terça-feira, 21 de abril de 2009

Liberdade, ainda que tardia

Hoje, 21 de abril, é feriado no Brasil em virtude da morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes – alcunha recebida por conta de uma de suas inúmeras profissões: dentista.

Ele é mártir da Inconfidência Mineira, que foi uma tentativa de revolta contra a Coroa portuguesa, em 1789, na capitania de Minas Gerais, devido à cobrança da “Derrama” por Portugal.

A metrópole estabeleceu que o Brasil era obrigado a entregar 1.500kg de ouro por ano para Portugal, independemente da real produção de ouro. O problema é a população não conseguia atingir a meta da Coroa, porque a produção estava em declínio, e era aí que ocorria a “Derrama”, que era uma cobrança forçada de impostos atrasados, com confiscos de bens e ouro da população.

Obviamente, a elite mineira foi a mais afetada, por isso, começou a reunir-se e a conspirar contra Portugal pela a independência de Minas Gerais (observem bem, era a independência só de Minas e não do Brasil).

Estava tudo planejado, Minas Gerais seria um país independente, com um governo republicano nos moldes dos Estados Unidos, sem a intenção de abolir a escravatura, pois os inconfidentes, como eram chamados, eram os detentores dessa mão-de-obra.

Também já tinham discutido como seriam as leis e a ordem jurídica daquele novo país, inclusive, até a bandeira já tinham: uma bandeira branca, com um triangulo verde e a inscrição latina Libertas Quae Sera Tamen (liberdade ainda que tardia). Atualmente, é a bandeira do Estado de Minas Gerais, só que com um triangulo vermelho.

Ocorre que o movimento foi traído por Joaquim Silvério dos Reis em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa. Todos os líderes do movimento foram presos, mas durante o inquérito policial, todos negaram participação no movimento, menos Tiradentes, que curiosamente assumiu a responsabilidade de chefe do grupo (será que ele fez isso por heroísmo ou assim consta nos autos porque ele era o único pobre do movimento?).

Doze inconfidentes foram condenados a morte pelo o crime de inconfidência (traição) à Coroa portuguesa, mas no dia seguinte, a pena deles foi comutada, por meio de decreto de D. Maria I, para degredo nas colônias na África, menos a de Tiradentes, o único pobre, que foi enforcado, esquartejado, seu sangue lavrou a certidão de cumprimento de sua sentença, seus restos mortais espalhados pelas estradas de Minas Gerais, sua cabeça exposta em praça pública, sua casa arrasada, até jogaram sal sobre o terreno para que nada nunca mais lá germinasse, sem falar que seus descendentes foram declarados todos infames pelas autoridades portuguesas.

Tiradentes sempre foi visto como a escória do Brasil até a proclamação da República, até porque os dois imperadores do Brasil eram neto e bisneto de D. Maria I, que foi quem sentenciou sua morte. Mas com a República, ganhou o status de Herói Nacional e Patrono Cívico do Brasil, tanto que sua imagem é sempre retratada com barba, cabelos longos e um camisolão, ao estilo de Jesus Cristo, quando na verdade, ele nunca teve essa aparência, já que também era militar e na prisão sempre raspavam a cabeça dos presos para evitar piolhos, sem falar que a barba longa atrapalharia a execução do enforcamento.

Agora me pergunto, será Tiradentes um mártir voluntário? Ou foi a sua condição social que lhe impôs uma morte tão cruel? Se ele fosse rico, também seria exilado para a África? E a nossa liberdade? É liberdade mesmo, ainda que tardia? Só suposições.

Larissa Bona

Fonte: www.wikipedia.org

* Pequena curiosidade: a tetraneta de Tiradentes recebe uma pensão especial da previdência social brasileira no valor de R$ 200 (cerca de 65€) instituída por meio da Lei Federal nº 9.255/96, cuja natureza jurídica chegou até a ser questionada no STF!

1 comentário:

aninhas disse...

Muito curioso!

kisses and hugs

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