sexta-feira, 28 de março de 2008

Fará parte da nossa cultura?

Ao Portugal de hoje, ao português dos dias que comungamos, ao aficionado que o diz ser, a todo uma cultura submersa no empirismo dos ratificadores de coordenadas ludibriantes, ego aclama, como desafiando o enclausurado alvorecer de tão lívida ignorância, à requalificação do pensamento semântico no que revele o conhecimento por adquirir não constrangido pelo inoculo já aprendido. O mundo dos toiros! A corrida de toiros à portuguesa! A cultura de “alguns” portugueses! O tema de que falo, em tudo me diz respeito. Falar de corridas de toiros, tão vulgarmente denominadas touradas, é aperfeiçoar o próprio raciocínio do modo como se é português e se entende este povo petrificado, diria mesmo, domado por uma profunda crise de identidade, incutida pela invulgar mas soberana ordem de pensamentos ditos modernos, oriundos de povos que de toiros só conhecem as suas hastes. Falar do mundo dos toiros e falar como seu sinonimo em festa é uma profunda incoerência, sendo que mais tenebroso surge quando oiço profissionais, homens deste ofício, qualificarem tão inexactamente a sua “arte”. Considero invulgarmente constrangedor! Dignifiquemos em profundo respeito o toiro bravo. Jamais conheci animal de tamanha nobreza, bravura, e de tão profunda verdade. Confesso, que nos homens pouquíssimas vezes consigo desvendar estimáveis valores. Dignifiquemos a arte de tourear! Ser-se toureiro é muito mais que montar um cavalo, sendo que muitas vezes eu próprio desconfio que de facto o saibam fazer. Tourear a cavalo é muito mais que uma sucessão de reproduções continuas imortalizadas na angustia de tão escasso conhecimento taurino. Tourear não é reflectir no toiro todo uma abnegação pelo iluminismo taurino. Acima de tudo, acertemos os ponteiros, falemos como puritanos de um pranto impuro. Qual é a essência do toureio a cavalo assim como do toureio apeado? Não encontro melhor palavra que sintetize enorme desplante: a VERDADE! Nos tempos contemporâneos, esta palavra em tudo está esquecida. Falar verdade! Que estupidez, diria mesmo, falta de esperteza. Tão sórdido me soa! É o triunfo dos espertos mentirosos. Por outro lado, em jeito de pergunta, quem vive de facto em verdade? Encontrar pureza nos sentimentos, nos sonhos ou na alma. Quem o consegue! É, de facto a verdade anda longe dos nossos planos. Eis, que numa epígrafe cultural podemos encontrar indispensável valor, sentimento ou estado de espírito. Dirão os mais pragmáticos que o toureio é feito de enganos, tais como a muleta, capote ou mesmo o cavalo cambiando ou citando ao piton contrário. A tais incrédulos, apraz-me acrescentar que a verdade não se vê, sente-se. Não façam como o mais antigo profano que julga a aparência sem ver a alma, a essência do espírito. A verdade está no toiro, na arte de tourear, na vida e na morte, na luta pela sobrevivência, no eclodir dos iluminados pela luz divina que adornam tudo o que é ermo. Falando tecnicamente, por exemplo, a muleta não é exactamente um engano como é tão comummente designada. Tourear com verdade é mandar na sorte, é dominar os tempos, as distâncias, os terrenos e a vontade, seja ela humana quando exista domínio da sorte através do domínio da sua própria vontade na relação intrínseca entre o desenvolvimento motor e a realidade envolvente, quer seja o domínio da vontade do toiro naquilo que taurinamente designamos como temple. Ora, conseguir esse domínio por meio de um engano, não é em nada aconselhável a um toureio a pé. Ninguém manda de verdade enganando. No toureio a cavalo, marcar o piton contrário ou efectuar um câmbio constituem o efeito oposto ao exigido pelos ditames do toureio, segundo os quais o toureiro deve entrar recto com o toiro, dando-lhe a máxima vantagem. O câmbio e o cite ao piton contrário retiram por completo a vantagem ao toiro, e consequentemente dão toda a vantagem ao cavalo. Compete-me como português e como aficionado erigir o meu pensamento à luz da sociedade portuguesa e taurina, que no menos ficará admirada com tanta franqueza. Portugal é uma Nação da qual comungam um punhado de bons portugueses que no passado se identificaram e na história se dividem. Voltemos a aclamar bem alto o nome de Portugal, sejamos portugueses de alma e cultura, respeitemos a nossa alma e louvemos as nossas artes taurinas.

Texto de Filipe da Veiga Malta

9 comentários:

Fenridal disse...
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expressodalinha disse...

Cuidado com o comentário anterior. Não cliquem. É vírus.
Quanto ao post faço questão de dizer: sem comentários. A minha alma está parva. Total e absolutamente em desacordo!

altohama disse...

Tal como o Expressodalinha, estou em dasacordo com o conteúdo deste post. No entanto, como a liberdade dos outros termina onde começa a minha, e a minha termina onde começa a dos outros, respeito todas as posições quando livremente assumidas e civicamente apresentadas. É o caso.

Orlando Castro

expressodalinha disse...

E a liberdade do touro termina aonde? Será que ele se pode civicamente manifestar? O que é confrangedor e faz pena é tanto dom para a escrita e tanta sensibilidade revelada acabar espetada num animal. Nada do que digo pretende ser falta de respeito. Cada um tem direito a gostar do que quiser, até ser proibido por lei. Será uma questão cultural, como o autor se interroga. Mas a minha questão é se será uma questão cultural não ao nível nacional, como afirma o texto e que, aliás, quase pretende insinuar falta de patriotismo por quem repudia a barbárie, mas antes uma questão cultural entre dois tipos de mentalidades e, provavelmente, de formas de ver o mundo e a vida.

Rafeiro Perfumado disse...

Não gosto de touradas, e penso que a nossa cultura tem de ir evoluindo à medida que o mundo evolui, pois senão ainda acharíamos normal a escravatura, as mulheres não votarem, etc. Sujeitar um animal a tortura, para gáudio da assistência, é bárbaro.

Manucha disse...

Em relação ao que o rafeiro perfumado diz não estou de acordo, também se abatem porcos para comer, galinhas, vacas, perús só que não é público, mas as lutas de cães quanto a mim são piores. Não falem mal de touradas por favor!
Manuela Abecasis

Sue disse...

nao falem mal de touradas por favor???
-claro que nao...
Nao falem mal da mulher nao ter direito ao voto por favor!! diz um retrogado...

bof... respeito todo otipo de opinioes.. mas nao sejam cinicos nos pedidos... "opah deixem matar animais para nosso divertimento por favor!" Tambem so comemos galinha por divertimento.. nao é por sobrevivencia... ora bolas.. va la!

poupem-me...
Eu gosto de ver forcados.. sem sombra de duvidas.. mas pk? porque é a unica ocasiao em que sinto que estamos MAIS ou MENOS proximos...

Qto ao blog.. opinoes sao isso mesmo e parabens por partilhares :)

Francisco Castelo Branco disse...

Não se matam animais para divertimento nas touradas.
O que acontece é que o touro bravo é criado mesmo para a prática taurina.

Esta é uma questão controversa.

Eu sou a favor das touradas.
É uma tradição muito portuguesa.
Faz parte da nossa cultura.
Se fosse por causa dos animais, então qualquer desporto com animais (andar a cavalo,por ex); seria um crime.

Francisco Castelo Branco disse...

concordo quando dizes que há verdade entre o Toureiro e o touro...

É o que falta a muitos humanos

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