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quarta-feira, 21 de maio de 2008

FAZER OBRA

As prioridades governamentais são sempre dicutíveis. É impossível haver 100% de concordância. Há que tomar decisões. Um governo de maioria absoluta tem mais facilidade em tomar essas decisões. Seria quase criminoso que, nalguns casos, não o fizesse.
Este governo tem tomado decisões polémicas e algumas de duvidoso alcance, nomeadamente, no âmbito das obras públicas e infra-estruras. É o caso do aeroporto; da nova travessia do Tejo; do TGV, na ligação ruinosa Lx-Madrid. Mas, de surpresa em surpresa, acaba agora de tomar, por Resolução do Concelho de Ministros, a decisão de criar uma empresa de capitais públicos para a recuperação da zona ribeirinha de Lisboa, tendo por pretexto as comemorações do centeário da implantação da República, a realizar em 2010. Com a reserva de não ter tido ainda acesso à Resolução, cabe fazer alguns comentários e deixar algumas dúvidas:
- Sendo indiscutivelmente uma zona carecida de ordenamento há anos (provavelmente já o era no tempo de D.Manuel I) porquê esta pressa inusitada que, inclusivamente, concede a essa empresa "poderes excepcionais" (leia-se, dispensa de formalidades de todo o tipo na concepção e na execução da obra)?
- Onde fica a CML no meio disto tudo? Foi ouvida e cala-se porque o A. Costa é nº2 do PS? Não foi e então está à espera de quê?
- Onde ficam os Planos Directores Municipais, a audição da Comissão de Coordenação de Lisboa e Vale do Tejo e, em última análise, dos lisboetas?
- Era preciso o pretexto das comemorações da República para avançar com as obras ou as comemorações foram o pretexto para romper com dezenas de formalidades necessárias?
- E porque é que as comemorações são, mais uma vez, de betão? Ninguém deste iluminado governo teve outras ideias? Porque não comemorar com mais justiça, mais condições na saúde e no ensino? Porque não atender seriamente ao problema da pobreza que disparou? Não seria mais condizente com os valores republicanos?
- E, já agora, porquê só em Lisboa?
Mais uma vez o governo "faz obra". Já era assim no tempo dos faraós. Afinal pouco mudou!
jp

2 comentários:

Francisco Castelo Branco disse...

Este governo de Sócrates tem um apetite especial para o betão.
Teve pressa em anunciar o novo aeoroporto, o TGV já vinha atrás sem qualquer estudo credivel (e sem alternativas).
Recentemente foi o projecto NovAlcantara, que foi anunciado com toda a pompa e circunstância.
Já para não falar dos milhares de quilometros de auto estradas que Socrates e Lino inauguram dia sim , dia não.

De facto,a maioria destes projectos tem como localização a cidade de Lisboa.
E não costumamos ver o sr.Presidente da autarquia a intervir nem a propor soluções.
É obvio que a candidatura de Antonio Costa para a CML foi uma estratégia de Socrates para conseguir deter o poder na capital

A ideia de recuperar a Zona Ribeirinha é boa.
Tal como outros sitios
Mas convêm saber quem é que vai estar á frente desses projectos, porque razão foram escolhidos, que competências têm

Isso nunca é explicado aos portugueses.
Mete-se lá e pronto.....

Jorge P.G disse...

ESta decisão do executivo
socreti(a)no é de clara inva~sao dos poderes da edilidade. Trata-se, ao que parece, da "obra de regime" que o pior PM dos últimos tempos quer deixar como marco pessoal do seu autoritarismo e poder descricionário.

Gostei do seu texto.

Saudações.
Jorge P.G.

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