quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sistema de Bolonha

Foi apresentado como o modelo de ensino superior europeu. O modelo Bolonha foi imposto gradualmente nas universidades europeias, no entanto está longe de estar totalmente estabelecido em todas as universidades. É certo que este sistema tem os seus pontos frágeis, no entanto os resultados estão à vista de todos: o plano de Bolonha está a ter o sucesso desejado, pelo menos naquilo que concerne à realidade nacional. Bolonha tem objectivos muito claros e que, a meu ver são de elevada importância para que o ensino superior se desenvolva de uma forma altamente positiva, senão vejamos:
  • Mobilidade: Com um ensino comum na Europa a mobilidade estudantil nos diversos países da UE sairá em muito beneficiada. Com um modelo de ensino semelhante o estudante terá oportunidade de se integrar melhor na nova realidade assim como conseguir as equivalências desejadas deixando de correr riscos de reconhecimentos das unidades curriculares no seu país.
  • Redução do período de estudos: Não podemos falar exactamente numa redução. O que se faz é uma aposta na formação de um segundo ciclo, ou seja mestrado. Os alunos iniciam um período de licenciatura de 3 ou 4 anos e seguidamente entram num mestrado com duração geralmente de dois anos. A Europa necessita de ter formação de top para os seus cidadãos e esta é uma forma inteligente de incentivar a continuidade dos estudos, o mestrado deixou de ser só para alguns e passou a ser aberto a grande parte dos estudantes europeus.
  • Redução de custos: Juntamos o útil ao agradável. O plano de Bolonha vai possibilitar ainda uma redução dos custos no que toca a investimento nos alunos já que haverá uma redução de um ano do período de licenciatura. O dinheiro será canalizado para a investigação e para o segundo ciclo ou mestrado.
O papel do estudante também sofre alterações que valem a pena frisar. A avaliação passa a ser gradual não dependendo de um exame apenas mas sim da capacidade do aluno evoluir satisfatoriamente ao longo do seu período de estudos. Desta forma a carga de trabalho estará repartida por todo o ano lectivo não se concentrando só na chamada "Época de Exames". Com uma avaliação contínua estimula-se a capacidade reflectiva dos discentes já que estes terão que participar activamente das discussões da aula dado que a avaliação passa a ser contínua. Como referimos anteriormente a avaliação será contínua o que leva a que os exames passem a ser secundários. O ideal seria mesmo a extinção dos mesmos, no entanto concebe-se que existam ainda exames mas com valores não superiores a 15% da nota final. O papel do docente com o plano de Bolonha sofre, também ele uma grande alteração passando este a ser tutor. Como tutor a sua missão é apenas dar conceitos e bibliografia. Em casa os alunos deverão explorar esses mesmos conceitos através da bibliografia fornecida e efectuar uma discussão num contexto de aula. A importância dada ao diálogo parece-me bastante importante neste sistema. Com a avaliação a não estar apenas confinada aos exames surge também a hipótese dos alunos explorarem novas tecnologias e apresentarem trabalhos criativos para a avaliação. A exploração da criatividade é outra das metas do modelo de Bolonha. Por último tendo os professores menos tempo de aulas poderão dedicar mais horas às suas investigações. Desta forma o conhecimento cientifico pode conhecer uma aceleração considerável. Pessoalmente julgo que o modelo de Bolonha é positivo. Devo ser das poucas pessoas a defender este modelo tão afincadamente. É claro que tem falhas em certos pontos mas na sua globalidade poderá vir a ser muito benéfico para todos.

28 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Nao apanhaste tu o processo de bolonha no meio do curso.
Eu de 6 cadeiras passei para 20!
E estar no 3º a fazer cadeiras do 4ano e do 5!

em apenas dois anos!

Francisco Castelo Branco disse...

e essa coisa da avaliação gradual, nos dias que correm..

Continuo a achar que o Exame é mesmo o mais importante

Marta Sousa disse...

Fiz algumas correcções ao meu texto a nível de sintaxe. Fiz o mesmo antes de dormir, com algum sono já nem tempo tive de rever o mesmo. Peço desculpa a todos os leitores.

Cleopatra disse...

Marta, acontece a quem pensa rápido e escreve em directo : :-)

Marta Sousa disse...

Eu fui bem clara quando referi que o sistema também tinha falhas. A maior delas é sem dúvida a transição do sistema antigo para Bolonha.

