segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A entrevista

Sócrates falou dos 3 anos de governação…… Reconheceu que não cumpriu uma promessa eleitoral (a baixa de impostos); mas ainda acha que vai conseguir os 150 000 postos de trabalho. Conseguirá? A entrevista ficou marcada por quatro temas : Economia, Saúde, Educação e Politica…… Em relação à Economia, falou da heróica conquista de baixar o défice abaixo dos 3%. O principal objectivo dos últimos governos do país. Prometeu atingir os 150 000 postos de emprego, dizendo que 94mil estão conquistados. O desemprego também foi falado. Para Sócrates, o desemprego vai diminuindo. Será esse o país real? Estará o desemprego a diminuir? Não admitiu haver injustiças fiscais…… E continuamos a ouvir da boca do Primeiro-Ministro que o país está a crescer economicamente. Será? Na Educação, falou das virtudes da sua reforma: Aulas de substituição, horário alargado, introdução do Inglês, e do novo modelo de gestão. Não quis falar da possível “remodelação” nesta área. Na Saúde, voltámos á questão das Urgências. Com uma novidade. Admitiu repensar o fecho de algumas urgências. Novo Ministro, nova politica. Será mesmo assim? Por ordem de quem? Falou da novel Unidades de Família e assegurou que o SNS será bem melhor Será mesmo assim?

Na Política, não quis dizer se vai recandidatar-se. Porque será? Como fazer a avaliação destes 3 anos? Sócrates vive no mesmo país que a maioria dos portugueses? O que faltou por responder? O que os leitores perguntariam a Sócrates?

9 comentários:

quintarantino disse...

Basicamente perguntar-lhe-ia se ele se revê mesmo nas declarações que habitualmente faz sobre coisas que quase mais ninguém vê; se maioria absoluta tem de se traduzir em arrogância e porque é que muitas das reformas começaram pelo "telhado".

Paulo Sempre disse...

A política é mesmo rectórica «barata»....
Abraço
Paulo

PS: Obrigado pela visita

Tiago R. Cardoso disse...

A sério deu uma entrevista nova ?

Não sabia, ontem estive a ver uma na SIC, mas julgava que era a gravação de outra mais antiga.

joana disse...

...socrates fez coisas boas mas tambem prejudicou a muitos portugueses...como por exemplo os impostos...rsrsrs

Cleopatra disse...

O que é que eu lhe perguntaria?
Não lhe perguntaria nada.
Há uma altura do percurso em que qualquer pergunta é uma inutilidade. Nunca se obterá a resposta.


E já lá tens o desafio Francisco.
AS notas foram boas?

Ricardo S disse...

Para avaliar a realidade do país, teremos que analisar os números.
Défice, taxa de crescimento e taxa de desemprego estão verificados com números oficiais. E contra factos não há argumentos.
O problema dos anteriores governos é que não tinham números (resultados) para apresentar. Este até tem alguns.

Vejamos, por exemplo, a reacção de Zita Seabra:
- "As pessoas continuam horas à espera para serem atendidas nas urgências". Pois continuam. Mas esperam menos tempo para serem atendidos e para serem operadas, do que esperavam até há bem pouco tempo.
- "O crescimento económico não chega". Pois não. Mas é maior do que nos últimos anos (desde, salvo erro, 2000 que a Economia portuguesa não crescia tanto)

Os números são a resposta.

Contudo, ficaram algumas questões por colocar. Justiça: nem uma pergunta. Lamentável, tendo em conta que tanto se tem falado nela e que uma das maiores reformas de Sócrates tem sido precisamente nesta área. E com muitas medidas duvidosas e polémicas (algums comprovadamente erradas).

Quanto à Educação e à Saúde, esclareceu o que tinha a esclarecer: a reforma do SNS continuará a ser feita como prevista, mas mais nenhuma urgência fechará sem primeiro ter sido criada a alternativa prevista (deveria ter sido assim desde o início); a avaliação dos professores avançará mesmo, como aliás assim deve ser.

