos neles. Era importante que movimentos de cidadãos pudessem concorrer às eleições, com causas específicas.
Não acho no entanto que devíamos voltar à ditadura, nem que se fale demasiado de monarquia. Há sim uma grande descrença dos cidadãos em relação à política e aos políticos e aí a responsabilidade é de todos nós.

Francisco Castelo Branco disse...

Clara

mesmo esses movimentos de cidadãos acabam-se por tornar politicos.

Pessoas independentes, seja advogado, escritor, médico, que pense pela própria cabeça e faça o seu estudo!!!
Era a solução.

Mas a culpa tb é nossa. Pessoas que estamos sempre a deitar abaixo o que nacional, o que é feito por nós.
Infelizmente não valorizamos o que é nosso. Mas apenas o que é dos outros.
E como desculpa, acabamos por não votar, o que constitui um erro muito grande

Daniel Silva (Lobinho) disse...

O Homem é por natureza insatisfeito. Em tudo. Eu penso que o problema que colocas talvez seja muito bom academicamente falando, mas quando descemos à prática, penso que devemos votar naquele partido que no momento se nos apresenta como o menos mau (nao ha partidos bons, o jogo político é assim), e depois tentar censurar as politicas atraves do voto sempre que haja referendos, consultas populares, eventuais greves e... novo governo ou autarquicas...

Abraço

Francisco Castelo Branco disse...

Daniel Silva

"penso que devemos votar naquele partido que no momento se nos apresenta como o menos mau"

Mas porque e que temos de pensar assim? Que é tudo mau? que nao ha ninguem que seja bom?
Era este o problema de que falava....
Tem q haver alguem com qualidades.
Não se pode generalizar
E o facto de se generalizar revela falta de conhecimento das propostas, dos programas , dos perfis...
Isso tudo...

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Não, Francisco, nada disso. Votar mo menos mau nao significa que nao haja nada bom. Significa apenas que todos entram em jogos politicos, como as diplomacias, interesses internacionais, etc., mas um partido isento de macula simplesmente nao existe. Daí eu ter dito votar no menos mau, porque dizer "este partido é bom" pode equivaler ÀQUELE momento em que o dizemos, mas necessariamente vai mudar de rumos em muitas politicas que antes nao preconizava,

Por isso rematei dizendo que em cada circunstancia devemos votar no partido que se nos afigura menos mau, ou melhor, naquele momento.

Francisco Castelo Branco disse...

Na minha opinião, é votar naquele que é melhor.

Agora nao culpem só os partidos pelo estado do nosso país e principalmente da nossa democracia.

E só os politicos. Porque a culpa não é só deles.
Até porque somos nós que os escolhemos e assim sendo a culpa é maioritariamente nossa

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