Os exames são um método de avaliação injusto. Apenas dão uma oportunidade aos alunos para mostrarem as suas capacidades. Pior que tudo é mesmo o facto de dias após o exame os alunos já não se lembrarem de nada. A avaliação contínua como é gradual possibilita uma assimilação muito melhor dos conhecimentos.

Francisco Castelo Branco disse...

E quantos são os Profs que avaliam a pessoa durante o ano?

Então em Dto lol

E mais, a avaliação gradual pode acabar, como foi o caso da minha faculdade; de acabar com as orais

Francisco Castelo Branco disse...

Esse mestrado depois da licenciatura é quase como um 5ºano

Acho que o processo de bolonha está mal feito. E que as universidades portuguesas implementaram-na á pressa.
Então no curso de Direito, é caso para dizer que "estragou" o curso.
É impossivel aprender Direito em 4 anos. Muitas das cadeiras importantes não sao dadas com exactidão.
Muitas faculdades retiram as orais.
O trabalho de Investigação, q é uma das bandeiras deste processo, nem sempre é feito. E realizado.

Acho que este processo foi a morte do Direito.
O do seu ensino...

Rakiely disse...

é evidente que o sistema tem falhas, assim como tem vantagens. a vantagem da mobilidade é fantastica! a reduçao de carga horaria nao tenho tanta certeza..reduçao de custos nao sei ate que ponto isso será bom, porque n conseguimos à mesma acabar o curso em 3 anos.

ora reduçao de horario:
eu estou no 3º ano de Eng Biológica, no Técnico, e nem todas as cadeiras dispoem de avaliaçao continua, todas têm exames, e em algumas a unica componente de avaliaçao é o exame. nao ha avaliaçao de aulas praticas, a nao ser a uma e uma unica cadeira(do dept. de matematica) testes ha a algumas cadeiras, relatórios nao faltam, chegam a ser 3/4 por semana...

nao me estou propriamente a queixar, estou a constatar factos. ate porque sei que na vida profissional, ainda para mais de alguem como eu que pretende trabalhar em investigaçao, ou para alguem como muitos outros que la estao, que nao querem essa vertente, tenho perfeita consciencia que no mundo do trabalho as cargas horarias e de prazos sao superiores.

no entanto, nao acho correcto que com este sistema, se diminua a carga horaria. tudo bem que, seja com este sistema seja com outro, o aluno tem o dever de trabalhar em casa para o seu proprio sucesso, isso é evidente e é um dado adquirido (para qualquer grau de ensino)no entanto, nao faz sentido EXCLUIREM aulas praticas de cadeiras cuja materia é 80%, ou mais, pratica! nao faz sentido!nenhum! e quando digo excluirem, é excluirem mesmo!os professores acabam, nalguns casos, por quase ter pena dos alunos e marcar aulas extra, para nos poderem ensinar como se resolvem certos exercicios...isto nao faz sentido em lado nenhum!nao faz sentido continuarmos com a mesma materia e termos menos aulas, tanto teoricas ocmo praticas...

menos sentido faz ainda compactar duas cadeiras numa só, sendo que antigamente essas duas eram dadas em anos diferentes...nao faz sentido

por isso compreendo quando o Francisco diz que de 6 cadeiras passou a 20...

reconheço as vantagens...mas sinto na pele as desvantagens...


abraço*

Francisco Castelo Branco disse...

Rakiely

Mobilidade já havia antes de Bolonha. Sempre houve..
O programa Erasmus é disso realidade

Aulas práticas? Reduziram as aulas práticas de duas para uma.

E ha as chamadas OT (Orientação tutorial...) que é destinada á investigação e apresentaçao por parte de alunos. Mas mais nao sao do que Aulas praticas, porque com menos aulas teóricas, as práticas servem tb para dar matéria.

O Exame, e isso em Dto é muito notório, é sempre o essencial.
Mesmo com uma boa avaliação continua, o Exame pesa sempre mais.
E quem tem boa avaliaçao e um mau exame, vai ter sempre que passar pela Oral.

Diminuiram a carga horária, para que o aluno trabalhe em casa.
Mas a verdade é que no sentido de investigação.
E isso nao da, quando existem menos aulas e muitas matérias são dadas á pressa.

Infelizmente só vejo desvantagens.
Foi mais uma medida implementada á pressa em nome do "comboio europeu".
Pena que os catedráticos e politicos portugueses não pensem que em países diferentes, sistemas e ensinos diferentes.

