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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

1.5 A Conquista Romana

Introdução:

Foram inúmeras as civilizações que ao longo de séculos pisaram o nosso território. Podemos efectuar uma larga lista de povos que se estabeleceram na zona oeste da nossa península, no entanto nenhum povo teve uma importância tão marcante e duradoura como o povo Romano. A nossa sociedade (ainda nos dias de hoje) é inegavelmente influenciada pela presença romana. Os romanos são a par dos gregos o povo possuidor de uma cultura e civilização mais desenvolvida do mediterrâneo antigo, a penetração do povo romano na nossa península surge no contexto do controlo desse mar (Mediterrâneo) que os romanos queriam instaurar.

Podemos afirmar que, numa fase inicial as intenções dos romanos seriam meramente comerciais, todavia com o passar do tempo assistimos à acção civilizadora romana e à conquista da península que se revelam um volte-face nas pretensões dos homens de Roma. Seguram-se medidas de administração do território, implementação do Direito Romano, a instauração do Latim, efectuaram obras públicas de enorme envergadura...Todas estas acções desenvolvidas por Roma no território peninsular foram determinantes para o nosso território e, gostemos ou não, o certo é que a civilização romana foi a civilização que mais influenciou: o nosso modelo jurídico, a nossa língua, o sistema democrático (embora a cultura grega tenha um papel mais forte neste último domínio) entre outros. A romanização é um dos pontos-chave para compreendermos o nosso presente.

  • Invasão da Península

Após as guerras com Cartago as primeiras tropas romanas desembarcam na Península. Conseguiram primeiramente vencer as forças cartagineses que ocupavam a zona tendo-os derrotado somente doze anos depois. Ao contrário do lógico (que seria a retirada depois de vencer as últimas forças de Cartago) os romanos estabeleceram-se na costa da Península Ibérica e tiveram em muitos momentos situações desagradáveis já que os nativos peninsulares não aceitavam a presença dos homens de Roma nos seus territórios. Em finais do século I a. C. assistimos à definitiva pacificação da Península Ibérica e à tomada do poder territorial por parte dos romanos.

  • As províncias romanas

O processo de divisão administrativa da Península começou a ser desenvolvido por volta do ano 197 a. C. e só terminou no tempo do imperador Augusto. A Península Ibérica ficou dividida em três províncias: A Tarraconensis com capital em Tarraco (Tarragona), a Baetica com capital em Hispalis (Sevilha) e a Lusitânia com capital em Emerita Augusta (Mérida). Estas três províncias eram também divergentes na sua administração; enquanto que a Baetica era uma províncias senatorial (dependendo do Senado) já Tarraconensis e a Lusitânia eram províncias sob supervisão do imperador.

  • A vida urbana

Ao longo de todo o território português os romanos edificaram prósperas cidades. Das mais importantes destacamos: Olisipo, Aquae Flavie, Pax Julia e Bracara Augusta. Para além de espaços habitacionais havia também espaços de lazer, cultura, higiene, convívio cívico e religioso. Estas urbes eram frequentemente muralhadas. Havia uma enorme preocupação com a comodidade própria das camadas sociais mais ricas.

  • As obras públicas

É sem dúvida um dos vestígios mais exemplificativos da presença romana no nosso território. Foram construídos por todo o império estradas, pontes, aquedutos, arcos, uma série de construções imponentes e de serviço público.

  • Religião

Os romanos eram tolerantes com as religiões dos povos colonizados. Não só permitiam os cultos locais como aceitavam uma mistura da sua religião com a desses mesmos povos. É neste contexto que hoje vemos em Portugal vestígios que demonstram que a adoração a Deuses romanos é feita em paralelo com a adoração a Deuses nativos. No século IV o cristianismo foi proclamado religião oficial do Império e estendeu o seu domínio o influência a todos os territórios colonizados. Mas o início da cristianização do território que hoje é Portugal parece ter começado muito antes. Logo no século I chegaram os primeiros pregadores e instalaram-se entre nós as primeiras comunidades cristãs.

  • Língua e Direito

A língua falada pelos romano era o latim que não é hoje utilizada como língua viva. No entanto foi o latim romano que deu origem ao português. Também o Direito foi um vestígio marcante. Se até ao século V ac. vigorava o chamado "Direito Costumeiro", os romanos a partir dessa data começam a elaborar códigos legais nos quais já era estabelecida e diferença entre Direito Privado, Direito Público, Direito Penal, Direito Civil, e Direito das Gentes. O Direito Romano foi a base da legislação portuguesa.

