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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Portugal

Há uma grande falta de ambição. Há um espírito (ou espiritozinho) qualquer que teima em tolher-nos os passos. Este é um país que quer dar a vitória aos que gostam de ser pequeninos. E também aos que desejam ser grandes mas que não tendo capacidade para tal, se engordam pela força de empequenecer os outros, seja a que custo for.

Andar de joelhos e bater com a malga das esmolas na cabeça dos generosos tornou-se passatempo nacional dos incompetentes e medrosos que disfarçam os seus pequenos nadas sob uma capa de arrogância. Gente que vive e se multiplica com a rapidez dos cogumelos e a perniciosidade dos cancros. A caridade nada mais é, na maioria dos casos, que a expectativa de recolha posterior de benefícios - quanto maiores e mais depressa, melhor.

Precisamos todos, de estar mais atentos: atentos às necessidades dos que nos rodeiam e nos são preciosos, atentos às nossas próprias necessidades, atentos à denúncia do que está mal, atentos às propostas de melhoria, atentos aos abusos dos que nos travam e atentos aos movimentos opressores das patas que ilegitimamente se atrevem a oprimir-nos, mordendo-as e mastigando-as com gulosos e orgulhosos dentes, para que nunca mais consigam caminhar.

Sabe-se que a raiva e a fé são os melhores motores para remar contra a adversidade. Talvez tenha sido o recurso exagerado e cego à segunda que nos fez chegar onde chegámos. Muitas vezes, distraidamente ou por opção, tornamo-nos vacas e carneiros. Obedientes criaturas cuja uma face já não se distingue da outra face, tantas são as estaladas consentidas. Corpos e almas vergadas ao peso de autoridades sem mérito, que mudam as marés ao sabor das conveniências e das aparências. Carcaças para abutres que nos roubam um pedaço mais de carne. Vítimas de cientistas loucos que nos tratam as feridas com ácido, afirmando que é esse o melhor curativo.

Tão ou mais perigosa que a anarquia ou o desrespeito pelos valores morais e democráticos, é esta coisa muito portuguesinha do "deixar andar", triste sina de um povo que descobriu os tais "novos mundos para o mundo". Contra a carneirice, não terá chegado a altura de, sempre que for preciso, soltarmos o nosso lobo e construir, em alcateia, uma nova realidade, cuidando verdadeiramente de nós e dos nossos?

8 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Ainda sem ter feito uma leitura atenta e calma, acho que a falta de ambição ocorre mais nas pessoas mais velhas

Acho que na nossa geração as coisas ja estão a mudar e muito

Mas depois faço um comentario mais alargado

Ate logo

Francisco Castelo Branco disse...

Depois de uma leitura mais atenta, o que retiro deste manifesto é mesmo o segundo paragrafo...

"Andar de joelhos..." e eu acrescentava "pedir empregos, oportunidades e tachos..."....

É o que mais há neste país.
Seja em que sector seja

Infelizmente nem sempre a competência é o que prevalece.
Por isso é que depois reina a incompetencia nas empresas, partidos etc etc

expressodalinha disse...

E o que é chato é que é assim há 3 séculos, pelo menos...

Francisco Castelo Branco disse...

Pensava que as coisas ficaram piores com o 25 de Abril

Marta Sousa disse...

Desculpem lá, para ver se entendi bem: Francisco o que estás a dizer é que a mentalidade dos portugueses piorou do 25 de Abril?

Francisco Castelo Branco disse...

Naaaa

é que essa mentalidade é mais dos mais velhos. Da geração dos nosso pais e avós.

Não própria da nossa geração. Minha e tua.
Acho que os jovens já não são assim tão derrotistas e á espera que aconteça algo sentado no sofá.
São mais lutadores

Marta Sousa disse...

São mais lutadores sem dúvida mas...serão mais lutadores que os lutadores por essa Europa fora?

Francisco Castelo Branco disse...

Marta poderão não ser... para já!
Mas caminhamos nesse sentido, penso eu.
E temos que pensar que a nossa democracia ainda é jovem...

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