O nosso Sistema antes de Bolonha, e principalmente em Direito era excelente.
Claro está dependendo da Universidade.
Mas acho que é mau formar advogados á pressa, sem o minimo de bases e conhecimento,

nesta questão estou ao lado do bastonário

Rakiely disse...

no meu caso, nos so temos orais para quem tem mais de 17 valores, isto na minha faculdade toda nao so no meu curso.
quanto às OT's..nao temos disso..ou sao aulas praticas ou teoricas..ate agora nao tivemos nada disso..simplesmente tiraram as aulas praticas de algumas cadeiras,noutras cadeiras mantiveram-se, mas nao em todas. pode ser que isso mude futuramente

e sim, mobilidade sempre houve...

e acho curioso que, conforme vou lendo mais coisas sobre o bolonha, e o vou vivendo, digamos assim, mais desvantagens vejo..

e é claro que a adaptaçao à pressa depende de cada universidade, e de cada sistema de ensino(isto falando em relaçao ao resto da europa)

é tao m au formar advogados à pressa como qualquer outra pessoa com outra profissao!

por vezes, ja no sistema 'antigo' os resultados eram os que eram, tanto que hoje vemos as pessoas no activo e muitas vezes é a desgraça que é, imagino como será daqui a uns anos quando os novos engenheiros, advogados, enfermeiros, e tantos outros, sairem deste novo sistema..

Francisco Castelo Branco disse...

E é mais dificil arranjar emprego com uma licenciatura de 4 anos

Rakiely disse...

bem isso ja nao sei, mas acho que na situaçao em que nos encontramos, nao só no nosso pais mas em todo o lado, cada vez é mais dificil...

nao gosto muito de referir isto, mas as vezes também acho que ha muito recem licenciado, e nao só, que nao se sujeita a muita coisa no inicio de uma carreira, conheço varios que querem começar logo no topo, nunca por baixo e ir subindo ao longo do tempo..querem logo resultados rapidos..

acho que isso também dificulta um pouco o arranjar ou nao emprego

Francisco Castelo Branco disse...

Sim , mas Bolonha veio exigir mais.....

e assim com menos anos é mais dificil acreditar.......

Rakiely disse...

veio exigir mais, claramente!

é como ja referiste: má implementaçao. pura a simplesmente! deveria ter sido estudada com mais cuidado

sim com menos anos torna-se mais dificil, claramente...

Rakiely disse...

veio exigir mais, claramente!

é como ja referiste: má implementaçao. pura a simplesmente! deveria ter sido estudada com mais cuidado

sim com menos anos torna-se mais dificil, claramente...

Francisco Castelo Branco disse...

Rakiely

mas neste país tudo é feito á pressa.
Com medo de perder o comboio europeu

E no caso de Bolonha, das Universidades ficarem atrás das outras

E mais, opinião dos alunos? Nada.
Pelo menos na minha nao pediram

Rakiely disse...

sim, que tudo é feito à pressa não é novidade para ninguém! Às vezes pergunto-me se esse comboio europeu valerá mesmo a pena ser apanhado

sim, a opinião dos alunos, que supostamente deveria de ter uma importancia relevante, não foi tida em conta

eu também não me lembro de ter sido questionada sobre o assunto, aliás..lembro-me de me falarem no assunto e me dizerem que era bom, mas apenas a nivel de compatibilidade com sistemas de ensino de outros países europeus

mas de que nos vale isso quando não temos o resto?! fazendo uma analogia muito 'pobre'..é quase como ter linha, tecido e fecho para fazer umas calças, mas não ter máquina de costura nem agulhas...

Francisco Castelo Branco disse...

Embora seja mais "europeu" este sistema, penso eu, nao é adequado ao sistema de ensino portugues...

Cada país deve ter um sistema diferente....

Consoante as suas necessidades

Criar sim, um movimento que possa de servir de intercambio

Cleopatra disse...

Humm,... estou para aqui a pensar que tenho de publicitar este Post!!

Francisco Castelo Branco disse...

E o que é que a Rainha do Egipto Antigo pensa do Processo de Bolonha?

Cleopatra disse...

Não sou muito favorável como deves calcular E por razões que aqui ainda não foram apontadas.
Mas, lá chegaremos Deixa primeiro falar quem sabe :-)

Francisco Castelo Branco disse...

Cleopatra..

Quem sabe?

virá aqui?

Francisco Castelo Branco disse...

