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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Especial Legislativas : Cultura

Problemas e soluções

Escrever sobre a Cultura em Portugal, sobre problemas nesta área e propostas de soluções para os mesmos.

Mas sobre isto há que conhecer quais os pólos centrais de produção cultural e de conhecimento. E se estes têm infra-estruturas necessárias e adequadas ás ambições culturais, tal como o contexto ideal para a criação artística. E, a partir daqui, tem que se pensar em como distribuir, isto é, na promoção e marketing destas criações. Terá que ser direccionada e não especializada.

Produção cultural pode passar por vários sectores, tais como, artes visuais, mercados de arte, artes performativas, livros e publicações, audiovisual e cinema, música e edição fonográfica, design, arquitectura, criação publicitária e software de entretenimento, biblioteca e arquivos, museus e património, cultura popular e tradição, entre outros.

Lisboa, é a capital e apresenta diversos espaços culturais, desde teatros, museus, salas para concertos, salas de cinemas, galerias, antiquários, bibliotecas.

Mas esta capital também alberga imensas pessoas, o que faz com que nem todos consigam ter acesso a eventos culturais, dado que alguns são caros para algumas carteiras. Isto é, uma família, um pai, uma mãe e dois filhos, se forem ver um espectáculo teatral, poderá ficar-lhes por 40 Euros (em média), mais refeições, caso o mesmo seja ás 21h30. Imaginem em quanto ficará esta despesa? E será que conseguirão ir mais vezes num mês ver algum evento cultural? Pois muitas vezes, os descontos são só para menores de 25 anos, ou grupos de 10 pessoas, ou estudantes.

Claro, que existem espaços como a Culturgest, que tem uma programação diversificada e uma boa política de descontos (5 Euros até 30 anos). E o facto de Lisboa ter imensas pessoas a habitarem faz com que nem todos consigam ir a todos os espaços culturais, e as pessoas tenham que optar, e assim, ficam alguns espaços por irem num mês. Fora os eventos que vão acontecendo, como as Noites de São Bento, em que a Rua de São Bento oferece animações, e os antiquários abertos durante a noite e nesse fim-de-semana, para que as pessoas possam ver um evento dedicado a um determinado tema histórico. Quanto ao teatro, creio que as pessoas não têm o culto de ir, ou então não conhecem os actores, porque não são actores mediáticos ou de televisão (isto é, que façam novelas), ou porque não conhecem os textos.

Por vezes, vejo salas de teatro que ficam em pontos centrais, mas que têm pouco público, pois os textos não são de conhecimento geral, pois não se estudam nas escolas, ou as pessoas também não conhecem, pois não estão em secção de destaque em livrarias. As produtoras teatrais e/ou os teatros poderiam fazer parcerias com livrarias, como a FNAC e/ ou a Bertrand, por forma a colocarem em destaque os livros dos textos teatrais em cena, por exemplo. A televisão deveria permitir a exibição de mais spots publicitários referentes a peças de teatro, mas com custos mais reduzidos ou até mesmo apoiarem as peças de teatro, neste sentido. As rádios poderiam oferecer apoios promovendo as peças e oferecendo bilhetes através de passatempos, por forma, a cativarem mais pessoas ao teatro, principalmente, os que tem menos acesso.

Por sua vez, deveríamos ter uma equipa ministerial na cultura preocupada com o que acontece verdadeiramente na área da cultura, quer em Lisboa, quer fora da capital. E a escolherem devidamente os programadores culturais dos espaços, para oferecerem uma boa programação, não eclética e que possa abrigar o máximo de criadores e/ou artistas, e fomentarem o facto de terem públicos e casas cheias.

Pois existem terras com certeza, que não tenho acompanhado, mas que devem fazer imenso, apesar de terem poucos espaços culturais, e aí devem esforçar-se imenso, e canalizarem o seu trabalho, por forma a apresentarem uma boa programação e diversificada, e terem sempre público e casa cheia.

Ou existirão outros espaços culturais que compram espectáculos, e que, por vezes, não apostam numa boa divulgação junto do público da zona, para cultivarem-no a novas criações. Isto acontecendo, por vezes, em espectáculos de dança.

Texto de Nuno Pascoal

5 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Antes de mais, Nuno obrigado pelo texto. Muito bem conseguido.

Pena que te tenhas centralizado muito em Lisboa. Até porque acho que fora de Lisboa as pessoas aproveitam e tratam melhor a cultura.
Em Lisboa e arredores ainda há muito a cultura de trabalhar até tarde e depois ir para casa.

Quanto a mim, confesso que não sou grande adepto de teatro. Mas também por falta de conhecimento. Aí o Parque Mayer era uma excelente solução e um bom ponto de encontro.

Gosto muito de cinema. Vou bastante. Adoro ler, e conheço as livrarias todas. Poderia haver mais bancas de rua em sitios como o chiado ou o saldanha.

Poderia haver mais conferências e debates ao ar livre. É uma pena não aproveitarmos os jardins e o nosso sol para fazermos isso.

Poderia haver mais animação de rua como acontece em cidades como Londres e Amesterdão...

São conselhos que se aplicam a outras cidades do país.

Mas penso que a esse nivel, Lisboa tem que aprender mais com outros exemplos

Pepe disse...

Francisco,
falar sobre a cultura há tanto para dizer, tanto para focar, e eu tentei em 20 minutos escrever só sobre o que me veio à mente, e com tanto a surgir-me...

expressodalinha disse...

...E muito bem, diga-se de passagem. Há alguns pontos que gostaria, ainda asim, de salientar. Quando eu tinha 20 ans, só tinham vindo a Lisboa "The Animals", tocar ao vivo. Fazer cultura era um verdadeira aventura e não uma indústria. O que se passou entretanto tem aspectos muito positivos e alguns negativos. A cultura, seja em que ramo fôr, precisa de mecenas. Sempre foi assim. A certa altura o artista ganha alguma autonomia. Mas lá tem de vir a marca de TLM, de Cervejas ou a câmara municipal a subsidiar. A Cultura é uma actividade que precisa de criação e de inovação. Não é uma carreia. Num país pequeno, mesmo que se transcenda Lisboa, há uma "clique" fecada e quase mafiosa que impede a entrada de novos talentos. Aceder ao mercado da Cultura em Portugal é muito dificil sem padrinhos. Há aforismo entre os artistas de palco que diz que numa telenovela ou entra o Nicolau Breyner ou não há telenovela. Este pnto merece a máxima reflexão. Não há dúvidas quanto à necessidade de mecenas. Isso é um dado adquirido, mas a forma como se distribui esse mecenato é que é problemática. A própria lei do mecenato devia ser mais aberta e com mais benefícios fiscais. Depois, e isto é o principal, não há ainda uma verdadeira "movida" artística em Portugal que gere benefícios económicos indirectos (p.ex. no turismo) como há em Londres ou Berlim, presentemente. Isso daria um estatuto diferente à Cultura que assim é a actividade mais subsídio-dependente de todas.

Francisco Castelo Branco disse...

Nuno

podes continuar a falar aqui que temos muito gosto em discutir as questões contigo

Francisco Castelo Branco disse...

Pois é expresso

Em tudo na vida tem que haver mecenas. Nao lhes chamava mecenas mas oportunistas. Pessoas que querem aparecer não pelo seu trabalho e mérito mas apenas e só pelo interesse e cunhas.

Acontece muito em Portugal, da+i que a Cultura esteja como está
Enfim ja esteve pior.

Pena nao haver espaços próprios como Piccadilly ou a zona de Museus, para a cultura pois assim é mais fácil centralizar os serviços e pessoas.

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