sexta-feira, 11 de julho de 2008

Direito dos animais.......

Este mês realizam-se as tradicionais festas de San Fermin em Pamplona

Uma das atracções são as largadas de toiros

Existe igualdade nesta situação?

Até onde vai o direito dos animais? Até onde pode o Homem violar os seus direitos?

O Homem e o Animal são um e a mesma coisa?

17 comentários:

Miuda Do Armário disse...

Boas...

Estas festas realizam-se porque o homem pensa que não é um animal também, e que pode fazer o que bem lhe apetece só porque não se podem defender...

Se só poucos humanos usufruem de todos os direitos, dos animais já nem se fala...

É vergonhoso, mas só assim podemos ver a podridão da humanidade...

Gostei bastante do blog =)

pensamentosametro disse...

Eterno dilema, somos todos muito justos, muito correctos, mas não deixamos de comer animais, certo?

Bjos

Tita

Eu também como carne. Nin´guém é perfeito.

Patrícia disse...

Acho que nunca vão chegar a um acordo quanto a este assunto. Os animais também nos comem, também nos ferem e algumas vezes também nos matam. Porque não fazer o mesmo? E porquê fazê-lo? Eterna dúvida... :)

Sol disse...

Nas festas de San Fermin, especialmente nas largadas, há igualdade. Só se mete lá quem quer, pa falar bem e depressa. E os homens magoam-se mt mais que os toiros, acreditem.

Como española não costumo perder... Mas a estupidez de algumas pessoas não deixa de me fazer confusão. Não, não são as pessoas que vão ver ou que gostam... São aquelas que se atiram completamente embriagadas para a cara dos toiros e se esquecem que, quando são colhidos, nunca vão sozinhos. Levam uma família e amigos com eles.

Qt às corridas, para mim só fazem sentido como em España, con la muerte do toiro na arena. Assim a morte do bicho é digna e se a estocada final for bem dada, é uma morte rápida e praticamente isenta de sofrimento.
Por muito sanguinário que possa parecer, mil vezes assim do que toiros com sal nas feridas, à espera de Segunda-feira para serem abatidos.

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo contigo Sol, o sofrimento do touro ao morrer na arena é muito menor
E acaba por morrer com dignidade

mas acho que é o ciclo da vida é este mesmo.
Porque os animais também se comem uns aos outros

para sobreviverem.....

Silvares disse...

A minha condição de animal não me permite compreender bem a amplitude da questão.

Anónimo disse...

Permitam-me que discorde, de forma total e completa, com a sol e o
Francisco Castelo Branco.

Na largada de Pamplona os animais não estão em igualdade com os homens - primeiro porque estes estão lá porque querem (como foi referido) e os toiros não pediram nada.
Não é inofensivo para os animais, pois são picados para entrarem a matar pelas ruas fora, sofrem quedas a velocidades elevadas contra paredes e cercas, e volta e meia levam umas achegas dos "corajosos" que lhes conseguem afiambrar.

Toiros mortos na arena: menos doloroso para os mesmos?!? Principalmente quando a "estocada final for bem dada"?!?
Os toiros sofrem várias "estocadas finais" durante todo o tempo da execução (jamais chamar-lhe espectáculo). Estão largos minutos a serem espetados, pontapeados, enfim, espancados. Está bem, por vezes "demoram menos tempo" a morrer que irem para dentro e serem executados por "um profissional veterinário" - mas a morte é sempre muito lenta. A tortura é muito lenta mesmo. Como tal, essa questão nem se põe.

Outra: se não fosse a festa brava, esta raça não existia.
Brilhante, claro. Vamos criar mais espécies animais para massacrar. Vamos criar muitas muitas espécies e chaciná-las até à morte, chamar-lhe espectáculo, dar muito dinheiro a muita gente, e entreter montes de Neandertais (sem ofensa para essa honrosa ante-espécie humana) e dizer-lhes que assim ficam cheios de cultura e de tradição. Vamos instituir que criar espécies de animais para torturar é um dever do ser humano. Melhor, vamos torturar em arenas todas as espécies em vias de extinção, para os senhores tradicionalistas as protegerem muito, antes de as chacinarem em público e em gáudio. Boa ideia.