A maioria das pessoas ligadas ao Direito foi contra.

E os professores tb.
Muitos deles.
Mas prevaleceu a vontade dos Srs. Reitores

Cleopatra disse...

LOL! Às voltas com as palavras??
:-))

Marta Sousa disse...

Há um grave problema. O sistema de Bolonha é muitas vezes deturpado nas universidades. Muitas instituições continuam a ter os dois sistemas em simultâneo, isso sim é insustentável para os alunos. Eu não estou a estudar neste momento em Portugal, no entanto tenho conhecimento que a aplicabilidade do processo de Bolonha em Portugal foi muito mais imediata e eficiente que em países como por exemplo a Espanha. Ainda hoje há uma discussão enorme no seio da comunidade académica espanhola e a bem dizer a maioria das universidades têm feito ouvidos de mercador à necessidade de aplicar o sistema. Em Portugal muitos professores pensam que o exame é meio indispensável de avaliação, pois bem em minha opinião pensam mal. Um exame não é nem por sombras o sistema de avaliação mais fidedigno, se assim fosse quando as pessoas fossem procurar emprego a entidade empregadora fazia um exame e a pessoa que consegui-se a nota mais alta era a admitida.

Marta Sousa disse...

Antes de mais estar em Direito não significa necessariamente formar advogados. O curso de Direito é muito mais que "fazer gente de batina preta",se assim fosse o curso não era Direito mas sim advocacia. 4 anos é um tempo curto? Digamos que é o tempo certo para se aprender os conteúdos essenciais. Os livros, as conferências, os colóquios, os congressos existem para serem frequentados. Neste momento estou inclusive a fazer algumas cadeiras de filosofia ao mesmo tempo que faço o meu curso, ou seja tenho tempo para tudo. O aluno do sistema antigo estava habituado a ficar parado na sala e tudo lhe vir parar à mão. O que este sistema vem trazer é a possibilidade do aluno ser mais auto-suficiente, ter um maior espírito de iniciativa. Não há curso que seja um bicho de 7 cabeças nem há cursos teoricamente mais difíceis que outros.

O curso de Direito é a par da Medicina e da Arquitectura os chamados "cursos especiais". Parece que neste país só quem acaba estes cursos é que tem mérito. Não existem cursos mais importantes que outros, cada qual com o seu grau de dificuldade e com a sua importância.

Francisco Castelo Branco disse...

Pois é

Em Portugal gostam de fazer as coisas á pressa, como já disse.
Na minha Universidade quando foi aplicado vigoravam os dois sistemas.
E houve pessoas começaram no antigo e apanharam o novo - como eu!

Em relação ao Exame, a avaliação contínua tem o seu quê.
Primeiro é dificil numa turma de 15\20 alunos fazer uma avaliação continuada e acertada a todos os alunos.
Então o que vai contar? Os testes feitos no período e a participação, sendo que a participação só será efectuado por alguns.
Também aqui Bolonha falhou.
Porque não deu tempo nem meios ás Universidades para se adaptarem a turmas com 7\8 alunos. E aí sim, o estudo era mais acompanhado e fazia-se uma avalição mais justa.

A avaliação tb ja existia no sistema antigo.
e tb era baseada nos testes!

Com Bolonha ou não, os testes são sempre o principal meio de avaliação nas A.C.
E depois tens o Exame onde aí sim, o professor afere da capacidade do aluno.
Porque não é só a questão do conhecimento. Tem a ver com organização, metodologia, capacidade etc....

Penso que estes itens não são "apreciados" nem fizeram com que os professores insistissem mais no processo de Bolonha

Agora diz-nos Marta como funcionam o curso de Direito aí em França....

Francisco Castelo Branco disse...

Marta,

é bem provavel que estejas a estudar numa realidade mais avançada

Mas eu durante o meu curso não tive uma unica conferencia, coloquio....
Mas isso é problema da Universidade

A grande questão dos 4 anos em Direito, é que invariavelmente ficamos sem cadeiras essenciais.
Mas isso tb depende da Universidade

Em geral, acho que com 4 anos,os alunos que terminaram a licenciatura após esses tempo, de certo que vão sentir necessidade de tirar um Mestrado.
Que não é mais do que um 5 ano.....
E não é só para Advogados, mas tb para Juizes e para quem quiser ser jurista.
Porque vão ser "comparados" aos que fizeram os 5 anos.

E isso em termos de mercado de trabalho é importante

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