quarta-feira, 1 de julho de 2009

Civilização, poder e conflito. (II)

Será conveniente a leitura da parte primeira do texto que pode encontrar clicando AQUI
Parte terceira
Esta ameaça de perda de hegemonia do Ocidente é tida em conta pelo mesmo, assim parece haver uma necessidade do mundo Ocidental se proteger face à ameaça das civilizações competidoras. O sentido proteccionista do Ocidente vai obrigatoriamente fazer com que algumas sociedades menores gravitem em seu torno (veja-se o exemplo da América Latina), já outras como é exemplo a sociedade islâmica, vão procurar contrabalançar a hegemonia do Ocidente opondo-se fortemente às pretensões do mesmo. Procedem antes de mais através da procura de armamento para fazerem valer a sua força dado que, na realidade, ainda são as armas quem dita quem é o mais forte. Assim, estão totalmente criadas as condições para uma tensão forte entre as civilizações. Os sucessivos episódios de testes nucleares que a Coreia do Norte pratica hoje em dia são não mais que uma Guerra Fria em pequena escala mas que poderá ser muito mais perigosa que a que se começou a desenrolar nos anos 50.
Parte Quarta

Com o final da Guerra Fria, muitos foram os teóricos que falaram numa paz mundial ou até mesmo "paz eterna", esses senhores certamente esqueceram-se que os EUA existiam. É impossível existir paz enquanto existir uma potência que baseie o seu desenvolvimento económico na guerra. Muitas foram as teorias desde as mais leves às mais radicais como a proclamação absurda do fim da História de Fukuyama. Julgo que não será surpresa para ninguém se disser que grande parte dos conflitos pós Guerra Fria foram desenrolados na Europa. O velho continente foi palco de conflitos que vieram provar por A+B que a teoria do fim da História era totalmente absurda. É incontestável que o fim da Guerra Fria trouxe algumas mudanças naquilo a que vulgarmente chamamos de "Ordem Global" no entanto essas mudanças não são sinónimo de pacifismo. É típico do Homem pensar que quando acaba um grande conflito haverá um período de paz, na realidade a História prova que isso não acontece nunca.

Os conflitos de hoje são maioritariamente de ordem cultural, económica e social. Existe um clima de grave crise entre o bloco Ocidental (dos países desenvolvidos) e os restantes. O ocidente para evitar um conflito em grande escala entre Mundo Desenvolvido e Mundo Subdesenvolvido o que tem feito é subjugar os países mais atrasados à sua própria vontade. Faz tempo que as colónias foram descolonizadas politicamente, no entanto do ponto de vista económico, a colonização ainda não findou. Assim como o a terra gravita à volta do sol países como o Sudão gravitam em torno do Egipto, o Egipto gravita em torno da Inglaterra e, em última análise, a Inglaterra gravita em torno dos EUA. Apesar do que se possa pensar as tensões são muito mais latas que apenas entre o bloco desenvolvido e os blocos em vias de desenvolvimento. Dentro do bloco desenvolvido há constantes guerras económicas intestinas. Já não é necessário armas, as bombas atómicas da actualidade são os bancos e as bolsas de valores.

É pois necessário que as forças de integração no mundo sejam mais reais e equilibrem as tendências conducentes à afirmação cultural e à consciência civilizacional.

Continua...

5 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

"Os sucessivos episódios de testes nucleares que a Coreia do Norte pratica hoje em dia são não mais que uma Guerra Fria em pequena escala mas que poderá ser muito mais perigosa que a que se começou a desenrolar nos anos 50"

Não acredito em mais uma guerra de grande escala. Nos tempos que correm a via do diálogo ainda se sobrepoe á das armas.
Felizmente para nós.
Penso que os tempos de guerra mundial e de conflitos permanentes, acho que acabaram. Pelo menos na Europa...


A sociedade Islâmica tem pouca força. Comparada com o resto do Mundo.
Nunca eles se atreverão a entrar na China ou Russia.



"esses senhores certamente esqueceram-se que os EUA existiam. É impossível existir paz enquanto existir uma potência que baseie o seu desenvolvimento económico na guerra"

Aí está uma parte que discordo totalmente. E que nos leva á discussão do teu post anterior.
Os EUA não tem o seu desenvolvimento económico na Guerra.
Nem mesmo politico.
Os EUA salvaram a Europa de Hitler, o Kuwait da tirania de Saddam, e a luta contra os Talibas continua.
Os EUA defendem a democracia e a paz.
É injusto apontar o dedo aos EUA quando se trata de encontrar um balanço na terra. E que os EUA são responsaveis por tudo. Principalmente com W.Bush.
Queria ver se não existisse EUA mas sim uma Segunda China ou um país islamico daquele lado, como estaria hoje o Mundo....

"que não será surpresa para ninguém se disser que grande parte dos conflitos pós Guerra Fria foram desenrolados na Europa."

Que conflitos foram desenrolados na Europa pós Guerra Fria?
Nao me lembro de nenhum.....


"Já não é necessário armas, as bombas atómicas da actualidade são os bancos e as bolsas de valores."

Faz todo o sentido que seja. Se dependemos do banco para comprar uma casa, ou obter crédito, porque não haverá este sistema entre países?
Até vejo de outra forma. Uma forma solidária. Que tem o condão de poder evitar conflitos.
A nova ordem Mundial é assim. E tem que ser assim. Todos têm que ajudar e ser solidários. É assim que o Mundo funciona.
Daí que esta crise seja global....
Mas quando perde um, perdem todos....

Marta Sousa disse...

Meu caro Francisco também ninguém acreditava que a maior potência do mundo fosse atacada no dia 11 de Setembro de 2001. Tudo é possível, no mundo há doidos para tudo e o actual presidente norte-coreano é talvez o líder mundial mais perigoso.

"Os EUA salvaram a Europa de Hitler, o Kuwait da tirania de Saddam, e a luta contra os Talibas continua." O que dizes não implica que baseiem o seu desenvolvimento económico na guerra, antes pelo contrário. Os EUA só começaram a ser potência a partir do momento em que começaram a fazer da guerra a sua principal fonte de desenvolvimento, assim como todas as outras super-potências anteriores.


Conflitos na Europa pós-guerra:
*Guerra dos Balcãs
*Conflitos religiosos na Irlanda do Norte
*Conflitos políticos no País Basco
*Nova Guerra Fria
*Conflito na Ossétia do Sul
*Conflito na Tchetchênia
*Conflito Cipriota

Há muitos mais mas neste momento foram os que me vieram repentinamente à cabeça. Refresca lá um bocadinho a memória que vais encontrar mais uns 10 para além dos que enumerei.

Francisco Castelo Branco disse...

Mas esses conflitos não podem ser vistos como fazendo parte de uma guerra Mundial...

São casos "nacionais" ou "nacionalistas"....

Não implica que tenhamos uma Guerra Mundial por causa da ETA ou dos Ossetes...

Marta Sousa disse...

Foi um tiro na cabeça do arquiduque Francisdo Ferdinando (herdeiro do trono austro-húngaro) que fez desenrolar a III Guerra Mundial. Era um caso nacional também...

Francisco Castelo Branco disse...

Marta

Nos tempos que correm existe a ONU, NATO, UE....

A via diplomática é hoje a "arma" fundamental.

Até porque esses conflitos foram de curta duração...

Ou tb não acreditas nestas instituições?

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