domingo, 15 de março de 2009

OLHAR A SEMANA - DESEJO DE MUDANÇA

As coisas começam a mudar. A crise vai alterando mentalidades. Os paradigmas curriculares estão em franco ajustamento. Como já aqui referi, quem não tiver cadastro não é qualificado para quadro superior de uma qualquer empresa cotada em bolsa. Pior, a crise da justiça, de que tanto se fala, tem efeitos perversos. De facto, a demora nos processos impede que se julgue atempadamente uma fraude ou um simples abuso de confiança, impedindo a condenação e a consequente qualificação como potencial quadro de valor acrescentado. É o mercado de trabalho que perde e a economia que fica prejudicada.
Outra coisa que começa a mudar é a nossa percepção quanto a eventuais luvas ou tráfico de influências que durante anos estigmatizaram presidentes das autarquias ou mesmo ministros. Afinal é tudo tão relativo! Que mal fizeram esses pobres diabos ao pé dos Madoffs ou dos Oliveira e Costas?! Criaram empregos, dinamizaram as empresas, estimularam a economia. Apenas se pede que a justiça, mais uma vez, seja rápida na condenação para que esta gente possa manter os estimulantes curricula e para que, em ano de eleições, se possa premiar quem tanto lutou pela sua terra.
Também o PIB (Produto Interno Bruto), que tem servido para atestar o desenvolvimento de um país, está em crise. Esta coisa de números muito exactos, indicadores quantitativos, valores de exportações, importações, produtividade, juros, spreads… tudo isto começa a ser posto em causa. Começa a aparecer a noção de Felicidade Interna Bruta (FIB). O que é? Ninguém sabe bem, o que é uma enorme vantagem quando se está em crise. Saber as coisas com exactidão é um problema. Habituamo-nos às certezas quando tudo é incerto. As pessoas fazem afirmações para no dia seguinte as verem desmentidas. A credibilidade fica definitivamente abalada. Agora Felicidade Bruta…? Como se consegue medir o nível de alegria? Como se quantifica a tristeza? Como é possível pesar os afectos? Medir os sentimentos? Garantir o pleno desempenho sexual? Como mensurar o prazer? Mesmo com fome não podemos estar felizes? Não estaremos a comer demais? E andar a pé não é mais saudável? Dizer bom dia ao vizinho ou cumprimentar o carteiro não é mais salutar do que mandar à merda o automobilista do lado? E se a felicidade for mesmo dos pobres de espírito? Pois é as coisas estão a mudar e nós temos de mudar com elas.
Jorge Pinheiro

7 comentários:

Chica disse...

Realmente temos muito a desejar que mude por aqui e no mundo inteirinho.Há tanto a fazer e repensar! Um abraço e muito bom desejo esse1 chica

José Jaime disse...

D ignidade
E eperança
S abedoria
E xperiencia
J ustiça
O portunidade.

Abraços
José Jaime

Francisco Castelo Branco disse...

Penso que esta crise vai tirar o melhor do nosso pais.
A mudança de mentalidades e politicas.
Se calhar com esta crise vamos aprender muito...

Milouska disse...

Oxalá que sim, Francisco!
Acho que o seu desejo é compartilhado por muitos de nós!
Um abraço,

Milouska

expressodalinha disse...

Se aprendermos a não ser parvos já não é mau!

Sol disse...

Expresso: acreditas realmente que vamos conseguir aprender isso? Acabava-se com a mística do país... lol

expressodalinha disse...

Sol: mas esta análise é internacional, pelo que ainda corremos o risco de ser os melhores alunos da Europa: os parvos graduados!

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