sexta-feira, 17 de julho de 2009

O Um é o Todo e o Todo é Um

Se o um é o todo e se o todo é um, na sociedade origina-se uma dada cultura e nessa cultura emergem subsistemas de ordenação e reordenação dessa cultura, que apenas podem ser espelho da mesma e da sociedade em que se originaram. Depois os subsistemas, tal como os indivíduos, são a soma desse conjunto sociedade-cultura mais as necessidades e arranjos do presente. Tal como a História tenta descrever o passado como um todo reportando-se ao conhecimento do presente, também os subsistemas só funcionam com essa sociedade e com essa cultura que o enformam somando as vicissitudes do presente.

A política como subsistema de ordenação justa da máquina estadual, está para a Nação como a saúde está para a mente; uma mente repleta de justiça é uma mente saudável. Por essas razões é que cada sistema democrático, ditatorial, autocrático, absolutista ou tirânico deve ser visto no seu espaço limitado pela sociedade e pelas culturas que o definem e não por leis gerais da natureza que possam ser aplicadas unidimensionalmente. Podemos fazer comparações, está claro, mas sempre com a pretensão de que essa comparação se tornará ridícula aos olhos de quem a destronará.

Podem passar o resto dos tempos a importar subsistemas formais e informais mas, a cultura e a sociedade em si estarão lá a enformar o mesmo subsistema importado, tornando-o único aos olhos da fonte exportadora, mas semelhante aos olhos da fonte importadora. É um jogo sistémico com duas direcções; o problema é que um qualquer subsistema demorará muito mais tempo a determinar a cultura, do que o contrário e, quando isso acontecer, já a cultura contaminou-o. Porque tudo é feito e gerido pelo Homem, o um que é ao mesmo tempo o todo.

É nesse equilíbrio que deve ser escrita a História, para que se busque a unidade do relato e para que se ultrapasse a ideia de que apenas as leis deterministas e gerais definem como se fazem as sociedades. Em cada equilíbrio da sociedade subsistem todas as unidades do todo e existe esse equilíbrio. As mudanças ocorrem dentro desse equilíbrio e reportam-se a modificações estruturais que redefinem o todo, transformando todas as unidades à sua semelhança. E neste estádio, nesta contemporaneidade, é ainda a política a única capaz de reordenar esses equilíbrios; ela não cria, apenas garante a justiça.

O problema coloca-se quando esses subsistemas se auto-inventam como cancros, produtos daquela matéria mal ingerida somada às micro-culturas que se repetem pelos tempos e que ditam as relações entre os indivíduos; as culturas apreendidas e repetidas em teias clientelísticas, de corrupção, de compra de poder, de influência ou de votos. Micro-culturas próprias dos partidos: das “escolinhas” para as juventudes partidárias às escolas para os seniores tornados barões e mandarins pelo “mercado dos votos” intrapartidário, parafraseando Max Weber. O problema coloca-se quando, ao somarmos os gastos dos subsídios e os ordenados da função pública à trafulhice da economia paralela que sobrevive à custa dos gastos públicos, ficamos com cerca de 75% do erário público à deriva, sem que o português comum perceba o seu lugar numa sociedade que, ao invés de buscar apenas a sobrevivência económica, passe a sonhar com a comunidade da ética, da justiça e do amor.

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Vamos ter de continuar a pagar impostos.

Com ou sem corrupção...

Isto é como num clube de futebol, não sabemos para onde vai a massa.

Tem a ver com questões culturais sim.
Por isso é que digo....

Bom tempos eram os de Salazar, em que não haviam estes problemas.

Agora pergunto eu : Liberdade ou rigor económico? que preferem?

Isto nao é exclusivamente portugues. É bom referir isso
Tem a ver com a liberdade cada vez maior dos governos nacionais não terem de prestar contas com os seus nacionais.
Imagino um escandalo ao que se passou em Inglaterra ha 2\3 meses!

Vou de coletivo! disse...

Olá!
Aqui quem fala é o Murilo, dos blogs Palavras de Osho e Os nascimentos das palavras.
Assim como você e dezenas e dezenas de outros amigos blogueiros, eu participava das blogagens coletivas do Tertúlia Virtual, belíssimo projeto de promoção de blogagens coletivas que infelizmente chegou ao fim em julho de 2009.
Para mim, a inicitativa do Tertúlia foi responsável pela realização de muitas das melhores blogagens coletivas da blogosfera em língua portuguesa.
A idéia de a cada mês reunir blogueiros em torno de um tema foi tão bem-sucedida que não podemos deixá-la morrer.
Para colaborar, lancei o Vou de coletivo!
Todo dia primeiro do mês será proposto um tema para ser abordado por blogueiros por meio de textos, imagens, vídeos e o que mais a criatividade permitir.
Assim que o tema do mês é apresentado, é aberta uma lista de inscrições. Basta você inscrever sua postagem que automaticamente será inserido um link para ela na relação de participantes. As inscrições ficam abertas o mês todo.
E você, gostou da idéia? Espero que sim!
Então não vamos perder o embalo. Logo sai o primeiro coletivo de 2009! Clique aqui e acesse o Vou de coletivo!
Abração!

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