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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Civilização, poder e conflito. (III)

Será conveniente a leitura das secções primeira e segunda deste texto.
Parte V
Nos dias que correm o Ocidente continua, apesar de tudo, a ser a civilização dominante. Uma questão que é importante levantar prende-se com a longevidade da Civilização Ocidental enquanto "civilização dominante". Muitos terão como certo que o Ocidente será eternamente a civilização que dominará o mundo, é legítimo que muitos tenham essa opinião mas não nos podemos esquecer que era essa mesma opinião que tinham os membros de todas as grandes civilizações do mundo e essas mesmas civilizações acabaram por ser destruídas. Temos consciência que o Ocidente conseguiu produzir processos de modernização e industrialização que se espalharam a todo o mundo o que fez com que as sociedades competissem com o Ocidente para assim tentarem chegar ao seu patamar. Será que todos estes processos de modernização lavrados pelo Ocidente serão suficientes para, por si só, legitimar a imortalidade do poderio da civilização Ocidental em relação às restantes? Será que o futuro da supremacia do Ocidente não será igual às restantes civilizações que acabaram por ser destruídas? Numa perspectiva muito pessoal julgo que o Ocidente terá o seu fim, e esse fim está próximo e será um processo bastante repentino. A História tem vindo a demonstrar que o processo de desenvolvimento do Ocidente é em tudo igual às civilizações que o antecederam. O futuro do Ocidente deverá ser inevitavelmente a sua queda enquanto civilização e o ressurgimento de civilizações como a islâmica ou asiática são disso exemplo. A nossa civilização encontra-se nesta altura numa fase de queda, sendo que as civilizações concorrentes representam uma ameaça séria. A possibilidade de poder vir a existir uma Guerra-Fria entre Ocidente e Estados-Núcleos de outras civilizações não é inevitável. Existe uma teoria defendida por Carroll Quigley que sustenta a hipótese da civilização ocidental cair progressivamente ao longo de décadas ou até mesmo séculos. Segundo Quigley o Ocidente está a sair de uma fase conflitual. A civilização Ocidental segundo o investigador está a desenvolver o equivalente a um Império Universal sob a forma de um complexo sistema de instituições. Assim sendo o autor defende que a Civilização Ocidental entrou numa fase de ouro que resulta do facto de não haverem conflitos intestinos na civilização. Nas civilizações anteriores à Ocidental, a designada fase de ouro terminava lentamente ou de forma repentina, no entanto o que é importante realçar é que todas as civilizações logo após a idade de ouro conhecem a idade das trevas ou seja uma fase de decadência profunda que leva ao fim da civilização. Assim sendo as civilizações desenvolvem-se porque dispõem de instrumentos de expansão que são a sua organização política, religiosa e militar. Quando algum destes três instrumentos de expansão não está devidamente afinado, assistimos à fase de invasão, ou seja, quando a civilização já não tem capacidade de defesa e deixa os "Bárbaros" provenientes de uma civilização mais forte e jovem tomarem conta das suas estruturas. Esta teoria coloca no meu ponto de vista algumas reticências que vale a pena explorar. Nem todas as civilizações têm os mesmos mecanismos, tudo o que defende Quigley é possível mas não inevitável. Apesar de todas as civilizações terem passado por processos de queda semelhantes não podemos formular uma teoria comum que seja causadora da queda de todas as civilizações que antecederam a Ocidental. Cada civilização tem um motivo específico para o seu fim e, na maioria das vezes, é um factor interno que leva à queda da mesma. Apesar de tudo o Ocidente continua a crescer economicamente (não tanto como as civilizações emergentes). Cada vez há melhores condições de vida nas sociedades Ocidentais (no entanto a natalidade passa por uma fase preocupante).
Conclusão
Assistimos na civilização ocidental a um forte declínio da identidade moral, cultural e civilizacional. O ocidente já não se reconhece em si mesmo, há uma mistura enorme de religiões, raças, crenças e filosofias. Não existe uma unidade, essa mesma falta de unidade poderá ser sem dúvida determinante para o fim da supremacia ocidental. Para terminar enumeramos os principais factores da queda de moral no ocidente:

· Aumento de comportamentos anti-sociais com crimes, droga, violência…

· Declínio da importância da família: taxas de divórcio, gravidezes de menores, famílias mono parentais.

· Diminuição do capital social.

· Enfraquecimento geral da ética do trabalho.

· Menor empenhamento no saber e na actividade intelectual.

Bibliografia:

· FUKUYAMA, Francis, The end of history, The National Interest,1989.

· CHOMSKY, Noam, Hegemonia ou sobrevivência: O sonho americano de domínio global, Ed. Inquérito, 2007.

. HUNTINGTON, Samuel, The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, Simon & Schuster, 1998

Trabalho desenvolvido por Marta Sousa em 20/06/2009.

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Marta
em primeiro lugar Parabens pelo teu trabalho

E deixa-me agradecer por o teres publicado no Blogue!
Aqui vai uma palavra de agradecimento.

Tu achas que vai haver uma guerra de civilizacoes?
So porque o Ocidente se acha melhor e maior?

Nao e no ocidente que estao a maioria das democracias?
Acho que o Islao tem muito a aprender connosco

Anónimo disse...

o Clash of Civilisations é um livro absurdo. Tens na bibliografia o Chomsky e depois aparece o Huntington? enfim...
Tenta ler Arjun Appadurai.

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