segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Luta na Escola

A luta entre os professores e a Ministra da Educação continua...

Esta semana a Ministra veio propor medidas que reduzissem a burocracia e para que o modelo de avaliação seja menos complexo.

É mais uma tentativa do ministério agradar a Sindicatos ou professores? Os sindicatos, já vieram dizer que não aceitam o modelo proposto por Maria de Lurdes Rodrigues e que mantêm a forma de luta prevista de Dezembro.

Sem os sindicatos e professores aceitarem este modelo, que já está implementado; continuando com as greves e a Ministra a propor medidas que vissem uma maior desburocratização e a simplificar o modelo de avaliação; qual é a resolução?

A Ministra podia desistir do actual modelo, mas isso seria recuar naquilo em que acredita e se assim sucedesse a carta de demissão a José Socrates era uma certeza. Não querem recuar os sindicatos porque isso seria dar razão á Ministra e a Socrates.

Com tudo isto, até onde chegaremos? Quem tem razão? Ministra?Sindicatos? Professores?

18 comentários:

Jorge disse...

Tudo isto teria tido uma simples resolução se nas últimas semanas não tivessem sido ditas tantas mentiras.
Mas devo dizer que perante tudo o que foi dito e feito nos últimos 3 anos dificilmente voltará a haver entendimento com esta equipa ministerial. A arrogância com que sempre trataram as questões, o permanente insulto e a continua desculpabilização de todos os disparates dos últimos 30 com a «incompetência» dos professores leva a que neste momento já não existam condições para negociar.
Quem trabalha numa escola sabe bem o que está mal. Até sabemos quem trabalha pouco. A grande questão, porém, ultrapassa em muito tudo isto. Em 12 anos de profissão já apanhei pelo menos quatro reformas. Umas assumidas, outras camufladas. Com virtudes e defeitos. Todas têm algo em comum. Nunca foram avaliados os seus resultados.
Se primeiro avaliassem a porcaria que fizeram se calhar não estariam nesta situação.
Relativamente a esta avaliação, são escassos os profssores que vêm nela virtudes. Eu até diria nenhuns. Mas se fossem só os professores... É o Conselho de Escolas, são os Conselhos Executivos, são os Sindicatos, são os próprios alunos (e aqui só falo dos adultos que percebem o que está a acontecer). Até os encarregados de educação, solidários com as escolas que suspenderam o processo. Só não vê isto quem não quer.
Transformar isto numa guerra sindicatos-governo é o que dá jeito para manipular a opinião pública. Sobretudo quem de educação nada percebe.
Esse é um dos grandes problemas: neste país todos julgam que percebem de educação. Mas poucos são os que verdadeiramente a procuram compreender.

Francisco Castelo Branco disse...

qual a solução entao?

Jorge disse...

Perante o cenário actual o bom senso manda substituir a equipa ministerial.
Depois talvez fazer o que nunca até hoje se tentou. Pela primeira vez nomear para o ministério uma equipa que de facto saiba como funciona uma escola. Era um bom princípio.
Todos os ministros até hoje vêm do ensino superior ou da esfera da política partidária. Não conhecem a realidade que tentam transformar.
E relativamente à avaliação negoceiem (mas a sério, não por imposição) um modelo provisório para este ano (porque nós queremos ser avaliados) e oiçam as propostas que estão a ser apresentadas, quer por sindicatos ou por partidos. Sobretudo vejam modelos de sucesso na Europa. Para não julgarem que estou a brincar nem proponho o da Finlândia (não tem avaliação de professores). Não adoptem um modelo da América do Sul. O Chile não tem certamente os resultados que todos pretendemos.

Francisco Castelo Branco disse...

mas este nao é o modelo finlandes que socrates tanto gosta?

Jorge disse...

Não. É um dos grandes enganos de toda esta propaganda. Não há nada de semelhante com a Finlândia. E olha que não estou a brincar quando digo que na Finlândia não há avaliação.
Dá uma certa vontade de rir, não achas?

Francisco Castelo Branco disse...

então como seria uma avaliação justa e digna?

Francisco Castelo Branco disse...

Apesar das explicações continuo a não entender a posição dos sindicatos, nomeadamente da FENPROF; porque não cede, não aceita e basicamente tb não quer ouvir a Ministra
Porque nem tudo o que a MInistra propõe é mau...

digo eu....

Jorge disse...

