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domingo, 9 de novembro de 2008

OLHAR A SEMANA

A semana foi literalmente obscurecida com a vitória do “candidato-Oprah”. Obama Hussein venceu e convenceu. “Yes we can”. O Congresso também é Democrata. Os pretos e brancos descobriram, de repente, que são uma única nação e amam-se profundamente. “Yes we can”. O homem tem tudo para governar. Resta saber o vai fazer. “Yes we can”. Até agora estas eleições são olhadas como um marco na história democrática. Um negro foi eleito! “Yes we can”. Será assim tão espantoso? Já tinha acontecido o mesmo na África do Sul, um país onde o apartheid era ligeiramente pior do que nos USA. “Yes we can”. Na Venezuela e no Peru dois descendentes de índios foram eleitos. Nos USA não vejo nenhum apache no Teepee Oval! Em vez de ficar espantado com a mudança, fico mas é assustado com a facilidade da mudança. E se este não servir, vem um amarelo? Olhando o “day after”, vemos um “presidente-gospel” que não tem dúvidas: “Yes we can”. Mas que cenários podemos antecipar. Eu só vejo três: a) ser assassinado; b) ser engolido pelo sistema; c) pedir a reeleição para novo mandato que este foi muito curto. Entretanto, a nível internacional Obama poderia fazer umas graças que, só por si, chegariam para todo o mundo, menos os americanos, o reelegerem: - a abertura de relações com Cuba - o abandono do patético projecto “guerra das estrelas” - a assinatura do Tratado de Quioto - o desmantelamento de Guantamo - a adesão ao TPI - a saída faseada do Iraque - a resolução do problema da Palestina - a normalização das relações com o Irão
A concretização de qualquer uma destas acções dificultaria a reeleição. Todas juntas garantem um belíssimo funeral de Estado. E, afinal, o que é a “change” para os eleitores americanos? Claramente é livrarem-se do pesadelo Bush, sem dúvida um clamoroso erro de casting, como tantos outros que têm cometido ao longo da história. Daí para a frente tenho dúvidas que eles saibam o que é a “change”. Será só trocar um branco (ou será bronco) por um preto? Será serem mais universais ou ficarem cada vez mais isoladamente sós? Culturalmente os USA são isolacionistas. Sempre foram. Vão mudar de repente? E a crise económica que a América provocou será a América que resolve? Como? À custa de uma política proteccionista que impedirá as importações para não agravar o défice externo e que provocará despedimentos e recessão no resto do mundo? Não nos esqueçamos que o crescimento da China, da Índia e mesmo do Brasil, ficou a dever-se, em grande parte, às importações americanas. A gestão da expectativa “Obama” pode ser a queda de Obama. “Yes we can” pode, rapidamente, transformar-se no Ámen duma sociedade mediaticamente infantil e politicamente messiânica. A vida não está fácil para quem ganha!
Jorge Pinheiro

11 comentários:

João Menéres disse...

LI com toda a atenção esta sua lúcida análise. Não tenho bagagem na área da geo-política (e seus vizinhos) para emitir um comentário com o mínimo de interesse.
Apenas a minha posição estritamente pessoal :
Votaria eu Obama ?
-Não era seguramente por ser um afro-americano que nele deixaria de votar.
Mas. votaria eu Obama ?
-Só de pensar que a Vice-Presidente Republicana poderia ascender à Presidência da (dita) maior potência do Mundo, SIM, claramente Sim.
-Mas não por pensar que McCain seguiria as pisadas de Bush (que aliás estava muito mal rodeado - mas quem não está?).
Obama, ou é um génio ainda não descoberto, ou terá a tarefa mais árdua e perigosa da História dos
USA.
Com muitos milhões, é possível chegar-se a Presidente dos States. Fazer uma campanha que conduza até à Sala Oval, também é possível com uma personalidade com carisma e, aos olhos dos eleitores, simpática e confiante.
O problema, como sempre, vai ser a partir do dia em que passar a ter de decidir.
Essa, é a dúvida que, naturalmente, se nos coloca.
E, o Jorge, equaciona as primordiais questões.
Apreciei muito esta sua análise. Parece-me muito objectiva e realista.
Um abraço.

Eduardo P.L disse...

Jorge,

sou um otimista incorrigivel e acredito que o Obama se sairá muito melhor do que estamos esperando. Não se pretenda milagres, mas a boa acolhida que o mundo lhe deu, dão a ele cacife político, há muito não visto. Isso precisa ser levado em conta!

Francisco Castelo Branco disse...

Embora nao vá muito no seu discurso, acredito que Obama conseguirá trazer credibilidade para fora dos EUA...
Que volte a mostrar respeito

Gaspar de Jesus disse...

Francisco
Vim agradecer a sua visita e o seu comentário no Arte Fotográfica.
Quanto á minha opinião sobre o OLHAR DIREITO... bem, eu sou muito novato nestas andanças, por isso, a minha opinião valerá muito pouco, mas parece-me ser bem estruturado e com artigos de interesse, passarei por aqui mais vezes!
Quanto à eleição do novo Presidente da América, é claro que se eu votasse escolheria OBAMA!
obviamente.
Abç
G.J.

