quarta-feira, 19 de março de 2008

A Guerra Moderna II

A Guerra e o Terrorismo

Numa primeira abordagem haverá que assumir que ambas não são fortuitas, constroem-se sob a égide de uma presumível razão e negação dessa mesma razão, que constitui uma oposição ou tão só uma razão diferente. A guerra e o terrorismo assumem quadros mais ou menos homogéneos de disputa ou de conflito entre indivíduos, que podem actuar isoladamente, porém, a sua génese encontra princípios colectivos, que constituem um padrão generalista. Normalmente essas colectividades enformam grupos mais ou menos organizados. O Terrorismo moderno (ou islâmico) é efectuado por um grupo colectivo e indefinido de indivíduos, altamente organizado e minuciosamente consciencializado. A Guerra militar concretiza formações profundamente disciplinadas e organizadas, basta relembrar a vantagem Romana perante opositores bárbaros que não dispunham das técnicas e tácticas romanas. Sendo que a meu ver, Guerra e Terrorismo configuram estratégias políticas e militares ou pseudo militares, pois falamos de um exército indefinido, porém disciplinado e organizado. A Guerra pode assumir inúmeras dimensões e concretizações: guerras civis, entre facções ou entre tribos, guerras políticas, guerras nucleares, biológicas ou químicas, guerra-fria ou até guerra psicológica. A Guerra entre países constitui um conflito armado entre nações. O Terrorismo pode ser político (o estalinismo), pode ser urbano (Torres Gémeas), pode também ser biológico ou químico. Então afinal, qual é a grande diferença entre estas duas realidades? Será o método? Poderemos definir o método terrorista como a imposição da vontade por uso do terror e da violência física ou psicológica? Que é efectuado em épocas de paz, conflitos ou de guerras aleatoriamente e sem qualquer tipo de declaração de intenção de guerra? Serão os seus alvos os Governos, os chefes de Estado, a população desses mesmos Estados, uma classe ou uma população anónima? Será o que os distingue é o facto dos seus ataques não serem abertos? O Terrorismo moderno terá como objectivo promover um estado de insegurança que aliado ao medo e ao receio das populações permite a mudança de comportamentos por parte dos dirigentes estaduais? Como resposta muito particular e absolutamente subjectiva, diria que nenhuma destas questões, por mais que seja respondida com profundo arrebatamento e crença terá resposta para uma presumível distinção entre Guerra e Terrorismo. Não será o terrorismo uma nova forma de Guerra com características especificas? O cenário de Guerra já não é definido á escala entre países, mas sim à escala global. É permanente, não necessita de declaração de guerra pois ela já está declarada. A escolha dos seus alvos é profundamente objectivada, não é aleatória e muito menos passional. Poder-se-á colocar a questão quanto à morte dos inocentes. Mas, no fundo não seremos todos inocentes? Ou não seremos todos guerreiros? Quem comanda os nossos destinos? Estarão os ocidentais acomodados a um apaziguamento falsificado por uma aparente tranquilidade? Não será o conceito de Terrorismo um modo de desqualificar os opositores retirando-lhes a legitimidade e crucificando-os numa entoação de cânticos populares? Não será um método politicamente “democrático” de memorizar a “razão” (de cada um), ou seja, a sua causa? Comecei com interrogações e concluo com interrogações. Confesso, as minhas dúvidas são demasiadas para poder firmar uma opinião mais exacta do contexto político mundial? Poderão ajudar-me a responder às minhas inquietações (que no fundo são muito mais do que minhas)? Este é o meu repto. Não esqueçam o passado pois ele está presente.

texto de Filipe da Veiga Malta

1 comentário:

Francisco Castelo Branco disse...

Bom texto, antes de mais

Na minha opinião Guerra e terrorismo são conceitos diferentes.

O terror que se tem instalado não é propriamente uma Guerra. Pelo menos na minha óptica. Do que se trata é de uma forma de guerra. E não propriamente uma guerra.
Concordo que o Terrorismo é uma nova forma de guerra.
Porque este quando ataca, não dá a cara, escolhe alvos civis, inocentes. como alvos.
E por isso é que é dificil conseguirmos apanhar o "inimigo".
Porque não sabemos quem ele é.

Acho que numa guerra os alvos estão identificados e existe um propósito.
Pelo menos é o que a história nos tem ensinado.

As duas grandes guerras, a guerra fria são sempre contra alvos identificados que sabem que "estão em guerra".
Estar em guerra é necessariamente, saber contar com aquilo que esperamos.

é um diferença
Por isso é que nas Guerras, sabemos quem é o inimigo, aquilo que pretendemos atingir.
E como em tudo, tem fim!

Ora o terrorismo parece não ter fim.
Pelo menos na minha opinião.

O Terrorismo é isso mesmo! Provoca o terror, a insegurança como tu bem dizes. Provoca nas populações um estado de alerta.
Não sabemos se vem hoje ou amanha. E onde! E o mais grave, é não sabermos o porquê..........

Porque nas guerras sabemos porque existe o conflito.....
No terrorismo não....

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