Normalmente as pessoas adeptas deste tipo de tortura, são muito afeiçoadas a animais (e sei que é mesmo assim).
Então imaginem que têm uns cães em casa muito grandes (alguns terão concerteza), e que alguém se lembra que é fixe brincar com eles pelas ruas fora a pontapea-los e a deixá-los cair desamparados. Que os soltamos numa arenazita rural, só para fugirmos deles enquanto a malta os pica e bate. Só brincadeirinha mesmo.
Imaginem então a brincadeira mais honrosa, metê-los numa arena muito séria, para serem espetados com ferros até à morte.
Eu não gostava de ver cães alguns a passar por isso - meus ou não.
Como tal, não gosto de ver toiros ou vitelos - meus ou não.

Se tourada é cultura, canibalismo é gastronomia.

paulo
(Perdoem-me o alongamento no comentário)

Francisco Castelo Branco disse...

É uma morte rápida

Se reparar em Espanha, não existe os ferros.
O matador apenas espeta uma espada no touro. Uma Unica vez. Para que este morra "dignamente" e o mais rápido possivel,
Os dois estão em pé de igualdade.
É uma luta de vida ou de morte

aogra diga-me uma coisa: Se vir um toureiro ou forcado em situação de perigo? como reagiria?
Acha que eles não estão "dispostos^" a levar uma cornada?

Anónimo disse...

Se vir um toureiro ou forcado em situação de perigo, tentaria ajudá-lo a sair da mesma, com vida e sem mazelas. Mas isto não é um acto de cultura ou tradição - é o instinto de ajudar o próximo. Não tento só ajudar animais humanos quando estão em perigo, mas todos os outros: cães, gatos, aves e até, imagine-se, toiros. E as touradas são O perigo dos toiros.

Oponho-me a qualquer acção de entretenimento, ou dita cultural, que inclua a tortura e/ou morte de animais, por isso a questão de o animal morrer logo ou não é indiferente para o caso. Mas já vi imagens de toiros de morte e, como tudo na vida, muitas vezes as coisas não correm bem. O toiro agoniza e agoniza até o "artista" acertar.

Não há pé de igualdade num ambiente criado como aquele. O toureiro vai preparado, intencionado e treinado para matar, e o animal é posto ali e apenas se defende de uma ameaça óbvia. Não é racional, não treinou os movimentos do homem que o ameaça, não sabe, e nem está preparado, para o que o espera. Ataca, não porque é um artista num acto cultural, mas porque é espicaçado e sente-se em perigo.
Uma tourada não é como ir distraído a passear no campo, entrar no terreno do animal sem se aperceber, e ter de se safar à investida do mesmo para se defender.

Acha que os animais estão "dispostos" a morrer numa arena?

paulo

Francisco Castelo Branco disse...

Paulo

o touro também vai preparado para matar.
Entra com essa intenção.
É preparado para essa intenção.
O touro bravo é criado para matar.
Daí que a postura seja de atacar e não de estar na defensiva.
Pois se assim fosse, muitos touros não protagonizavam o espectaculo
Porque é sobre ele que recai a responsabilidade. Se for mau, a lide sai mal, se for muito bom, então o toureiro sai de ombros.

Os touros não estão dispostos a morrer na arena, daí que a sua atitude seja de matar o homem.
Porque no fundo é uma luta entre homem e animal.
Em igualdade de circunstancias; o homem com a sua espada e a muleta e o touro com os seus afiados cornos.
Repare bem, que os cornos do touro estão afiados e sem protecção.

O touro não sabe que vai morrer.
Não está disposto a isso, por isso é que "ataca" o homem.
E este tem que evitar a sua morte.

É uma luta, uma guerra
da qual só um sai vencedor

um dos melhores toureiros espanhois, Manolete, morreu na arena......
Foi neste caso, uma vitória do animal sobre o homem

é por isto que as touradas têm o seu encanto

Anónimo disse...

Francisco, o animal nunca tem uma vitória - vai sempre morrer, aconteça o que acontecer.
A partir do momento em que entra na arena, vai ser sempre torturado, aconteça o que acontecer.
Já o toureiro, se a tortura (ou lide, como lhe chamas) correr minimamente bem - ou seja, se não morrer - volta para casa, para a família, para os amigos, prosegue a sua vida.
O animal jamais volta para o campo, para o seu sossego, para o direito à sua existência como ser vivo - algo que os aficionados como tu não aceitam como um direito do toiro, pois a sua função no ecosistema é servir de entertenimento bárbaro, e morrer por ele.
Quando o toureiro acaba "bem" a tortura, sai no mínimo como "artista" competente, e muitas vezes como "herói".
O animal não ganha nada quando tristes incidentes como a morte do toureiro acontecem - o toiro não fica a achar que é o maior, ninguém o assume como um herói. A seguir é morto na mesma, e arranja-se outros para continuar a carnificina.

