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domingo, 14 de dezembro de 2008

OLHAR A SEMANA - ORÁCULO GREGO

O modelo de desenvolvimento baseado na democracia, na economia capitalista e nos combustíveis fósseis não vingou. Estamos a assistir ao estertor desse modelo. Poderá demorar 1ano, 2 anos ou mesmo 10 anos, mas este sistema, tal como o conhecemos, esgotou-se. Esgotou-se e deixa pesada herança às gerações vindouras.
A democracia, afinal, é um mar de corruptos num oceano de vergonhosas negociatas e tráfico de influências. Os partidos políticos são uma corja de inúteis que asfixiam a vida política na sua ânsia de obter sinecuras, criando um monopólio de poder só para eles. A caça ao voto é um espectáculo degradante de verborreia oca em que o cidadão é apenas mais um número a somar, em campanhas ideologicamente vazias e transformadas em circos “pimba” de gosto duvidoso.
Enquanto o comunismo se revelou totalmente ineficaz, a economia capitalista deslizou rapidamente para um liberalismo selvagem e descontrolado. A ambição pelo lucro desmedido e pelo dinheiro fácil atingiu proporções epidémicas, criando um paradigma social destorcido que corrói as famílias num endividamento hedonístico, num show off permanente na lógica de ter mais, para mais mostrar, mesmo que para nada sirva. Os bancos acobertam branqueamentos criminosos, transformados em novas linhas de negócio residentes em “off shores”, verdadeiros “guantanamos” da economia mundial.
O uso e abuso dos combustíveis fósseis criou um círculo vicioso entre o emprego industrial e o buraco de ozono. Não houve coragem de desatar, a tempo, este nó górdio e assistimos, agora, a pacotes de protecção da indústria automóvel tradicional completamente inconsequentes e contraditórios com os pontos de vista ambientais.
As recentes manifestações na Grécia, que geraram o estado de sítio em Atenas e que já vai no sétimo dia, começam a ter sequelas na Espanha, na Finlândia, na Alemanha e na Dinamarca. Enquanto os jovens de oriente se fazem explodir no desespero de Alah, a juventude ocidental arremessa pedras contra a polícia, numa “intifada” apátrida e sem ideologia. Jovens desesperados, sem valores, sem esperança, sem expectativas, sem saídas profissionais, agarram em pedras contra o poder. Contra qualquer poder. Um “Maio de 68” violento e sem objectivos está a nascer na sombra da crise económica. Serão anarcas? Serão apenas instigados por agitadores, como tem sido insinuado? Mas será que alguém se revê, hoje em dia, nos seus governantes? Esperam que a juventude se conforme, quando, por definição, é inconformada?
O poder está à beira de cair na rua. E quando cair vai cair com muito estrondo. Pode demorar um ano, dois anos ou dez anos, mas este modelo esgotou-se. O que se seguirá?
Jorge Pinheiro

6 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

dou particular destaque aos acontecimentos na Grécia
Não cheguei a perceber o que se passou

Mas o que realmente foi notavel, foi a solidariedade dos jovens espanhois e dinamarqueses.

Quando saiu a noticia tive para escrever sobre isso, e perguntar :
E se fosse em Portugal?
Haveria a onda de solidariedade cá dentro e lá fora?

Cleopatra disse...

Como sempre uma excelente crónica!!!

Eduardo P.L disse...

Jorge,

a Grécia sempre na dianteira!De lá vieram as primeiras LIÇÕES e parece que de lá vem as ultimas!

ortega disse...

pelo menos a democracia permite que votemos nos nossos governantes mesmo que sejam funcionários, corruptos ou não. A alternativa: hordas de jovens que se revêm nos seus governantes é que é de arrepiar.

ortega disse...

Adaptando uma frase conhecida: Rockfeller morreu, Marx morreu e eu próprio não me sinto lá muito bem.

Nocturna disse...

"O grande trunfo da vitória é saber esperar por ela."
Esta frase agrada-me particularmente. Mas tenho consciência de que é preciso lutar , e muito, pelas vitórias . Não podemos esperar que elas passem e entrem como se fosse num bonde.
Quanto ao BRASIL, é um grande e belo país.

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