quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Entrevista a Fernando Vasconcelos do MMS

As perguntas e respostas:
  1. O que é o Movimento Mérito e Sociedade? Jorge Pinheiro

2. O Movimento Mérito e Sociedade afigura-se mais como um movimento Cívico ou como um Partido Político? Francisco Castelo Branco

Fernando Vasconcelos :

O MMS é um partido político criado com base num movimento cívico. A passagem de estatuto foi essencialmente motivada pela percepção que para uma intervenção mais eficaz na procura de uma nova realidade para Portugal esse era o único estatuto possível.

3. Como é que distingue os Movimentos Civicos dos tradicionais Partidos Politico? Francisco Castelo Branco

Fernando Vasconcelos :

Na génese não existe diferença entre eles. Na verdade a noção de um "partido" é uma construção que não é obrigatória numa democracia. Outras formas de organização mais voláteis, menos perenes sem quisermos, poderiam perfeitamente representar agrupamentos de cidadãos e estes poderiam ter uma intervenção politica igual à dos partidos. A nossa constituição faz essa diferença mas na minha opinião é uma diferença que não tem razão de ser. Acaba por afastar os cidadãos da politica activa transformando isso numa "profissão" quando deveria ser mais um "estado". Por outras palavras eu não os distingo, a nossa constituição sim.

4 - O que propõe para minorar a crise? Jorge Pinheiro

Fernando Vasconcelos :

O MMS possui um programa de recuperação para o país em todas as áreas quer económicas quer sociais. As propostas estão claramente indicadas em http://www.mudarportugal.pt/ . Não consideramos correctas as formulas simplistas. Se a solução fosse simples obviamente já teria sido utilizada. Acreditamos que cidadãos responsáveis devem gastar o tempo necessário a entender o suficiente dos problemas que os envolvem para usufruírem em consciência do direito de voto, diria melhor do dever de voto.

5 - -Espera que resultado nas Eleições e como pensa que isso pode influenciar a vida politica? Jorge Pinheiro

Fernando Vasconcelos

O que esperamos é que passo a passo o país caminhe para uma mudança. Na pseudo-democracia em que estamos em que se atribui tempo e orçamento aos mais votados no passado é obviamente difícil para os mais pequenos fazerem ouvir a sua voz. Aliás na minha opinião a campanha eleitoral deveria ter orçamentos fixos e iguais para TODOS os partidos existentes independentemente do seu resultado anterior, senão o que estamos a fazer é a perpetuação dos incumbentes num esquema rotativo sem verdadeiro significado. Mas com trabalho é possível mudar. E é essa mudança que esperamos que aconteça aos poucos.

6-A forma como o MMS aborda a redução das listas de espera não será demasiado hipotética? Carmen Garcia

Fernando Vasconcelos :

É uma questão de principio. o MMS considera que para o direito aos cuidados de saúde não existe limite e que uma sociedade responsável não os pode tratar como se fossem um problema burocrático. Não podem existir listas de espera. Não é humano. É uma questão de alocação dos recursos necessários e não não parece que seja impossível de concretizar.

7-Para o MMS a abolição da taxa moderadora quando não da responsabilidade do utente, serve também para a procura ao serviço de Urgência? – Carmen Garcia

Fernando Vascconcelos:

A procura do serviço de urgência tem duas causas fundamentais. Primeiro a falta de civismo dos portugueses sejamos honestos. Isto só se resolve com educação não com repressão por taxas porque mesmo com as taxas a urgência continua a ser atractiva. Segunda causa : A falta de alternativas de qualidade para cuidados de saúde regulares. São esses os problemas que temos de resolver para evitar a utilização indevida das urgências. Não é colocar uma taxa nem dificultar o acesso de quem verdadeiramente precisa do serviço que resolve seja o que for. É um penso, não um remédio. Portanto abolição de taxas moderadoras sim sempre que o utilizador do serviço de saúde o esteja a fazer dentro do que é civicamente suposto ser feito.

Poderão colocar mais questões na caixa de comentários. Será respondido

10 comentários:

Nélson Faria disse...

Com a campanha pela negativa - apelando a que as pessoas enviem líderes partidários para a "Conchichina" - e com o número mediático da providência cautelar, acha que o MMS traz algo de novo à política?