Quanto ao resto, as perguntas eram previsíveis, pelo que Sócrates já as esperava e as respostas estavam prontas a sair...

Se este é o país real, penso que sim, senão vejamos: a economia está a crescer, o défice já está abaixo dos 3%, o desemprego dá mostras de ter sido estancado, a pobreza tem diminuído, há cada vez menos devedores ao Fisco, os professores têm agora mais estabilidade (colocação por 3 anos), daqui a 2 anos o SNS estará modernizado e com melhores serviços e cuidados de saúde, etc...

As reformas estão quase concluídas, pelo que percebo porque Sócrates poderá estar a considerar não recandidatar-se. Porque o trabalho essencial está quase feito e o próximo governo tem "apenas" que gerir e melhorar apenas alguns aspectos. Não há mais reformas para serem feitas, pelo menos nos próximos tempos.

Quem se queixa das "dificuldades" e de que a realidade é outra é quem se queixa que não pode comprar um lcd grande, mas apena um médio. Os números não mentem e, apesar de muitos não quererem aceitá-los, eles não mentem. E contra factos...

Cumprimentos.

expressodalinha disse...

O homem sabe muito politicamente. A certa altura os experimentados jornalistas perceberam que nada podiam fazer. Sócrates tem a arte da propaganda. É evidente que se torna cada vez mais rídiculo... Mas acho que o afastamento da realidade e o apego ao poder dão inevitavelmente nisto.
No meu blogue digo o que penso da situação.

Francisco Castelo Branco disse...

Acho que Sócrates esteve bem
Seguro e confiante de si. Alias como é apanágio quando enfrenta a Comunicação Social.
Quanto ás medidas…
Na minha opinião o que Sócrates fez foi anunciar um périplo pelos seus êxitos.
Apesar de ter anunciado medidas positivas na sua governação.
Não sei se foram suficientes, mas o que o PM, está a fazer é positivo,
Pelo menos do que anunciou……
Não se deixou levar por polémicas. Como a substituição do Ministro da Saúde e a possível remodelação na Educação.
No fundo foi uma entrevista à sua medida. Disse o que fez, o que de mais importante fez em cada área e conseguiu fintar algumas perguntas dos moderadores….

Carlos Medina Ribeiro disse...

Na torre-de-marfim

QUANDO O HOMEM DO TALHO nos garante que não há carne melhor no mercado, não lhe levamos a mal, pois todos sabemos que isso faz parte da arte de vender. Da mesma forma, quando um governante nos vem dizer que o seu governo é mais-que-perfeito, não lhe levamos a mal, pois todos sabemos que isso faz parte da arte de governar.

E, no entanto, há limites que não devem ser transpostos: da mesma forma que os bifes não podem tresandar a podre, também um governo não pode apregoar um mundo de maravilhas quando é o oposto que os governados sentem na pele.

Mas também é verdade que, sendo a realidade multifacetada, ela é apreendida de forma diferente conforme o ponto-de-vista do observador:

Alguém imagina um governante passar 5 ou 6 horas numa fila da Segurança Social? Ou meio dia numa repartição de Finanças? Ou nos apertos dos transportes públicos? Ou a secar num corredor de um hospital? Ou com os filhos numa escola "problemática" ou a cair aos bocados? Ou... ou... ou...?

Claro que não. Essas pessoas vivem num mundo que pouco tem a ver com a realidade do cidadão-comum, ainda por cima isolados dele por uma caterva de correlegionários, assessores, familiares, amigos e yes-men.

Curiosamente, trata-se de uma realidade bem antiga, e não é por acaso que os contos populares referem, amiúde, reis e vizires que se disfarçam para, circulando incógnitos nas ruas e mercados, saberem os anseios do povo e o que este pensa da sua governação. E também não é por acaso que, nessas histórias, o governante tem, invariavelmente, grandes surpresas - mas isso... é outra história.
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