Alice Salles disse...

Bom, eu como alguns sabem moro na casinha de maniacos do Tio Sam, que ja esta pra la de Gaga (perdoem a falta de acento). Vi de perto essa loucura que foi o Obamarama, participei da Convencao Democratica e vi o Mr. O de pertinho. Ouvi seus discursos, chorei ao ler a historia de vida dele e encontrei nele alguem pronto a ser verdadeiro quanto a sua ideia do que e correto. Ele e um cara centrista - o que nunca me agradou - e vem quase a ser uma maquina ambulante de hipocrisia pois, junto com a maioria dos seus senadores democratas deu perdao a Bush que agora por decreto esta imune a qualquer perseguicao legal por causa desses oito anos de BURRICE que chega a ser ossea! Esta no DNA, o paizinho dele nao era nada esperto. E agora que vi Barack chegar ao poder e o vi brincando sobre ser um vira-lata na TV, parece que ou ele:
a)Assume a visao que sempre foi DELE antes desses ultimos meses TERRIVEIS e VIOLENTOS de campanha e transforma os EUA num pais completamente diferente do que e, correndo o risco de ser morto por seus ideais.
b)Assume a visao de quem sempre se senta naquela cadeirinha maledeta da sala oval e fica a ouvir passaros cantarem e e amado por todos.

Nao tem muita saida e eu que li voce Jorge, atentamente tambem creio que Obama pode ser seu proprio fim. Mas que ele me fez chorar como nenhum politico fez, a isso ele fez! Yes HE can. hahahaha

Beijos a todos!

Anita disse...

bueno, yo creo que todo el mudno tiene que tener su oportunidad . Está clao que ha sido también como muy carismáico, lalmaba la atención, y mucho ha sido como espectacularidad, como si fuera un alguien divino, y eso ha influenciado mucho a la hora que quízás los indecisos se decidieran, esa capacidad de persuasión y demás.... esperemos a ver qué hace y despu´se le creiticamos , por lo menos se nos fue el otro¡¡¡¡ y eso ya es un gran alibio...

Silvares disse...

Wait and see.

Francisco Castelo Branco disse...

O problema é que as situações enumeradas no texto não são exclusivas de um Presidente. É este que decide, é certo, mas não do nada. Tem que haver um consenso nacional.
E penso que isso não vai acontecer, porque estes problemas já vêm de trás.....

O que se passa é a mentalidade norte-americana.
E nessa não há nenhum "change" ou "yes, we can".
Os EUA continuarão a ser o inimigo numero 1 do terrorismo, Cuba, Venezuela, Russia, China, Iraque, há mais algum que me esqueci?

Continuarão a agir por si próprios em relação a Quioto e TPI. Até nas Nações Unidos. Continuarão a deixar África á sua sorte, enquanto tentam planos para invadir o Paquistão, por exemplo...

Se mudar alguma destas coisas, então cá estarei para me penitenciar. Mas pela primeira conferência de Obama, achei que se ia manter tudo na mesma, ou quase na mesma...

E para que os EUA continuem a assumir o papel de 1ªpotencia neste planeta, estas situações tem que se manter: Independência, força, autonomia, poder, grandeza --> em nome do papel dos EUA no mundo

nao quer Obama manter isso?

Se a politica mudar de facto, então Barack Obama ficará conhecido por isso. Tal como W.Bush ficou por ter enfrentado o terrorismo de frente. Sem medos!

Não quero desejar mal ao mundo, mas acho Obama tem poucas saidas.

Ser candidato a Presidente é uma coisa
Ser Presidente é outra...

expressodalinha disse...

Uma excelente síntese daquilo que penso. Acresce, e tb. foi isso que quis dizer, que a componente da cor é um pouco folclórica e para consumo americano. A Europa não vê as coisas assim. O conteúdo e a possibilidade de "change" não se compadecem com discursos evangelistas do sétimo dia. E este é mais um enorme problema dessa América tão avançada e tão pobre de espírito!

Francisco Castelo Branco disse...

Mas o problema da América é exactamente a de serem levadas por discursos como o de Obama!~
Demasiadao optimista e baseado em hipotéticas esperanças que são dificeis de concretizar

daí que os americanos tenham odiado W.Bush --> devido ao seu discurso e atitude

*Renata disse...

Oi Francisco! Que bom que você gostou do blog. É mais pra consolidar o que aprendi em aula.
Se quiser, dê um pulo no meu outro blog (O Mundo na Luneta).

Agora falando sobre Obama... concordo com você. Pode até soar de maneira pessimista, mas acho que o crédito que estão dando a ele corre o risco de se transformar em outra bolha e a confiança (não mais nos mercados) no grande milagre que todos esperam cairá por terra.
Espero que não. Espero mesmo que o "Yes, we can", que conquistou os americanos e o mundo todo se torne realidade e que o "we" não seja tão individualista como vem sendo até hoje.

Abraço, voltarei sempre!

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