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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Qual País?

Se a política foi inventada como forma de não sermos engolidos por um príncipe qualquer sem formação nem qualificação para exercer tal cargo, porque é que continuamos perdidos neste país onde parece que os males se dissipam com os discursos dos porta-vozes que não são mais do que proto-políticos desta aldeia tornada cidade pelo foral de um rei estrangeiro? Porque continuamos impávidos neste continuar Portugal em Estado sem graça, com uma economia que não poderá sustentar primos, sobrinhos e cunhados agora virados fidalgotes com vilas e palacetes perdidos pelas estradas de terra batida? Porque é que continuamos num país onde a política atrofia o génio, repulsa o ser criador, receia os processos recicladores do Homem, onde a política tem caras e nomes que se repetem por gerações e onde essa mesma política enclausura os indivíduos no complexo de inferioridade que é próprio do seguidismo?
Um país onde a democracia perfila-se entre dois partidos que mesmo separados levam ao mais do mesmo em sistema híbrido: multiparty system com laivos de two-party system, sem deixar de passar pelo dominant-party system quando as maiorias absolutas trazem alguns elementos dos avós da nossa história política. Porque em Portugal os conscientes nunca quiseram fazer política e os poucos que tentaram cedo se enojaram das teias a que eram conduzidos; talvez porque aquele fazer política que está apenas ligado à história da política que enoja o bom-senso e a ética, se perpetuam por entre os discursos dos medíocres que ainda vão formando certos sectores dos nossos partidos. Com o nosso barco pouco habituado a lutar contra as correntes só quando os ventos mudarem é que veremos mais alguma coisa, nem que seja quando até os tradicionalistas se prestarem a vender este bocado de terra a uma qualquer multinacional ou instituição intergovernamental que nos saiba governar, como gesto de uma enorme coragem nacionalista. No final, como próprio de um português revoltado e consciente, eu votaria sim nesse referendo.

4 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Existem bons politicos.
Ou melhor, pessoas com capacidade para nos governar.

Pena é que prefiram uma carreira profissional relaxada do que arriscar e tentar fazer o melhor pelo país.
Também sei que se ganha mal na politica e não há que correr riscos ao perder uma eleição do que perder o emprego.

Mas o que era correcto é ter uma carreira profissional e meter a sua experiencia ao serviço do dominio publico. Mas isso nos tempos que correm é dificil
Talvez daqui a uns anos quando a nossa classe politica de hoje , desaparecer.

Mas aqui e ali já se vai espreitando qualquer coisa.
Veja-se o exemplo de Pedro Passos Coelho.

O problema é que os de há 20 anos são de agora. E serão os de próximo 20 anos.

Fazer um referendo para que? para voltarmos á ditadura?

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

O referendo seria para vender a governação de Portugal a um qualquer organismo intergovernamental ou supranacional, o nome que quisessem dar. Até se podia chamar Junta de Salvação Nacional outra vez.

Francisco Castelo Branco disse...

Aí estariamos a recuar para uma nova ditadura......

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Não. Esses tipos dos organismos internacionais conhecem bem as regras do jogo democrático, da engenharia social e de todos aqueles conceitos de construção de estado

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