terça-feira, 19 de maio de 2009

Welcome Brasil Foods



A manchete que hoje povoa os jornais, telejornais e portais de internet no Brasil é: Perdigão e Sadia assinam acordo de fusão.

Esta fusão resultará na Brasil Foods (BRF), a décima maior empresa de alimentos das Américas e a segunda maior empresa alimentícia do país.

Serão ao todo 119 mil funcionários, 42 fábricas, mais de R$ 10 bilhões em exportação por ano (cerca de €3,5 bilhões) e um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões (aproximadamente €7,5 bilhões). Definitivamente, uma gigante!

O contrato de fusão só foi assinado ontem à noite, mas mesmo assim as ações das duas dispararam na Bolsa de Valores de São Paulo, em um dia que o IBOVESPA[1] subiu 5%. Aliás, na primeira quinzena de Maio, apenas com os rumores do negócio, o valor de mercado de ambas subiu cerca de 13%. O anúncio oficial da fusão acontecerá às 10h30min da manha (horário de Brasília) em uma coletiva de imprensa.

Muito embora o contrato tenha sido assinado, o negócio ainda não está por todo concretizado, pois a fusão ainda deve ser analisada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) [2] e pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) [3].

Sem sombra de dúvida, este negócio favorece bastante o Brasil, no sentido em que se cria mais uma multinacional para angariar divisas para o país.

Por outro lado, o seu efeito para o mercado interno não tende a ser dos melhores, juntas, Sadia e Perdigão, concentram 83% do mercado de frios e congelados no país, o que pode elevar o preço do produto, de modo que esta fusão será um grande desafio para o CADE.

Espera-se que o CADE faça as duas empresas assinarem um APRO (Acordo de Preservação de Reversibilidade da Operação). Ou seja, que as marcas e as operações das empresas sejam mantidas separadas enquanto a fusão não é completamente aprovada, podendo até ser determinada a venda de algumas marcas das empresas, como aconteceu com a fusão da AMBEV (que hoje é Anheuser-Busch InBEV), onde se determinou que a marca Bavária fosse vendida.

Os produtores de suínos e aves estão preocupados, porque haverá perda no poder de barganha no momento de negociar preços e custos.

Já alguns empresários dizem que não haverá problemas com os preços, que se aumentarem demais, o mercado se encarregará de trazê-los ao patamar normal. Só que eu fico na dúvida: como é que o mercado regula um setor que só terá praticamente uma empresa?

Temos que analisar os dois lados da moeda, se você é investidor e apostou nas ações dessas empresas, parabéns, você se deu bem. Se você é só consumidor, que pena, se deu mal, a sua pizza comprada no supermercado ficará mais cara.

Quanto a mim, bem, não investi em nenhuma das duas (que droga!), mas em compensação a pizza que eu gosto é de outra marca: a Batavo.

Larissa Bona

[1] Índice da Bolsa de Valores de São Paulo
[2]
Órgão fiscalizador do mercado acionário no Brasil
[3]
Órgão de defesa da concorrência

3 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Fica apenas uma Multinacional neste campo.
Não há concorrência
Os preços subirão, haverá menos compra nesta empresa.

É assim?

Larissa Bona disse...

É assim que os empresários raciocinam. Ai dizem que surgirão novas empresas com produtos mais baratos para aproveitar o nicho deixado pelos altos preços. Tudo bem isso eu posso visualizar. Mas e a qualidade do produto? São tantas as questões...

Francisco Castelo Branco disse...

É de supor que a qualidade do produto seja grande.

Se existe fusão, é para fazer o produto melhor.

E mais acessivel aos consumidores

Boa perspectiva

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