quinta-feira, 23 de abril de 2009

Abril outra vez?

O povo português é nostálgico por natureza. “Antigamente é que era…”, não poucas vezes se ouve alguém dizer. Mas será que é mesmo preciso um novo Abril? Talvez. Não sei. Quem sabe? Uma coisa é certa, desde aquela madrugada de Abril de 1974 o país mudou. Mudou de uma forma irreversível. Evoluiu? Talvez. Não sei. Quem sabe? Creio que desde então a nossa democracia tem vindo a perder qualidade. Vê-se isso no interesse que os cidadãos demonstram em altura de eleições, nota-se isso no contributo que prestam para que a qualidade da democracia aumente, mas acima de tudo, nota-se de forma gritante na qualidade dos nossos políticos. Salvo em raras excepções, pode-se dizer sem que haja motivos de grande controvérsia que a generalidade dos políticos que ocupam cargos públicos é de qualidade muito duvidosa, para não dizer medíocre. Não quero com isso dizer que não há bons políticos, mas a verdade é que poucos têm o carisma, o dom da palavra ou a credibilidade que entusiasmam e fazem com que os cidadãos os sigam e neles acreditem. Muito se falou e fala no “efeito Obama”, mas acho “tristes” as tentativas de imitação daquele que é provavelmente a maior lufada de ar fresco dos últimos 10 anos. A eleição do novo presidente norte-americano foi uma espécie de 25 de Abril à americana? Talvez. Não sei. Quem sabe? Só o tempo dirá. Mas voltando à nossa triste realidade temos que nos contentar com a mania do nosso primeiro-ministro, que está convencido que é intocável, com a arrogância do ministro dos assuntos parlamentares, que parece que está no parlamento todos os dias para lembrar todos os deputados que têm uma opinião diferente da do governo de que são mentecaptos, com o mimetismo do ministro da presidência com a falta de tacto da Dra. Ferreira Leite, em quem muitos depositaram grandes expectativas e não parece ser capaz de corresponder (será um flop?), com a eternização de Paulo Portas (alguém o consegue levar a sério?), com a “lata” de Francisco Louça (pese embora não tenha telhados de vidro, isto não significa ser correcto andar a atirar pedras aos dos outros). Como disse no início, o povo português é nostálgico por natureza e eu, enquanto português, também o sou… Sá Carneiro, Mário Soares (nos seus tempos áureos, não o de agora), Cunhal…. Todos símbolos de uma geração que apesar de não ter vivido o frenesim do pós Abril, bem sabe o que esses nomes representam. É de figuras dessa envergadura e desse carácter que este país precisa, principalmente nesses tempos conturbados de crise, incerteza, insegurança. Não um Messias, nem um Dom Sebastião, mas sim alguém em quem possamos acreditar. Virá alguém? Talvez. Não sei. Espero que sim.

3 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Por alguma razao ainda se fala muito em Salazar, quer para o bem quer para o mal

Francisco Castelo Branco disse...

Abril outra vez nao!

Mas uma reformulacao dos nossos politicos sim! Mas isso passa pelos portugueses. Pelo voto. Pela mudanca

Anónimo disse...

bom texto, e que tal lá tu porque não ?

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