Na imagem Conímbriga.

13 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Bom texto e excelente análise.

De facto, Portugal sofreu uma influencia romana muito grande.
Gosto especialmente de Bracara Augusta, a actual Braga.

Engraçado que no nosso território haja uma mistura de romanos e Árabes. Tudo o que é cidade com influencia arabe começa por A, se sofreu a com a romanização é porque tem uma ponte ou aqueduto.

Um dia ainda havemos de estudar todas as cidades de Portugal aqui no blogue e depois veremos quem ganha : se as com influencia romana ou com natureza arabe

Em relação ao Direito, nao so a Peninsula mas a maioria dos paises latinos sofreu com essa tomada.
O Direito romano foi dos principais em todo o mundo na altura. E dos mais importantes.
E que ficou....

expressodalinha disse...

De certa forma, podemos dizer que ainda hoje somos romanos.

Francisco Castelo Branco disse...

mais romanos do que arabes.

e até na atitude : casmurros e um pouco individualistas. E pouco trabalhadores...

Francisco Castelo Branco disse...

eis aqui exemplos de cidades com origem romana :

Bracara Augusta - Braga

Scalabis ou Moron - Santarem! Deve ser pelo nome romano que se designam escalabitanos

Pax JUlia - Beja

Lamecum - Lamego


Conimbriga- Coimbra

Olisipo - Lisboa

Ebora - Évora

Lacobriga - Lagos

expressodalinha disse...

Já Tavira era Balsa, nome cartaginês.

Marta Sousa disse...

Que seriam os Homens do Direito se os romanos não tivessem existido? Se calhar ainda hoje tínhamos o Direito Costumeiro, é bem possível...

Francisco Castelo Branco disse...

Antes o Direito costumeiro ao Direito Positivo que é chato e com imensas regras lol

Marta Sousa disse...

ahahahah eu gosto bastante! (ironia)

Pedro disse...

Já não visitava o vosso espaço há uns tempos, mas alto lá, que há aqui umas imprecisões:

A primeira: a cultura romana não está a par da grega - está muito abaixo. Não carece de demonstração. Depois, no final da segunda guerra púnica, os romanos já dominavam parte do litoral e o sul da península. O que aconteceu, foi que eles continuaram em guerra, mas desta vez contra os povos peninsulares - não havia nenhum motivo (lógico?) para a retirada. Adiante: definitiva pacificação é como quem diz. O Nero viu-se aflito e só em 69 é que o Vespasiano considerou isto tranquilo. Paz essa que acabou com o saque de Bética, se bem me lembro.

Quanto à religião, atenção: eles toleravam o "paganismo romanizado". Apenas. O porquê disto é que é interessante, mas fica para depois. E essa da cristianização ter começado no século I, é uma aldrabice baseada numa suposta visita de São Paulo e numa muito pouco provável pregação de Santiago; os únicos relatos seguros datam do século III.

Por último, e espero não ser muito maçador, a língua portuguesa bebe muito mais do Grego do que do Latim. Já o "sistema democrático" grego tem rigorosamente nada a ver com o nosso presente. (Penso que aqui se referem a Platão e a Aristóteles, já representantes de uma decadência do Espírito Grego. Não esquecer que era uma sociedade fundada sobre a escravatura.)

Pronto, era só isto, vejo que andam muito ocupados com as eleições, beijinhos e abraços, e paciência de santo para os "democratas".

Marta Sousa disse...

Vamos ser rigorosos e aprender história e português ok senhor Pedro?

É uma demonstração de falta de conhecimento enorme dizer que a civilização Romana é menos evoluída que a grega. Não podemos olhar apenas à arte, sistema político, educação e filosofia. Temos que ver as coisas num todo!

Ver os documentários do Canal História até pode ser divertido mas esses documentários nem sempre são 100% rigorosos. Em vez da televisão aconselho o livro de Michael Kulikowski cujo título é Late Roman Spain and Its Cities em que o autor defende exactamente o que coloquei no meu texto. Certo é que só após as guerras Púnicas é que existiu uma fixação efectiva. Podia haver contactos comerciais mas fixação só após as guerras Púnicas!

