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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Portugal: A crise da salvação.

Somos à entrada na segunda década do século XXI um país atrasado e sem uma sustentabilidade própria. Se nos envergonhávamos de ser cauda da Europa quando esta ainda era dos 15 agora, em plena Europa dos 25 antes de escondermos a cara de vergonha devemos sim procurar soluções viáveis para ultrapassarmos os problemas que se nos colocam.

Somos um país que apesar de tudo tem-se conseguido modernizar no entanto Portugal parece querer apenas viver para o imediato não meditando a longo prazo. O exemplo mais crasso de tudo isto é a imensidade de obras públicas que o Estado português tem vindo a fazer de alguns anos a esta parte. Não é uma questão de partidos, é muito mais que isso, também não é uma questão de pessoas capazes ou menos capazes. O essencial é a existência de uma mobilização social e uma fortíssima aposta na educação, aposta essa que não tem sido suficiente apesar de existirem alguns progressos nessa mesma área. A evolução de Portugal parece ser realmente efectiva quando saímos à rua nos dias de hoje e nos lembramos como era Portugal à 10 ou 20 anos atrás. A cabeça dos portugueses é que parece que não mudou assim tanto quanto seria de esperar: continuamos a ser um povo saudosista, um povo profundamente conservador e que se lamenta e chora mas que efectivamente não coloca as mãos à obra para trabalhar. Ao longo da nossa história tudo nos caiu do céu, limitamo-nos durante muito tempo (durante os séculos XV e XVI) a ser merceeiros e nada mais. Assim sendo aquele que encaramos como sendo o momento áureo da nossa história é não mais que o momento da nossa queda, queda essa feita a pique até à entrada na CEE. A quando da entrada na CEE fizemos exactamente o mesmo que nos séculos XV e XVI, o dinheiro veio e foi gasto ao desbarato em alcatrão quando seria inteligente gastar esse mesmo dinheiro em auto-estradas de cérebros ou seja na educação.

O atraso de Portugal não pode ser visto como falta de oportunidades de evolução mas antes pelo contrário: pelo excesso, pela abundância, por estarmos eternamente à espera que tudo caia do céu. Deveríamos portanto olhar para a crise de uma forma diferente tentando encontrar na mesma aspectos positivos. Talvez com as dificuldades permanentes que este tempo nos coloca aprendamos a ser melhores gestores em tempos de abundância. Necessitamos de um espírito “Euro 2004” aplicado não à selecção mas sim a todo o país.

André Rocha, 10 de Maio de 2009

4 comentários:

Olavo disse...

Passando para desejar uma otima semana..
Abraço

Francisco Castelo Branco disse...

André

bom texto
Concordo.

Um dos problemas de Portugal é não saber aproveitar os recursos que tem.
De não ter aproveitado os "dinheiros" provenientes de Bruxelas.
Agora essa "massa" vai para a Rep.Checa, Polónia etc

Um bom exemplo deste desperdicio são as pescas. Enquanto que os espanhois aproveitaram o dinheiro para renovar a frota, os portugueses preferiram comprar ferraris e mercedes.

Mas o problema é que a nossa classe politica não mostra o exemplo.
Nomeadamente os PM. Seja quem for.
Após Barroso não temos tido uma politica estavel, segura e confiante. Andamos ao sabor das eleições, do que os jornais escrevem, daquilo que o povo protesta.

Cada um pode fazer por si pelo país.
Mas quem nos governo tem de dar o exemplo a seguir.

expressodalinha disse...

Como sempre tenho dito e aqui aparece enfatisado, a crise e défice português começaram com D. João V, sendo certo que já havia índicios da doença aquandao da embaixada ao Papa no tempo de Manuel II. Será genético? Não seria melhor entregar o caso a cientistas ou mesmo médicos, em vez de políticos?

Francisco Castelo Branco disse...

Mas é esse descrédito que temos em relação aos politicos que depois nos faz desacreditar no país e depois em nós próprios...

E quem é responsavel pelos politicos estarem lá? Somos nós!
Nós é que elegemos os politicos
Eles estão lá por nossa causa.

Não podemos quer um dia uma coisa, no outro uma coisa diferente...

Estar sempre a mudar nao resulta

veja-se o caso do Benfica...

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