As touradas têm tanto encanto como uma luta de cães ou uma luta de galos, ou as brincadeiras de crianças atrás de gatos para os magoar e matar.

Nunca se pode dizer que o toiro e o toureiro estão em igualdade - o touro é treinado para ser bravo, não para saber como são as investidas dos homens sobre ele. Não tem obviamente a capacidade de saber quais os movimentos do toureiro, e por onde lhe vai espetar os ferros no dorso.
Coisa que, obviamente, não acontece com os toureiros - treinam muitos anos o comportamento do animal, têm a capacidade racional de o fazer, e passar uns aos outros.

As touradas são de facto uma luta, uma guerra, mas da qual existe logo à partida um perdedor - o toiro.
Infelizmente às vezes a barbaridade que já bateu no fundo consegue descer ainda mais baixo, e morre o humano também.

paulo

Cleopatra disse...

"As touradas têm tanto encanto como uma luta de cães ou uma luta de galos, ou as brincadeiras de crianças atrás de gatos para os magoar e matar."
Nem mais.

Francisco Castelo Branco disse...

Mas o facto do animal morrer sempre nao quer dizer que tenha de perder.

O touro bravo se não for para as arenas terá que ser morto para depois comermos a sua bela carne....

Existem as mortes dignas, e são essas que os toureiros procuram dar ao touro. Por isso é que por vezes, são lhes aplicados indultos. Muito raramente acontece, mas acontece.
Quando o touro se comportou de forma exemplar.

É aí que está. O toureiro ao lhe dar uma estocada está a acabar com o seu sofrimento. E também a considerá-lo que fez uma boa lide.

por vezes, os touros saem debaixo de aplausos nas praças

A isto chama-se dignidade....

Anónimo disse...

Francisco, devo começar por dizer que não sou vegetariano. Como carne, peixe, e também gosto muito de comida vegetariana. Talvez um dia me venha a tornar vegetariano, mas enquanto não se tornar numa convicção mesmo muito forte que eu sinta, não o farei.

Posto isto, não excluo totalmente a necessidade de matar animais para comer.
Porém, torturá-los até à morte e fazê-lo como manifestação pública de valentia, está completamente fora de âmbito.

Em algumas regiões asiáticas comem-se cães e gatos. Em muitas regiões ocidentais (incluindo Portugal) come-se carne de cavalo. O que me dizes a começar a engendrar actos de tortura contra estes animais, iguais aos que se fazem aos toiros? Porque não? É perfeitamente possível, com as óbvias diferenças, criar estes animais para ficarem bravos (com os cavalos já se faz, para rodeos; e os cães, para lutas) e levá-los para um show de carnificina para terem o que chamas de uma "morte digna".

A questão é que não foste educado para encarar cães ou cavalos, da mesma maneira que o foste para os toiros. Não te imaginas a enviar os teus cães ou os teus cavalos para uma arena para serem espetados com ferros até à morte. Não te imaginas a criá-los para esse efeito.
Tal como te deve parecer intolerável criar cães para lutas sangrentas até à morte, eu acho o mesmo não só para os cães, mas também para os toiros.

Salientas que o facto de o animal morrer sempre não significa que perca. Então quando o homem morre, também não significa que perca, pois não?
Nesse caso contrarias o que disseste anteriomente: "É uma luta, uma guerra
da qual só um sai vencedor".
E concluo mais uma vez - não há vencedores numa tourada.
Perde o toiro que morre sempre por via da tortura, e perde o homem que prova mais uma vez que não sabe respeitar a dignidade dos restantes animais que habitam este planeta consigo, e insiste neste recuo civilizacional e humano.

Achar que os toiros são óptimos para torturar em arenas, e os cães ou cavalos não, é uma questão de cultura, ou falta dela.

E se tourada é cultura, então canibalismo é gastronomia.

paulo

Francisco Castelo Branco disse...

