Etiquetas

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O meu 25 de Abril

Tendo 24 anos e não tendo vivido a Revolução por dentro, a minha pesquisa sobre o assunto resume-se a reportagens, leituras, comentários e pouco mais. Mas como qualquer bom cidadão tem que conhecer a história do seu país. É importante falar do 25 de Abril como se o tivesse vivido. E é isso que o vou fazer.

Como pessoa que gosta de opinar, criticar, escrever sobre o que se passa á nossa volta, a liberdade para mim é um direito fundamental. Mas é importante conhecer os factos históricos e ouvir os dois lados da "barricada". Para quem não viveu o acontecimento "por dentro"....

É um facto que viviamos em Ditadura. Não havia liberdade de expressão, de reunião, de imprensa, de opinião. Mas também não é menos verdade que dadas as circunstâncias históricas naquela altura talvez fosse essa a melhor solução para o país. Porque após os sucessivos governos da I Republica, alguém tinha de meter ordem no país. Politica e economicamente. Foi isso que Salazar fez. Salvou o país da bancarrota e deu ordem e estabilidade a Portugal. Convém referir que na altura meia Europa vivia sob regimes ditatoriais. Aquando da Guerra Civil de Espanha, Salazar meteu-se do lado do provavel vencedor e assim evitou que o mesmo se passasse no nosso país. E outra coisa: Conseguiu negociar "inteligentemente" a neutralidade portuguesa na Guerra Mundial. Penso que só um bom politico e interessado no seu país conseguiria isto.

Também há que reconhecer a Salazar a manutenção dos valores nacionais e o orgulho de ser português durante muito tempo. Hoje assiste-se a uma quebra desses valores e um quase desprezo por "ser português" e "por falar a língua de Camões". Os "outros é que são bons...", é uma frase que costumo ouvir muito no nosso país. Nunca como hoje se assiste a uma auto-punição nacional e a uma falta de amor a Portugal.

Com a democracia veio a liberdade, a entrada de produtos estrangeiros em Portugal, a adesão á União Europeia e a economia de mercado. Tudo conquistas provenientes do 25 de Abril. Mas com a democracia veio também a corrupção, o pessimismo nacional, o descrédito da classe politica, a falta de interesse dos portugueses pela politica e pelo seu país, os escandalos politicos e económicos.

E a verdade é que ao fim de 30 anos de democracia, e quase 40 da morte do Ditador, continuamos a falar em Salazar. Para o bem e para o mal. Especialmente as gerações mais velhas têm um sentimento de "saudade". Pudera com o estado em que se encontram os politicos.

Não precisamos de um Salazar "democrático", nem de um Obama. Também não é necessário "Outro 25 de Abril?" , nem de "25 de Abril Sempre?", como os meus amigos quiseram nos posts anteriores.

Precisamos é de alguém que nos faça acreditar que somos capazes, tão bons ou melhores que outros e que temos qualidades humanas e fisicas (enquanto País e povo) excelentes.

É preciso um Portugal virado para o futuro.....

8 comentários:

ellen disse...

Sim, é preciso um Portugal virado para um futuro...
mas que futuro? com as cabeças que o governam? novos ricos, meninos da mamã, que nunca souberam o que era dificuldades? esses são os "faz o que eu digo mas eu não faço o que te digo" (ditado inventado agora rsssss)

Para mim não sei se o 25 abril foi bom... fui uma das que não passei dificuldades no passado porque era pequena e ricasim, mas em princípios educativos, e sei que HOJE, SIM, estou antes 25 Abril!!!... é triste!

Não acredito num futuro melhor, infelizmente ...

ellen disse...

e rica sim (errata)

expressodalinha disse...

O problema é que, em democracia, os governantes são o espelho do povo que governam. Em ditadura a regra é outra, até porque depois não deixa ver o espelho. O nosso espelho está muito embaciado e somos nós que o embaciamos. Não há homens providenciais. Há falta de cultura política e de participação cívica. Somos assim!

Francisco Castelo Branco disse...

ellen
estás antes do 25 de Abril porque?

expressodalinha disse...

Mudar de regime não significa só por si a garantia de felicidade. Um regime tem de provar a eficácia, principalmente económica. Este não está a garantir. A verdadeira revolução foi a entrada na Europa!

Francisco Castelo Branco disse...

Mas era suposto com a democracia as coisas mudarem

O problema não é da democracia. Mas de quem a representa. E essa está nas mãos das pessoas . Através do voto

Rui Moura disse...

"Precisamos é de alguém que nos faça acreditar que somos capazes"

Completamente errado, Francisco! É por se esperar que alguém faça algo por nós, que não conseguimos fazer melhor. A frase certa é:

"Preciso de acreditar que sou capaz!" OU

"Cada portugês precisa de acreditar que é capaz!"

Capaz relaciona-se com capacidade, e capacidade é antónimo de mesquinhez, conservadorismo, pequenez e inveja social.

Abraços abrilistas!

Francisco Castelo Branco disse...

Rui Moura

A expressão é usada para que tenhamos um politico, um PM capaz de ser sério, que se comprometa, que faça este país ir para a frente.
Porque alguém tem de nos liderar.

Porque por muito que o individual, isto é, cada um de nós faça o seu, conquiste a sua "fama" , um país, uma sociedade tem que trabalhar em grupo. Em trabalho de equipa.
E para isso é necessário um Obama...

Share Button