sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Que Não Tem Decência Nem Nunca Terá

Recebi, ontem, um telefonema. Atendi-o primeiro como indivíduo. Quando entendi que era para mais uma sondagem, desta vez para um órgão do Estado descentralizado, passei a entendê-lo como cidadão, não porque seja um acto cívico responder a sondagens, mas apenas porque a curiosidade aguça o engenho, elemento essencial de uma pertença estadual e democrática.

A entrevista, dos elementos que consegui reter, e de alguns conhecimentos que adquiri na área, não passou de uma simplificação que os actuais refazedores do Estado aplicam ao conceito de opinião pública, centrando-o nos números de uma qualquer liberdade poética.

No final perguntei se a dita sondagem estava a ser conduzida pelo pessoal técnico-público, ao que me foi respondido, em linguagem outsourcing, que era uma empresa a conduzir o mesmo a mando do tal órgão público. Não digo que órgão público era pois o que importa é que este exemplo se multiplica em tempos de campanha política. Os partidos no governo dos órgãos públicos utilizam os recursos de todos, para o melhoramento do seu programa político. O uso destes recursos em estudos, quer feitos por empresas contratadas, quer por pessoal administrativo a mando do chefão politizado ou do quadro posto pelo partido, permanece realidade do que não tem decência nem nunca terá, do que não tem vergonha nem nunca terá!

4 comentários:

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

p.s. este é o meu primeiro post. Obrigado pelo convite e espero vir a enriquecer o painel! abraço

expressodalinha disse...

Bem vindo ao blogue. O prazer é nosso. Isto está cada vez mais animado. Quanto ao post, é a política do call center, tailor made em linguagem eleitoralista. Isto está tudo a ficar uma confusão. Ainda acabo por me converter a uma religião qualquer!

Bruno Gonçalves Bernardes disse...

Se for à religião da dúvida e da incerteza, já seremos dois.

Francisco Castelo Branco disse...

Bruno, excelente entrada

Concordo com o expressodalinha. É a politica do call center.

Pior, é que a continuar já nem nas sondagens devemos acreditar, pois cada uma funciona á sua maneira.

Não sei porque ainda se dão ao trabalho de fazer estes estudos , se o resultado é encomendado

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