quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ruptura?

Hoje ficámos a conhecer algumas das linhas gerais do programa eleitoral do PSD. Manuela Ferreira Leite usou três expressões para marcar o seu estado de espírito: Ambição, confiança e esperança. Mas tudo sem euforias "à Sócrates". Parece que estas três palavras irão marcar a campanha do PSD. E também o estilo do "Novo PSD". É novo porque apresenta alternativas, tem um discurso virado para fora e não se deixa embandeirar em arco. Parece que estamos perante um novo período da vida política portuguesa.

Ferreira Leite começou por meter as politicas do PS em causa. E chamou ao seu programa "compromisso de verdade". Também deve ser a primeira vez que existe a palavra verdade num programa eleitoral. E que não serão usadas palavras mágicas nem slogans no seu programa. Também é novidade. Disse Ferreira Leite que o PS mete a credibilidade da politica em causa.

Para Ferreira Leite as principais prioridades do país são : Justiça, Segurança, Educação, Questões sociais e Economia. São os sectores em que o país está mesmo mal?

Parece que o velhinho PSD de Direita está de volta. Ora senão vejamos : - Minima intervenção do Estado, um politica económica virada para a iniciativa privada e exportações. E voltou a prometer pagar as dividas do Estado às PME´S. Veremos se cumpre isto.

De resto, assumiu a posição radical de suspender o TGV. E quanto ao novo aeroporto não sabemos. Com Manuela Ferreira Leite voltamos ao país do adiamento. Da falta de ambição e de voltar a discutir o novo aeroporto e outros projectos. É nisto que MFL perde. E lá vai o país voltar a discutir projectos e nada a fazer. Lembre-se que foi o governo de Durão, onde Manuela estava que iniciou o projecto do TGV. Mais adiamentos não.

Dois aspectos confirmam esta posição : A primeira é que MFL quer a familia como eixo das questões sociais. Voltamos ao conservadorismo? E que promete suspender o modelo de avaliação. Pelos vistos após 30 anos sem avaliação de professores, vamos voltar a essa realidade. Esta parece uma medida para agradar a sindicatos. Uma forma eleitoralista. De agradar a professores e sindicatos.

Por fim, algo de positivo. Promete um combate sem "quartel" à Corrupção. Veremos se isso vai acontecer.

19 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

MFL traz mesmo um novo discurso?

Mais Verdade e menos "show-biz"?

Que acham das propostas dela?

Francisco Castelo Branco disse...

Pelo menos já tem o apoio do Bastonário de Advogados e das PME´S.

Importantes apoios

Marta Sousa disse...

Não ficamos a conhecer as linhas gerais, ficamos a conhecer o programa todo que está disponível para ser descarregado em pdf. Eu já li e tenho um breve comentário:

Melhor que aquilo que esperava. As áreas de intervenção foram escolhidas a dedo e muito bem. Há no entanto a continuidade desta "lenda" do "cada vez menos Estado" que a mim sinceramente não me agrada nada.

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Mas eles definem qual é o grande problema de Portugal? E quanto ao António Preto?
Quanto a "menos Estado" não é mito, só se for em Portugal que somos país de mitologias.

Francisco Castelo Branco disse...

Marta

O menos Estado é bom! Aí está uma grande diferença entre nós. De Direita e Esquerda.
Na minha opinião devem ser os privados a tomar conta das coisas e quanto aos serviços publicos apostar num modelo de financiamento publico-privado.

O Estado quando mete a mão, normalmente estraga. E ainda por cima se for Socialista, Comunista ou bloquista. Têm ideias completamente distintas daquilo que é um Estado de Direito.

O PSD não se assume Neoliberal. Mas poderia ser. Luis Marques Mendes na ultima intervenção na UV, disse que o PSD não era "liberal" mas " Social Democrata".
Pena que assim seja, senão tinham o meu voto garantido

Francisco Castelo Branco disse...

Bruno

Como Paulo Rangel disse que não era preciso haver ética na politica, em relação a Antonio Preto não há de especifico.
Pena que MFL tenha acabado com uma boa prática de Marques Mendes.
Mas são visões e estilos diferentes da politica

Marta Sousa disse...

Apesar de tudo mesmo que o programa de governo do PSD fosse perfeito devo dizer que não votaria num partido que dispensa homens de nome das suas listas como P.P. Coelho. Eliminar os adversários directos (deixando o bem do partido e do país de lado) não me parece a melhor solução. Apesar de não concordar com as visões de P.P. Coelho admito sem qualquer problema que a sua presença na AR só seria salutar para a democracia e para o debate de ideias. Quanto aos candidatos com processos judiciais já todos sabem o que penso.

Francisco Castelo Branco disse...

