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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Como "conquistar" o público?

Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, a persuasão não é uma técnica de lavagem cerebral, mas sim a manipulação da mente humana por outro indivíduo, sem que o sujeito manipulado tenha consciência da causa para a sua mudança de opinião. Existe um ínfimo número de técnicas de persuasão. Todas elas têm como fundamento o acesso ao cérebro direito. Ora, sabemos que o hemisfério esquerdo do cérebro é analítico e racional, enquanto o seu oposto é de cariz criativo e imaginativo. A ideia é, no fundo, manter o hemisfério cerebral esquerdo ocupado a fim de desviar a sua atenção, captando assim a atenção do hemisfério direito. Desta feita, como distrair a área esquerda do cérebro? Uma técnica usada frequentemente por políticos, nos seus discursos, e por advogados, cujo objectivo é a manipulação da informação comunicada. Num discurso político, em primeiro lugar, o orador opta por suscitar o chamado sim, sim, ou seja, faz declarações que provocam o assentimento nos ouvintes que, mesmo inconscientemente, vão balançar as cabeças em conformidade. Depois, vêm os chamados truísmos (trivial) que são, regra geral, assuntos que suscitam o debate. No entanto, dado que o político já “conquistou” a audiência, as vantagens são favoráveis para ele, visto que a audiência continuará a concordar, sem sequer parar para reflectir. Em último lugar, vem a sugestão, ou seja, o que o político quer que o público-alvo faça. Em consequência da anterior conformidade do público, durante o discurso político, este estará, a posteriori, persuadido a aceitar a sugestão. De seguida, um exemplo do que foi acima abordado. Senhoras e senhores: vocês estão indignados com a falta de controlo da inflação? Estão cansados da incansável subida do preço dos combustíveis? Estão doentes com o sistema de saúde? Bem, vocês sabem que o outro partido prometeu uma menor inflação; sabem que o crime aumentou; vocês sabem que há cada vez mais serviços de urgência a encerrar. Então, a solução para estes problemas é eleger-me nestas eleições. Outra técnica de persuasão, entre o vastíssimo rol de métodos, é os chamados Comandos Embutidos. Os políticos e os brilhantes oradores da actualidade estudam truques, tanto antigos como novos, para manipular o público-alvo. Esta técnica, Comandos Embutidos, baseia-se em gestos, ou seja, o locutor poderia fazer um gesto com a mão, assim que dissesse uma palavra-chave de modo a tornar o discurso mais convincente para o auditório. Em matéria de persuasão, vimos que há grande interesse por parte de políticos. Técnicas e conceitos da Neurolinguística estão disponíveis para todas as pessoas. Esta ciência estuda a elaboração cerebral da linguagem e ocupa-se com o estudo dos mecanismos do cérebro humano que suportam a compreensão, produção e conhecimento abstracto da língua, seja ela falada ou escrita. É uma das mais possantes e subtis das técnicas de manipular. Uma outra técnica é a chamada técnica intercalada, ou seja, a ideia é dizer uma coisa com palavras, mas dar a impressão inconsciente de outra na mente dos ouvintes. Por exemplo: o vereador da Câmara Municipal está a ajudar as autoridades locais a esclarecer os estúpidos enganos das companhias que contribuem para o aumento da poluição. Isto parece uma simples declaração mas, se o locutor enfatiza a palavra certa e especialmente se ele faz o gesto de mãos com as palavras-chave, o ouvinte poderia ficar com a impressão inconsciente de que o vereador é estúpido. Frequentemente, muitas técnicas de persuasão são usadas em pequena escala obtendo sucesso. É o caso de um corrector de uma seguradora. Através de uma comunicação ao cérebro direito, o corrector consegue que o cliente visualize alguma coisa em mente. Começa por lhe solicitar que imagine, por exemplo, um incêndio na casa onde estão a conversar, que é linda. Este é um dos medos inconscientes do cliente e, quando ele visualizar o fogo, estará a ser manipulado a assinar o contrato de seguros. Outra técnica é a de choque e confusão, usada para distrair o hemisfério cerebral esquerdo e comunicar-se directamente com o direito. A técnica é, inicialmente, o orador falar em voz alta e, assim que capta a atenção do ouvinte, baixa o tom enquanto continua a intervenção. Um exemplo desta situação é quando, na rua, somos confrontados com alguém que está a pedir uma contribuição para uma causa, dita nobre. Na primeira abordagem fala num tom alto pedindo para que a pessoa leve, por exemplo, um livro. Posto isto, pedia uma contribuição para uma Associação de solidariedade. As pessoas perante esta situação têm tendência a recuar, ficam chocadas com a estranha aparência. Porém, com a súbita materialização e com a voz alta elas ficam sugestionáveis e, por isso, aceitavam a sugestão de levar o livro; no momento em que o pagavam sentiam-se culpadas e respondiam a uma questão: Dar dinheiro? Assim, com algumas das muitas técnicas de persuasão existentes, verifica-se que a manipulação da mente humana é quase inconsciente.