É curiosa a presunção de algumas pessoas que colocam em causa trabalhos de outras pessoas que levam anos de estudo em matérias como a que expus neste post. Estamos a falar do senhor Kulikowski não de um Pedro qualquer coisa que acredita piamente que o cristianismo não foi instaurado no século I. Cada um acredita no que quer mas por favor apresente provas fundamentadas.

Quanto à linguística entramos num campo que me é especialmente "querido" por assim dizer. Tenho a certeza absoluta que a nossa língua bebe muito mais do latim que do grego. Estudar Latim fazia bem a certas pessoas.

Francisco Castelo Branco disse...

Acho a civilização romana bem mais evoluida do que a grega.
Os Gregos pararam no tempo.

Poucos são os hábitos que as civilizações modernas trazem dos gregos. E mesmo monumentos, textos, filosofias entre outros, foi-se perdendo no tempo.

Até porque quando emergeram os Romanos, estes conquistaram tudo.
E na Peninsula, então a sua influência foi muito grande.
E não é com os gregos que divide essa influência. Mas sim com os árabes.

OS gregos viveram e vivem mais para si próprios.

Os Romanos deixaram influencias um pouco por todo o Mundo. Especialmente na PI e em Portugal

Pedro disse...

Meu Deus, tanta animosidade. Realmente, não se admite: anos e anos de trabalho postos assim em causa (???). Anos e anos a querer a linguística, a ter certezas absolutas e vem aqui um ignorante qualquer apontar um errozito ou outro, e passa logo por estúpido. Tem razão. Quer rigor, a senhora Marta. Quer que eu aprenda português, a senhora Marta. Quer que eu ache engraçado o canal história - este mais difícil, não tenho televisão. Também é difícil ler esse livro que meteu para aí - tenho um certo problema com a língua inglesa; mas li Estrabão, Apiano, Cássio, Lucrécio, Quintiliano e Lívio. Também li outras coisas, como o Itinerarium Antonini Agusti, ou Siculo, mas já lá vamos.

Diz que é total falta de conhecimento dizer que a cultura grega é superior à romana. Com certeza que é. Diz ainda que não se pode olhar apenas para a "arte, sistema político, educação e filosofia. Temos que ver as coisas num todo!" Então, que falta aqui? O esgoto? Ou quer detalhar, e explicar o que é a Fides ou Virtus, devagarinho, para eu perceber? Posso-lhe então também recomendar, já que coloca as coisas assim, o The World of Rome, do Grant, The Art of the Romans, do Toynbee (também lhe aconselharia o Estudo de História, mas não a quero maçar), The Roman Experience, ou The Roman Revolution - é que, repare lá bem, não estamos a falar de uma Marta qualquer. E depois de ler isto em inglês, talvez me possa ler - em Latim, língua que, Deus me livre! - nunca estudei, nunca... - Plauto, Horácio, Virgílio, Cícero, Séneca, Ovídio, Petrónio, Apuleio - fazemos já aqui uma lista de supermercado de leituras. Podemos até ler A Cidade ou as Confissões de Agostinho, só pela falta de conhecimento. E depois, comparemos: com Homero, Ésquilo, Sófocles, Píndaro, Safo (esta, ao que parece, até era copiada por Roma, mas que sei eu disso) - e podemos ler em Grego, já que o Português é língua que claramente não domina, a avaliar pelas constantes calinadas na ortografia e na sintaxe. Posto isto, não é um Pedro qualquer coisa que lhe vai ensinar Português - terá de recorrer às gramáticas do Lindley Cintra. Ou do professor Alexandre Júnior, para que este lhe explique que uma língua não é apenas formação de palavras: mas esse é mais grego e retórica. Afinal, não era um Alexandre qualquer coisa. Não sei se ele acreditava que São Paulo esteve na Península, ou que o Cristianismo foi "instaurado" no século primeiro, século (e também o II) do culto imperial; não sabemos se ele acredita que as primeiras comunidades cristãs a chegarem ao nosso território foram, por volta do século III, os bispos fugidos do Imperador Décio, vindos de Emerita Augusta - seria um pouco estranho, o cristianismo ter sido instaurado e ao mesmo tempo perseguido. Mas não somos uma Marta qualquer coisa, no fim de contas. Já estes exercícios petulantes são muito divertidos.

marcia disse...

o benfica é o melhor lá lá lá lá lá

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