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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A mediatização dos processos judiciais

Casos como os da Casa Pia, Apito Dourado ou Madeleine Mccann são exemplos da interferência da Comunicação Social na Justiça.
Até que ponto isto é admissivel num Estado de Direito democrático?
Será que a Justiça funciona bem assim?
A Comunicação Social não quererá ter aqui um papel interventivo e social na condenação?
Não será que os agentes da Justiça; Juizes e Advogados não deveriam reagir contra esta condenação jornalistica? E não são os principais culpados? Visto serem eles quem têm acesso total ao processo.........
Estes três casos são um exemplo de como existe interferência dos media na Justiça.
A forma como se "condena" na praça publica é um mau presságio para o futuro; da justiça e do jornalismo.
A máxima "todos são inocentes antes da sentença transitar em julgado" deve ser sempre respeitado.
Até na Comunicação Social........

5 comentários:

quintarantino disse...

Concordo. Agora proponho-lhe que faça o exercício ao contrário: não deveria a Justiça coibir-se de andar atrás das luzes da ribalta?
Já reparou na quantidade de procuradores e magistrados que, subitamente, se tornaram em especialistas de "televês"? Ou de investigadores criminais? Ou de ex-investigadores criminais que sendo autarcas mais parecem ser polícias ainda no activo?

Tiago R Cardoso disse...

Hoje a justiça faz-se na praça publica, quando deveria ser feita nos tribunais, mas convinha é que eles funcionassem.

Francisco Castelo Branco disse...

Quanto ao comentário do Quin acho que deveria se impor limites a esses factos.
Em termos deontológicos e nao legais

Marco Daniel Raposo disse...

Creio que mais do que nunca se assiste ao florescimento pujante do quarto poder. Se algumas dúvidas haviam sobre o poder dos Media, os casos enunciados dissipam-nas imediatamente. É notório que existe uma certa promiscuidade entre a Justiça e os orgãos de comunicação social. São informações que não devem vir a público, mas vêm e ajudam a vender jornais ou a ter maior audiência na abertura dos telejornais ou são os agentes judiciários que se tornam estrelas de tv. Não será com certeza alheio a ninguem que o novo bastonário da Ordem dos Advogados é um jornalista por formação e que é presença assídua em programas de televisão, assim como cronista em jornais. Entendo que a Justiça não se pode alhear da Sociedade, na medida em que as decisões judiciais têm como "alvo", também os cidadãos que nao intervieram no processo. Esse destino das decisões judiciais tem um papel fundamental, que é o de credibilizar a Justiça, o Direito e também o funcionamento dos orgãos judiciários. Mas o que se assiste é o contrário.

Além de questões deontológicas, julgo que falta claramente bom senso na forma como pessoas que o deveriam ter comentam/criticam factos ou actos relacionados com a justiça. Não quero com isso dizer que não devem haver críticas ou comentários, não entendo que devam haver limitações, até porque a liberdade de expressão é um direito constitucionalmente consagrado, mas deve haver ponderação na expressão da opinião.

Contudo, todos sabemos que os "contidos" não vendem jornais...

Francisco Castelo Branco disse...

Marco
Bem vindo ao blogue e excelente texto.

Concordo contigo na questão da liberdade de expressão. Nunca deve ser limitado.
Deve haver no "subconsciente" dos agentes da Justiça aquilo a que costumo chamar Ética.
Ou seja, defender em primeiro lugar o cliente e não a sua imagem.
Confesso que quando começar a exercer, se algum dia vem a lume uma noticia sobre um processo em que intervenha um cliente meu, essa orgão vai ter que se haver comigo!

Entendo igualmente, que a Justiça não deve ser feita na praça publica. Por muito que nós queiramos saber das intrigas processuais.

Isto tudo , a bem da Justiça

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