Texto de Liliana Martins

11 comentários:

Cleopatra disse...

Francisco, que trabalheira! Espero que não te estejam a ensinar isto na faculdade.

Influenciar ou convencer os outors não é manipular. É ter argumentos. Postura,...é um dom.
Espero que tu o tenhas. Lá lutador és tu.Bjito

Heraclita disse...

Cleopatra, "influenciar (...) não é manipular (...) é um dom"? porquê?

Liliana Martins

Francisco Castelo Branco disse...

Obg pelas palavras elogiosas lol.....
Influenciar é ser convincente. Conseguir "passar a mensagem". Fazer com que os outros "sigam" as nossas ideias e nossas convicções.
Para mim isso não é manipular. É persuadir, e a persuasão é uma das formas da retórica......
Já dizia o Sócrates (mas o Filósofo).......

Francisco Castelo Branco disse...

Já li o texto. Está muito bom!!!!

Acho interessante a questão dos hemisférios do cerébro.
Também noto isso, já que sou canhoto e penso que isso tem influência na minha maneira de ser.....

Quanto ao texto......
A minha opinião é de que os politicos utilizam muito o hemisfério esquerdo do cérebro.
Muitas vezes, o seu discurso é manipulador. Nem sempre é convincente. Daí as "suspeitas" do zé povinho......
Muitas vezes se tenta convencer através da manipulação. É aí qe está o mal....
Eles conseguem de facto manipular, só pelo facto da plateia abanar a cabeça em movimento sim, sem saber do que é que o orador está a falar. E sem saber se aquilo que ele diz será verdade.
Agora será que a persuasão é manipulação? Como conseguem isso?
E o facto de convencermos os outros a adoptar as nossas ideais através destas técnicas, será manipulação?
O que é de facto manioulação Liliana? Consegues definir "manipulação"?
Ou é apenas mais uma técnica.....
A questão das contribuições na rua, concordo.
A maneira como os ditos "serviços sociais" abordam as pessoas na rua é fantasmagórica. Falam alto e depressa e metem-se à frente.
E quase que nos obrigam a dar a dita contribuição.....
Parece que é o fim do mundo se tal nao acontecer, enfim....

É por isso que quase nunca dou nada......(até parece mentira aquilo que eles dizem....)

Francisco Castelo Branco disse...

Liliana, dizes que influenciar não é manipular. Concordo, então se a influência for negativa?
Influenciar sem manipular é só se for pela positiva?
E manipulação é uma forma negativa de persuadir?
A manipulação é uma técnica que as pessoas usam quando querem usar a mentira para conquistar os outros?
Para mim, influenciar é um dom, agora manipular, não me parece.....

Cleopatra disse...

Olá!
*Porque há pessoas que têm o dom de falar e criar empatia com os outros. É como uma música, um feitiço... uma simpatia que emana delas. Uma força! Aí levam todos atrás, Como o flautista de hamelin. Lembras-te'
Bjito.
gostei da pergunta.

Essas pessoas influenciam. Levam os outros atrás. Incutem as suas ideias e ideais!

Não tem técnica. Tem....dom.

Cleopatra disse...

A Retórica é isso sim
E há várias formas de fazer retórica. Preciso é que a retórica tenha sempre paixão.

Francisco Castelo Branco disse...

Pelas tuas palavras, deduzo que influenciar é criar uma paixão, também?

Pergunto isto também á Liliana

Pipas disse...

Ora aí está um belo texto, que de certeza deve de estar na mesa de cabeceira de alguns senhores que conheço, mas enfim...
O que eu tenho a dizer sobre isto é que a oratória e a retórica, sendo das ciencias mais antigas e que sempre teve por seu objectivo influenciar os outros, como é do vosso conhecimento (e nisso os gregos clásicos foram os primeiros e melhores), com o evoluir dos tempos e dos conhecimentos essa arte foi cada vez mais aperfeiçoada para aquilo que nós tão bem conhecemos. Só tenho pena que não haja também alguma técnica ou ciência que nos ensine a evitar ou lutar contra essa "persuassão"
Boa noite
Pipas

Paracletus disse...

Acho que já vi isto em qualquer lado... deixem-me ver...hummm...já sei: no Mein Kampf!...

Francisco Castelo Branco disse...

Mein Kampf é mais como "aterrorizar" o publico lol

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