Quando o homem morre. É claro que perde.
Perde a sua luta.

Nao me imagino a mandar cavalos para os rodeos. Mas imagino-me a montar um cavalo e a provocar a sua dor.
Não será a mesma coisa?

Penso que tem a ver com aquilo que o animal representa.....
Cada animal tem a sua utilidade, uns são selvagens, outros domésticos, uns servem para montar, outros caçar, para tourear.....

O touro serve para tourear.Pelo menos o touro bravo.

Concordo quando dizes que não há vencedores numa tourada.

É apenas uma luta.
Uma manifestação artistica..

Anónimo disse...

"Quando um homem morre, perde a sua luta" - e porque não considerar a situação como no toiro?... ou seja, o toureiro ter uma morte digna e desejada também... o toiro aplicou-lhe a última investida quando o homem já estava em sofrimento no chão, desse modo acabou com o referido sofrimento, e deu uma morte digna ao homem, considerando-o também uma boa lide. Toda a gente vai para casa a comentar "que bela morte teve o toureiro, gostei muito" ou "a morte do toureiro correu muito bem, foi bem digna".
Faz sentido? Claro que não. E também não faz sentido no inverso.

O criador de cães para luta também considera a morte do seu cão numa luta muito digna. E, obviamente, também não o é.

Diz-me tu Francisco, se montar um cavalo e aplicar-lhe dor é a mesma coisa que enviar o mesmo cavalo para um rodeo. Se não serias capaz desta última, é porque não é a mesma coisa.

Os animais não têm de ter uma utilidade bárbara, medieval e mortal, disfarçada de entretenimento, para o homem. Poderão de facto ter uma utilidade biológica - seja por interacção no ecosistema, ou para alimentação (como já referi, não sou vegetariano).

Os animais não são como objectos que servem para isto ou para aquilo. São seres vivos, e no caso do toiro, com um sistema nervoso como nós, que sente dor e tristeza - tal como os teus cães e os teus cavalos. Não interessa se o animal é bravo ou não, é preciso muita insensibilidade e muito pouca dignidade para gostar de torturar, ou ver torturar, um animal até à morte.

A função do toiro na sua existência não é a de ser torturado até à morte. É simplesmente existir, como a do hipópótamo, ou da girafa - só para dar dois exemplos de animais sem interacção directa com os humanos.

O toiro bravo não serve para tourear, serve para viver a sua existência como todos os outros animais, incluindo os humanos. Tal como o panda. Tal como o pavão.

Enfim, o resumo é muito simples Francisco: apenas concordamos que numa tourada não há vencedores, e que os cães são para criar com amor, carinho, e sem a prática de violência para entreter pessoas.

Mas de resto, eu considero que cavalos para picar ou para rodeos é inadmissível - tu consideras que só picar, é aceitável.

Eu considero também que toiros para torturar e matar em arenas e praças é bárbaro e desumano - tu consideras aceitável e até artístico.

Francisco, as touradas são tão artísticas como os homícidios. Porque é preciso ser "um grande artista" para impulsionar tamanha irracionalidade e crueldade depois de tantos anos de civilização.

"Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação a natureza e aos animais." - Victor Hugo

"A compaixão pelos animais está íntimamente ligada a bondade de carácter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem." - Arthur Schopenhauer

paulo

Francisco Castelo Branco disse...

Considero que as touradas nao sao uma barbarie, porque tem-se que fazer um enquadramento cultural e historico.

Como acho que nao se estão a violar direito dos animais.

E agora pergunto: Onde estão tipificados esses direitos? quem lhes garante a sua respeitabilidade?

Sendo um animal um objecto (para o Direito.....) este não é susceptivel de direitos e obrigações e assim não poder ter uma ajuda legal.

E não são as touradas o mal. Nao se pode "condenar" as touradas por aquilo que de mal se passa nos canis, nos aviários entre outros lugares.

Fala-se muito das touradas, mas ninguém fala para outros sitios.

Acho que as touradas são artisticas. Têm a sua veia.
Compreendo quem ache o contrário, claro.
Mas acho que se tem compreender e aceitar o seu enquadramento cultural e historico

Até porque a frase de Schopenhauer; que tu muito bem puseste, não se aplica aqui!

O homem trata o animal com respeito e com dignidade....
(Só percebe o alcance destas palavras quem gosta muito de touradas)

Share Button