Neste momento é errado falar da Fenprof. Existe uma plataforma sindical, da qual a Fenprof faz parte... e é essa plataforma com todos os sindicatos que está a tomar esta posição. Incluindo a FNE, que sempre esteve ligada ao PS e ao PSD.
Isto não é uma questão de radicalismo da esquerda. Isso é o que querem fazer passar. E já te disse: neste momento a intransigência vem dos professores Os sindicatos estão a vir a reboque.
Relativamente ao ouvir a ministra deixa-me perguntar-te: tu quererias falar quem quem te está permanentemente a ofender. Já te alertei para o estatuto do aluno, por exemplo, e o que o ministério fez foi atribuir aos professores uma deficiente interpretação da lei. Mais uma vez desafio-te: vai ver o artigo 22º do estatuto. Depois diz-me se há uma diferente interpretação.
Por isso te digo que o sensato é sunstituir esta equipa. Acredito veementemente que os professores estariam dispostos a ouvir quem viesse. Eu por mim falo, claro.
Quanto ao modelo justo da avaliação. O consenso ainda não existe, mas eu sou favorável a uma avaliação externa. Com critérios uniformes a aplicar a todas as escolas. Só assim pode existir justiça. Internamente as escolas devem avaliar o cumprimento do serviço dos professores, como de resto já faziam. E para progredir na carreira os professores deveriam pedir a avaliação das suas acções (entenda-se aulas, essencalmente). É assim em muitos países europeus.
No actual panorama a avaliação depende quase exclusivamente dos «teus lindos olhos». Sobretudo depois das alterações propostas na 5ª Feira.

space_aye disse...

Quem tem razão é a ministra, mas ela também complicou as coisas com a burocracia e exesso de trabalho que deu aos professores para fazerem a sua avaliação.
Tirando a burocracia, o sistema até é bem razoável.

Francisco Castelo Branco disse...

Jorge, concordo com a maioria das tuas razões

Mas alguém tem de representar os professores. E o Sindicato é que faz essa representação....

E da parte deles não vejo nenhum recuo ou aplauso por causa deste modelo.
Falando mais geral, porque do assunto só percebo porque estou de fora.

E o que vejo é a Ministra a tentar arranjar soluções. Podem ser más ou boas, são discutiveis.
E nao vejo da parte dos sindicatos, nomeadamente da FENPROF propostas de soluções. Só vejo greves e um "acabar" com este modelo....

Ainda que ache que são os sindicatos ou os professores que vão ganhar esta guerra, porque a Ministra já recuou bastante e até propos novas alterções, como aquelas que ouvimos na quinta feira!

Nao concordo com a avaliação feita por um prof de Mat ao de Portugues...
mas eu nesta matéria sou um pequeno leigo....

Jorge disse...

Já sei que a imagem que passa é da ministra tentar dialogar e a aceitar sugestões. Quem me dera que assim fosse.
Se essa fosse a verdade provavelmente os professores iriam abandonado esta luta.
Quanto aos sindicatos tens toda a razão. São eles que nos representam. Para o bem e para o mal. Mas se queres de facto saber quando desiludiram os professores eu respondo-te que foi em Março quando assinaram o tal memorando de entendimento. E eles perceberam o erro. Daí a intransigência que agora reparas da parte deles.
Mas olha este processo está mal desde o início. Por isso é que digo que já não há espaço para este ministério.
Os sindicatos, e do que vejo nas escolas por onde passei, depois de este imbróglio se resolver vão ter a sua resposta. Há muita, masmesmo muita gente descontente com eles. Mas isso são contas de outro rosário...

Francisco Castelo Branco disse...

Pode ser Jorge, são eles que estão na mesa de negociações, e no fundo se calhar são eles que estão a motivar esta polémica toda

Que pontos positivos existem neste modelo de avaliação, se é que existem......?

Jorge disse...

Eles estão a negociar, mas o que te estou a dizer desde o início é que a vontade dos professores de suspender este modelo ultrapassou em muito os sindicatos. Se calhar, e pela 1ª vez, os sindicatos estão mesmo a fazer o que os professores desejam. Tivesse sido sempre assim.
Quanto aos pontos positivos são difíceis de apontar. Os princípios serão provavelmente a única coisa positiva. A necessidade de diferenciação é essencial. E estamos todos de acordo. Mas no meio de um modelo de implementação impossível e irrealista os pontos positivos perdem todo o significado.
E o diálogo é de surdos. Dos sindicatos e do ministério. Por isso te digo seria excelente trocar os potagonistas.

Francisco Castelo Branco disse...

Mas mais fácil cai a Ministra do que o lider dos sindicatos, neste caso da FENPROF....

Francisco Castelo Branco disse...

E se a Ministra cai, e muda -se de politica como aconteceu na Saude,

ou fica tudo na mesma....

mas eu aposto que a Ministra vai cair!!!

expressodalinha disse...

É preciso que alguma coisa mude para que tudofique na mesma... A ministra vai cair!

Francisco Castelo Branco disse...

A Ministra vai cair e a politica ira mudar

Será uma derrota para Socrates...

Quem nao muda são os sindicatos! é pena....

Isto tudo em ano de eleições...

Clara Belo disse...

Francisco,
Já fui professora e devo dizer que estou completamente solidária com os professores.Como disse um comentador de televisão, ao contrário do que se pensa não são os professores que estão atrás dos sindicatos, mas sim os sindicatos que estão atrás dos professores. São os professores que exigem a suspensão da avaliação.

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