quinta-feira, 13 de março de 2008

A guerra Moderna I

A guerra moderna

A vida na sua imensidão é muito mais que este momento, promete muito mais que o dia de amanhã, permite o futuro e aclama o passado, admite uma infinidade de figuras de estilo onde paradoxos, antíteses, metáforas, etc. são antónimos e sinónimos duma mesma realidade, a vida humana. Um dia escrevi uma espécie de ditame que deve ser aplicado a este contexto: “O passado escreve o presente e propõe o futuro”. O homem de hoje já foi Ramsés II no antigo Egipto, já louvou ao deus Kukulcán, enfrentou o huno Atila, já testemunhou a salvação Divina na palavra de Jesus, exultou as conquistas do Reno por Adriano, presenciou a hegemonia de Abderramão I e o domínio al-Andalus, segurou na espada de D. Afonso I de Portugal, foi medieval, soltou as velas da caravela de Vasco da Gama, combateu os Filipes, até foi Marquês, escreveu como que testemunhando a humanidade, foi Clássico, Romântico e até Poético, foi Camões, Camilo e Pessoa, foi nacionalista e patriota, enfrentou a gélida guerra, participou na profana democracia, admirou o mundo futurista, renegou o provincianismo. Em boa realidade, o passado é o diário das nossas vidas. O contra-senso humano é de tal modo vincado que, por incrível que pareça, as fases de maior desenvolvimento da humanidade se verificam em períodos de guerra. Talvez não seja tão inesperado como tudo isso. Uma conclusão filosófica ir-nos-á aproximar da resposta. O Homem e a manutenção da espécie: a adversidade, o confronto e a luta pela sobrevivência são factores determinantes que geram índices elevadíssimos de motivação, vector primordial do desenvolvimento. Libertar o Homem dos seus padrões societários e permitir-lhe uma relação directa com o seu instinto é contemplar o espírito evolutista e progressista. Em períodos de guerra, todos os padrões implementados conduzem ao critério individual do ser, tradução filosófica do empirismo humano na rectificação regular das suas motivações. Os ciclos de poderes aliados ao confronto duma guerra são alimentados pelo instinto de sobrevivência, que deverá ser considerado o motor do desenvolvimento intrínseco e extrínseco do humanismo societário. O mundo contemporâneo, testemunha um novo formato de guerra: a Guerra Moderna.

De que guerra falamos? O Terrorismo Islâmico ou Guerra Islâmica? Esta questão leva-nos a uma imensidão de outras questões: Razão de ser? Será histórica, politica e/ou especulativa? Representará tão só (e muito) o esboço fiel da humanidade contemporânea em razão directa com a demagogia democrática? O que é terrorismo e o que o distingue duma guerra? Será que os poderes vigentes têm uma resposta verdadeira para todas estas questões? Estarão os nossos meios de comunicação a falar a verdade ou a mentira verdadeira? Quem de nós deverá responder a estas questões?

Texto de Filipe da Veiga Malta

1 comentário:

expressodalinha disse...

Recomendo a leitura de "Considerações sobre a Desgraça Árabe", de Samir Kassir, da Livros Cotovia.

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