Francisco Castelo Branco disse...

OLá Fernando. Antes de mais, obrigado por ter aceite este convite.


A minha pergunta:

É objectivo do MMS eleger um deputado já nestas eleições?

Fernando Vasconcelos disse...

Francisco: se não fosse esse o objectivo então não faria sentido apresentar listas.
Nelson: São duas questões diferentes. A providencia cautelar não tem nada de negativo. É um facto que o acesso dos partidos aos orgãos de comunicação social não é igualitário e que isso é uma distorção da democracia que urge corrigir. Quanto à conchichina concordo consigo, não acho que a campanha negativa seja construtiva. Todos temos direito a momentos menos felizes. Penso que a mensagem politica deve ser muito menos de "fulanização" e de ataque pessoal. Devem ser debatidas ideias e projectos. Devemos assumir que todos os que participam acreditam propor o melhor para o país e que são à partida pessoas tão honradas como nós. Para julgar do resto, há ou deveria haver o sistema judicial. se não acreditarmos nisto não existe democracia possível.
PS: Não sei se poderei continuar a responder durante o dia ...

Francisco Castelo Branco disse...

Caro Fernando, caso o objectivo de não eleger nenhum deputado não seja alcançado , o MMS vai continuar activo?

E de que maneira??

Francisco Castelo Branco disse...

Joaquim Jorge do Clube dos Pensadores pergunta :

Espera ter um bom resultado?

Não sente dificuldade como novo partido para se impor no espectro politico-partidário português?

Quais são as maiores dificuldades?

Francisco Castelo Branco disse...

Jorge Heitor pergunta:


Uma rede de alta velocidade, quando a rede portuguesa dos caminhos-de-ferro ainda deixa tanto a desejar, quando comparada com a francesa ou a alemã, por exemplo?

e


E quando certos bairros de Lisboa são mal servidos pela Carris, sendo necessário estar 18 minutos à espera de um autocarro...

Fernando Vasconcelos disse...

Jorge Heitor: No que diz respeito à questão do investimento numa linha de alta velocidade versus a modernização das existentes é uma questão técnica de ordenamento do território e de alocação do investimento público a que sinceramente não lhe sei responder. Creio que essa questão foi abordada nos estudos efectuados mas é uma boa questão. Acho que essa escolha deve ser equacionada de forma racional tendo em conta o que for melhor para o país como um todo. Quanto à isso Carris não tem nada a ver com esta questão. É uma responsabilidade quando muito do poder local e não do governo central. O TGV é investimento do país não de uma localidade ou sequer região. São orçamentos diferentes.

Fernando Vasconcelos disse...

Joaquim Jorge: Sim esperamos ter um bom resultado. Em democracia todos os resultados são bons. Uma eleição não pode ser vista como um campeonato desportivo. É uma escolha. Toda e qualquer escolha dos portugueses será sempre uma boa escolha e logo todos os que participam cumprem o fundamental do seu trabalho: fornecer escolhas, alternativas. O resto, os números são desse ponto de vista os menos importantes.

Fernando Vasconcelos disse...

Francisco: Se não elegermos nenhum deputado permaneceremos activos? Bom isso é uma decisão que não me cabe a mim. Porém tendo em conta o que nos motiva a minha resposta pessoal é que sim, claro. Enquanto houver razões e necessidade de propor alternativas às escolhas actualmente disponíveis a resposta a essa questão deverá ser sempre: Sim.

Fernando Vasconcelos disse...

Joaquim Jorge: Houve uma parte da sua questão a que não respondi. Se sentimos dificuldades? Claro. Tanto maiores quanto a mensagem que procuramos fazer passar não é uma mensagem nos "extremos". A maior dificuldade? Do ponto de vista pessoal eu diria que é a perspectiva que se tem de que estando o sistema tão "podre" toda e qualquer pessoa que o deseje mudar a partir das próprias regras ou é um "anjinho" ou então é tão "podre" como os que pertencem ao sistema. É esta visão que se tem da politica que torna mais difícil conseguir comunicar uma nova visão. Porque ou somos apelidados de "idealistas" ou pior do que isso ...

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