Também gostava que Passos Coelho fosse candidato a deputado, mas já sabemos como funcionam os partidos

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Vida intrapartidária facilitada para o Passos Coelho num cenário de derrota do PSD. A política nacional não se fará só dos caciques-mor e dos sujeitos com processos jurídicos. Por isso era bom que o programa mostrasse qual era o grande problema de Portugal. Não me parece que seja o TGV ou a ponte do troco-passo, ou das contabilidades do Estado - o problema, qual é? Ainda estou por descobrir

Francisco Castelo Branco disse...

Mas se bem repararam Ferreira Leite apresentou as prioridades ;

Diz que vai reduzir alguns impostos, suspender alguns modelos, claramente para agradar aos professores. Quer liberdade de escolha nas escolas...

São já algumas medidas

Não concordo em acabar com o TGV nem com o modelo de avaliação dos professores

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Não concordo nem discordo pois acabam por ser apenas pós-soluções.

Marta Sousa disse...

Sem dúvida que abolir alguns impostos é determinante muito em particular no sector empresarial. Não podemos esquecer que foi no governo em que Manuela Ferreira Leite foi ministra das finanças que se criou o imposto mais estúpido que Portugal já conheceu: O imposto especial por conta. Agora Manuela Ferreira Leite vem dizer que vai acabar com algo que criou e apoiou durante o tempo em que este à frente das finanças.

Francisco Castelo Branco disse...

São contradições por parte de MFL.
Já ha muitas pessoas a realçarem esse facto

Jorge disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge disse...

O sistema de avaliação implementado é uma fraude. Não avalia ninguém e já vai na 3ª simplificação. Se não serve o que custa assumi-lo? Às vezes mais vale começar de novo de que colocar remendo sobre remendo. E dizer que hoje se avalia e que nos últimos 30 anos isso nunca aconteceu é só uma daquelas mentiras que de tanto serem ditas se confundem com a verdade.
Só um exemplo de como se mente à descarada. Hoje Sócrates afirmou que vai dialogar com os professores, que foi algo que falhou na sua legislatura. Mas então não eram os sindicatos que não dialogavam? O ministério não se disse sempre disposto a ouvir? Pela boca morre o peixe. E este já fede.

Abraço

Francisco Castelo Branco disse...

Jorge,

a verdade é que o PSD não propoe alterações ao actual modelo!

E suspender é muito fácil

É como o TGV....

Mais uma vez parece ser o PSD do "desfaz" mas não "faz"

Jorge disse...

Nunca fui eleitor do PSD, por isso é para mim muito fácil defende-lo. Não vale a pena alterar o que está mal. Tem de se começar de novo. E não vamos ser ingénuos. Nesse aspecto o PS abriu (e bem!) o caminho. Agora é só adoptar uma das muitas propostas existentes, quase todas funcionais e sem dúvida melhores que o modelo actual que de tão simplificado para nada serve.
Para já o PSD fez o que devia. É fundamental acabar com a divisão artificial da carreira e voltar ao anterior estatuto do aluno, que este é uma vergonha. É o que propõem.

E ao contrário do que parece, esta opção até pode tirar mais votos do que dar, tal é a forma como este país encara os professores. Bem mais fácil do que suspender é classificar o acto de eleitoralista.

Francisco Castelo Branco disse...

Mas uma coisa é certa : os professores certamente aplaudem esta iniciativa
E certamente vão votar PSD.

E mais. MFL disse que ia suspender de imediato o sistema.
Não propondo uma alteração. Uma alternativa. Mas suspender.Acabar com o dito....
Parece-me uma medida eleitoralista para conseguir agradar á classe.
Tal como a questão do TGV.
Mais uma vez estamos perante um PSD que não propoe alternativas.

Se ao menos MFL dizer que vai fazer X ou Y em relação ao sistema de avaliação.
mas até agora não disse nada

Veremos se diz algo...

Jorge disse...

Quando se suspende volta-se ao anterior. Não se fica no vazio. Vazio é este. Os efeitos na escola foram nefastos. E claro que os professores não vão em barda votar PSD. Isso é tremendamente ingénuo.
O que o PS deseja é que isto seja a única coisa que chegue aos eleitores. Isto e o TGV. A modernidade contra o conservadorismo. A mudança contra a estagnação. O Prós e Contras em que o país vive indefinidamente. O país tem muitas coisas bem mais sérias para discutir que o modelo de avaliação de professores e o TGV. E o PSD faz bem em não fazer o jogo. Propor a sua suspensão é um favor que se faz. E o país nada perde.
Mais um exemplo. A Irlanda foi o país que mais se desenvolveu na UE e não tem autoestradas, quanto mais TGV. Discuta-se coisas sérias e não soundbites.


Abraço

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